RONALDOEVANGELISTA


Dançar na chuva quando a chuva vem



Duas vezes no Cedo & Sentado, terça passada no Prata da Casa e hoje no Samba do Berlin, Marcelo Jeneci vai conquistando territórios por São Paulo. Já contei: ele toca ou tocou não há muito com Cidadão Instigado, Andreia Dias, Arnaldo Antunes, Bruna Caram, Chico Cesar, Vanessa da Mata e agora está formatando seu próprio trabalho. Apesar de algumas referências explicitamente brasileiras, o Jeneci tem um senso de pop perfeito à Beatles e Beach Boys que dá uma cor especial pra sua música. Isso somado a um hippiesmo saudável e uma good vibe generalizada, que gera música do bem e com excesso de beleza, chocante pra quem vive imerso demais na era da ironia. "É o que quero que um dia meus filhos acreditem", comentou uma amiga fã de Burial e ficção científica, não sem algum espanto.

Os shows do Jeneci sempre têm uma aura especial, que ele intensifica com meialuzes e almofadas e uma simplicidade que aproxima quem está ouvindo de quem está tocando. O fato dele passear entre piano, acordeão, guitarra e estar acompanhado do Régis tocando violões e baixos, Curumin na bateria, baixo, guitarra e Laura no violoncelo e vozes celestiais faz de tudo ainda um pouco melhor. No topo dos seus 25 anos de idade e o dobro de talento, Jeneci anda ainda um pouco tímido, procurando qual é exatamente seu lugar, mas já tem aquela mágica nas suas melodias, nas harmonias da sua voz com a da Laura, na superbanda-de-dois montada pelo Curumin e pelo Régis.

Com o botão dos anos 70 ligado no máximo, o Jeneci tem muito a ver também com o pessoal do +2, em especial no Sincerely Hot. Não que eu tenha nada a ver com isso, mas Kassin produzindo o disco do Jeneci? Me parece uma boa idéia.


(Foto do Eugênio. Mais aqui.)

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Marcelo Jeneci & Marcelo Camelo




Logo na primeira música Jeneci deu um passo à frente no palco do Sesc Vila Mariana, algumas luzes se acenderam e ele fez o lugar parecer até pequeno para o quanto tinha pra mostrar. Na terceira, já puxou um coro perfeitamente afinado da platéia pra lhe acompanhar - provavelmente algum recorde, considerando que era o show de lançamento de um disco que ainda nem saiu fisicamente. A naturalidade com que recebeu Marcelo Camelo e o quanto ofereceu de espaço na sua música para a dele foi tocante, e desconfio que não só pra mim. Acima os dois momentos dos Marcelos juntos no palco: versão incrível de "Doce solidão" - Jeneci levando o groove no piano e cantando doce, Laura sentada ao lado puxando assobio e riffzinho no agudo, Camelo entrando no rocksteady - e "Liberdade" - no disco com acordeão de Dominguinhos, Jeneci dando seu toque ao instrumento em dueto com Camelo no violão.

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a gente é feito pra dizer que sim



Quem tá ligado já se ligou: Jeneci está a dois passos de conquistar o mundo - ou pelo menos a parte dele com coração. Nos últimos tempos, você pode tê-lo ouvido na novela sem saber (de novo), pode ter entrado no seu MySpace pra ouvir "Longe" no repeat, ou naquele vídeo com "Pra Sonhar" no repeat, ou até tê-lo visto tocando em uma das duas últimas quartas no Studio.

Alguém que estava lá filmou e jogou no YouTube: Jeneci, de camiseta Kiss Roberto, cantando "Feito pra Acabar" (música-título do seu futuro disco) com aquele gosto especial de quem mostra música nova pros amigos, entregando a emoção e dividindo o momento com todo mundo presente. Com suas melodias perfeitas e seu gosto pelos detalhes que fazem cada música um pouco mais legal, Jeneci respeita o silêncio e só o interrompe com coisas bonitas - aqui com Laura, Régis e Bruno Buarque (de sub do Curumin).

Próximo show dele rola em Junho, no Grazie a Dio!, com dj legal garantido.

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Estou entregue a ponto de estar sempre só


O show do Jeneci ontem no Cedo e Sentado foi coisa séria, seríssima. Tudo tão lindamente delicado que todo mundo saiu de lá flutuando. Cada música mais bonita que a anterior, passei o show inteiro emocionado. O Jeneci tem aquele raro talento de achar a nota, o acorde, o som, a entonação, a palavra exata pra tocar naquele lugar especial que você guarda bem guardado dentro de você. Eu sabia que ia ser legal, mas não esperava tanto. Mas já devia ter desconfiado: o cara não só toca com alguns dos meus músicos favoritos como alguns dos meus músicos favoritos tocam com ele. Eu já o achava um gênio de vê-lo e ouvi-lo tocando com o Cidadão Instigado e a Andréia Dias, entre várias outras pessoas legais, mas ontem a coisa existiu em um outro nível, numa categoria só dele. Tocando com ele estavam o Curumin (na bateria, alguns samples, guitarra em uma música), o Régis (guitarra, baixo, violão de 12) e a Laura (violoncelo, pandeirola e linda voz). O Jeneci tocou wurlitzer, órgão, acordeão, violão, guitarra e cantou. E não houve um único som tocado durante o show inteiro que estivesse fora do lugar, nenhuma nota a mais ou a menos.

Aqui, "Amado", parceria dele com a Vanessa da Mata.
Aqui, "Quarto de dormir", parceria dele com o Arnaldo Antunes.

(Foto daqui.)

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Marcelo Jeneci & Arthur Verocai



Jeneci é o cara que mais tem capricho e busca o melhor e vai no alvo, em timbres, melodias, letras, formação, dedicação. Não tinha como ser diferente no show de lançamento do primeiro disco, "Feito Pra Acabar": cem por cento em todos os sentidos, do começo ao fim. Para os arranjos do disco e para apresentar ao vivo, foi direto ao ponto e chamou Arthur Verocai, que colocou a orquestra no palco e pontuou as canções com momentos de roubar o fôlego. Enquadrados no vídeo acima, Jeneci à esquerda ao piano, maestro Verocai ao fundo à direita na batuta, momento sublime com "Quarto de dormir".

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de tanto não parar a gente chegou lá



Sabe quando o mundo é tão bonito que a vida parece que não cabe dentro do peito? Sabe aquele frio no estômago quando você percebe pela primeira vez que está apaixonado? Sabe aquele brilho nos olhos que nasce de descobrir que todo dia e toda hora existe alguma coisa pra fazer tudo valer a pena? Sabe aquela tristeza tão intensa que se torna algo lindo dentro de você? São as matérias-primas de Marcelo Jeneci, hoje na capa da Ilus e à noite no palco do Grazie a Dio!. // As mesmas notas e palavras que todos conhecem soam um pouco mais bonitas nas teclas e cordas sob os dedos do Jeneci, cantadas por ele com Laura Lavieri e tocadas pela incrível banda formada por Curumin, Régis Damasceno, Gustavo Ruiz. Não adianta fugir: Jeneci tem a mira certeira e está com as canções apontadas direto pro seu íntimo.

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A seguir, cenas do próximo capítulo

Tenho certeza que você já está sabendo: o Studio SP está de mudança. Daqui menos de duas semanas é bye-bye Vila Madalena e olá Baixo Augusta. O Cedo e Sentado, projeto do qual eu sou curador, vai não só continuar no endereço novo como já vai chegar cheio de novidades inacreditáveis. Aguarde e verá. Enquanto isso, isso aqui é para avisar: só temos mais uma semana no Studio que serviu de cenário para tantos shows memoráveis nos últimos anos, então é hora de se despedir vendo as ótimas últimas apresentações ali e já se esquentando para o lugar novo. Agora é a hora de aproveitar e fazer tudo que você sempre quis fazer neste espaço e andava adiando.

Se você só estava esperando um bom motivo, te dou seis.

HOJE, sexta, 16 de maio
Quarteto com influências que vão de Eumir Deodato a Zero 7, de Raul de Souza a Four Tet, de Herbie Hancock a Cinematic Orchestra, o Lavoura tem em seu DNA, nas palavras deles próprios, "eletrônica híbrida, psicodelia digital, funk setentista e afrofuturismos". Ou seja: elementos altamente jazzísticos se cruzam com detalhes eletrônicos e uma pegada roqueira. Para esse show eles ainda prometem algo especial e tocam, além de suas próprias músicas, composições de Jimmy Smith, Marcos Valle, John Coltrane e grooves eletro-jazz afins.
http://www.myspace.com/lavoura

Amanhã, sábado, 17 de maio
Um dos shows mais simpáticos e good vibe que passaram pelo palco do Cedo e Sentado desde sempre, Pipo Pegoraro volta aclamado e dessa vez acompanhado da sua banda Julia Car, em formação expressa. Juntos, eles trazem seu pop esperto e despretensioso com toques de hip-hop, eletrônico orgânico, brasilidades não-óbvias e mais um monte de referências legais.
http://www.myspace.com/pipopegoraro
http://www.myspace.com/juliacar

Quarta, 21 de maio
Marcelo Jeneci
Pianista, tecladista, maestro, explosão de criatividade, Marcelo Jeneci toca com um monte de gente finíssima, de Cidadão Instigado a Andréia Dias, de Bruna Caram a Arnaldo Antunes. Agora, está aí com mais um projeto nas mãos: o seu próprio. Ele fez sua estréia solo há duas semanas no Sesc Santana e agora chega junto pra apresentar o trabalho pra gente, acompanhado de ninguém menos que Curumim, Régis Damasceno e Laura Lavieri.

Quinta, 22 de maio
Projeto da futura superstar Tulipa Ruiz nos vocais com seu lendário pai Luiz Chagas na guitarra (mais uma banda massa junto, claro), o Pochete Set tem o senso de humor da vanguarda paulistana com o toque pop dos Beatles com a delicadeza da Gal nos seus melhores momentos. Tá bom pra você? "Às vezes" já é hit-repeat por aqui: clica no link-MySpace aí embaixo e ouve.
http://www.myspace.com/pocheteset

Sexta, 23 de maio
Um pouco de samba, um pouco de rock, um tanto de suingue e leveza pop tropical são alguns dos elementos da música de Tupiniquin, que chega chegando lançando seu primeiro disco, "Made in São Paulo", com toda a pinta de nova música pop brasileira. Nas gravações, ele contou com a participação de gente do naipe de Régis Damasceno, Rian Batista, Tita Lima, Karina Buhr, Guizado, Dustan Gallas. No show, promete levar alguns deles pra cima do palco.
http://www.myspace.com/tupiniquin

Sábado, 24 de maio
Talvez o melhor show que aconteceu no Cedo e Sentado nesses quatro meses em que estou lá fazendo a curadoria, tudo indica que o Guizado só vai melhorar ainda mais daqui pra frente. Projeto solo do Gui Mendonça, trompetista brilhante que toca com uma galera do bem, é algo como uma versão atualizada, tropical e quebrada de um Miles fusion. Seu disco, Punx, já está pronto e deve ser lançado a qualquer momento. Vai ouvindo as músicas no MySpace dele e não falte por nada. (Chegue cedo e fique! No mesmo dia, logo depois, fechando o Studio com chave de ouro, tem show do São Paulo Underground.)
http://www.myspace.com/guizado

Logo mais te conto as novidades e os shows de junho.

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Shows da semana (passada)


Sociedade da Grã-Ordem Mojiquista
Cedo e Sentado, Studio SP, quarta 4/6


Massíssimo o encontro do Tatá com Peri com Mauricio com Isi com Pedro. Muito sensacionais as músicas, divertidíssimo o show. Deu orgulho de ser amigo do povo, deu felicidade de estar ali vendo aquilo. Rolou samba sobre cortar as unhas até a raiz dos dedos, funk carioca sobre o desquite do Frankenstein, folk de terror sobre o Satã Tantã, disco music com baixo acústico e citação de Sergio Sampaio e aparições da voz do Mojica ele próprio rogando praga em todos os presentes. Como a aparição dos grã-ordeiros só acontece uma vez a cada lua cheia, não perca por nada se souber de algum próximo show.

Cidadão Instigado
Studio SP, sábado 7/6


Semana passada tive um insight: não dá pra perder mais nenhum show do Cidadão. É bem possível que eles sejam a melhor coisa acontecendo na música em São Paulo hoje, eu é que não quero ficar pensando depois que devia ter ido naquele show... Nos últimos meses eu vi três e achei pouco - foi cada um melhor do que o outro, cada um dando mais vontade de ver o próximo. Eles estão prestes a entrar em estúdio para gravar o terceiro disco e o show tem sido recheado de canções novas incríveis. Para quem já achava o Método Túfo um dos grandes clássicos dos nossos tempos, aguarde o impacto desse próximo. Pra mim, o show já começou mágico: eu estava por algum motivo a semana inteira com "Lá Fora Tem" na cabeça, e com qual música eles abriram o show? Acertou. Teve ainda concentração de celebridades do bem, o que é sempre sinal de que algo está acontecendo. Vi por lá Jeneci, Nina, Amarante, Andréia, Massari, Helio, Ganja, Gui, Carol e mais um monte de gente tão legal quanto, mas menos conhecida.


Arnaldo Antunes
Sesc Pompéia, domingo 8/6


Eu achei o Ao Vivo no Estúdio tão simpático, estava tão curioso para ver o Jeneci com ele e foram tantas coincidências e assuntos que caíram no Arnaldo Antunes essa semana que resolvi recepcionar a noite de domingo assistindo esse show às seis da tarde no Sesc Pomp. Por incrível que pareça, a última vez que vi o Arnaldo ao vivo foi na época do disco Ninguém - portanto, há mais de dez anos. Tive algumas boas e más surpresas, mas no geral foi mais ou menos como eu esperava: tudo que acho ótimo nele estava lá, tudo que acho nem tão ótimo também. Foi bem linda a versão de "Socorro", uma das mais bonitas dele (e com a Alice Ruiz). Foi impressionante ver a quantidade de crianças na platéia (nem tantas, mas ainda assim mais do que eu imaginava) e a quantidade de mulheres gritando "lindo!" e se amontoando na frente do palco para vê-lo de perto. E foi um pouco chocante ver o quanto ele realmente assume o papel que cristalizou pela época do disco Silêncio - e confesso que acho um pouco ridículas aquelas danças desengonçadas e aquela postura toda meio boba.

Mas, aí, fiquei pensando: o papel do artista é expurgar as travas e exprimir os desejos que sua audiência carrega sem nem saber. Nesse sentido, a hipérbole é uma figura de linguagem tão boa quanto qualquer outra. Ser uma personagem meio ridícula é uma tática já muito usada desde o tropicalismo, muito por Tom Zé até hoje e também, por exemplo, pelo Zeca Baleiro - figura com quem simpatizo consideravelmente. Então, apesar de às vezes ser realmente cansativa a esperteza excessiva de algumas sacações e trocadilhos de suas músicas, muitas das suas composições são impressionantemente bonitas. "Alegria", por exemplo, é das favoritas de sempre. "Desce" é outra. E já é muito mais que muitos artistas oferecem. Aí percebi que o exagero caricato e algo infantil do Arnaldo no palco é uma maneira muito esperta de chamar a atenção para a delicadeza, beleza e singeleza de suas canções.

Assim como o detachment übercool do Los Hermanos funciona como contraste e amplificação do ultra-romantismo das suas composições. Mas isso já é outro papo.

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a vontade é um chão gelado sob os pés



Bruno Morais, de voz calma e jeitos sutis, vinha dizendo há tempos que andava fazendo um disco. Botava fé, mas caí pra trás quando ouvi A Vontade Superstar, álbum impecável na sutileza, criatividade e elegância - nas canções, interpretações, arranjos e visual. Com suas melodias e letras cheias de delicadeza, acompanhado de gente como Guizado, Marcelo Jeneci, Ricardo Prado, Gui Kastrup, Régis Damasceno, Bel Bluebell, Mauricio Fleury, Bruno cria mundos e conta histórias pra falar do amor e do fantástico.

Cantando perto do microfone, fez um headphone masterpiece de dar gosto, cheio de pequenos detalhes nas mixagens e vários instrumentos legais, banjo, juno, wurlitzer, clavinete, casiotone, tuba, bombardino, passos, coros e sons de toda sorte. Cruzando referências, com ajuda de alguns amigos gringos e a turma de músicos mais legal de São Paulo dos últimos tempos, Bruno canta umas canções suas lindas, como "Bombeiro Vermelho" e "A Vontade", e reinventa coisas como "Pode Sorrir", do Nelson Cavaquinho.

Tudo cheio de arranjos engenhosos, como em "Planos", as baterias e baixos do XXXChange (do Spank Rock) entregando aos poucos o dub por baixo e as cornetas do Tony Chang (do Fat Freddys Drop) brincando por cima. Ou os beats antisamba (do Vitamin D) que levam a versão ao mesmo tempo desconstruída e respeitosa de um velho samba filosófico do Alvaiade, "O Mundo é Assim". Mais a guitarra fuzz (do Régis) e o clavinete psicodélico (do Jeneci) do infalível tiro-e-queda bom pra tosse plano: "Continuar". E só com coração de gelo pra não arrepiar com "Hoje eu vou te acordar" (parceria com o Romulo, baideuêi).

Disco tranqüilo e seguro, de colocar o tempo no ritmo certo. Produzido pelo próprio Bruno com Gui Kastrup (que produziu também o sensacional disco da Andreia Dias), com encarte e capa com ilustras lindas do Marcelo Cipis e montagem do sempre genial Rodrigo Sommer - de fazer lembrar a graça de ter um CD na mão -, A Vontade Superstar é um álbum para quem sabe escutar, suave e cheio de camadas.

(Aliás, mais um da safra da YB, arrasando - ano passado com Turbo Trio e Curumin, esse ano já com o disco do Romulo na rua, Lulina e Nina Becker por sair.)

Bruno faz show de lançamento quinta, no Sesc Pompéia (onde mais?), e o disco, é só querer.

(foto daqui.)

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você não precisa fazer nada além de continuar



Bruno Morais, aqui, comentou faixa a faixa seu A Vontade Superstar, disco de repeat, deleite do começo ao fim:

Hino dos corações partidos F.C.
Essa eu fiz e gravei num susto, o processo foi muito intuitivo e muito rápido. Em uma das minhas visitas ao meu grande amigo Tomás Meireles, que tem sempre músicas novas pra mostrar, ele me mostrou uma outra música que falava de um amor não correspondido e no meio de uma letra gigante que não me agradava muito ouvi a frase “corações partidos, sigam-me...”. Voltei pra casa com isso na cabeça, mudei a melodia e ficava cantando isso em loop. Dias depois ele me ligou pra contar que havia sofrido uma grande perda, um acidente fatal levara seu ente mais querido e que estava sofrendo muito. Então eu e ZéPa (José Ricardo Passeti) resolvemos fazer um hino, uma oração para afastar as vibrações ruins e trazer de volta o conforto. Semanas depois em cinco horas num estúdio em Londrina gravamos guias de tudo: violão, voz, backings. Tudo o que você ouve nessa faixa foi gravado nesse dia, são todas guias. Depois Guilherme Kastrup colocou seu tear pra costurar com o disco. Talvez essa seja a faixa mais determinante e espontânea do álbum.

A Vontade
"A Vontade" eu fiz assim que gravei meu primeiro álbum, Volume Zero. Eu fiz depois que a minha amiga e escritora Ivana Debértolis me mandou uma carta falando da minha vontade. Sou uma pessoa bastante obstinada, até demais, e isso sempre virou assunto. Achei nos textos dela a frase “a vontade é o prazer encostado na dor” e fiz a música. “A Vontade” desenhou todo o conceito do disco - que pretende ser um culto religioso aos desejos que movem montanhas. Tony Chang, do Fat Freddy's Drop, gravou esses sopros incríveis com direito a solo especial de Bocato. Mó responsa.

O Mundo é Assim
Alvaiade e A Velha Guarda da Portela são grandes referências pra mim desde que ouvi pela primeira vez essa canção, há 15 anos. Como a urgência da vida e a mortalidade humana eram assuntos importantes no disco, não haveria outra canção melhor pra falar a respeito. O arranjo surgiu do modo como eu comecei a dividir a melodia quando comecei a cantá-la num show de versões para sambas antigos que eu fazia, chamado O Ensaio do Samba. Depois disso levei uma gravação de guia para Seattle e o grande Vitamin D me ajudou a colocar New Orleans no arranjo e a faixa ganhou força. Todas as sessões de gravação foram muito divertidas e ela foi ficando assim: uma celebração, um louvor.

Bombeiro Vermelho
“Bombeiro” eu fiz em casa de tarde. Tinha muita gente em casa, fui para um canto, fiz a letra em minutos e a Marcela Biasi pegou o violão e botamos melodia juntos. Adoro fazer musica com ela. Temos várias dessa safra. O arranjo já estava embutido nos violões dela. Em mais uma visita a Londrina gravamos o naipe, guitarra e baixo. Depois Kastrup e Jeneci (essa é a preferida dele) deram o toque final. Sempre fico muito emocionado ao cantar essa música.

Planos
Essa canção eu fiz apaixonado, paixão que virou amor. É uma carta de intenções. Deu certo (risos). XXXChange (NY) produzindo e Tony Chang (NZ) nos sopros fizeram esse baile da saudade virar uma explosão dub espacial com gostinho de marching bands. Mais uma da mesma safra com Marcela Biasi.

Pode Sorrir
Essa também nasceu no projeto de versões O Ensaio do Samba. Adoro Nelson Cavaquinho, uma honra poder gravar essa canção que me acompanha há muito tempo. Sempre a cantei assim, no final do show, com cachacinha do lado. Acho que isso ajudou a mudar o sentimento da canção original (de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), trazendo um pouco de orgulho ao sujeito prestes a ser abandonado pela mulher. Essa foi gravada ao vivo, todos juntos na YB com minha banda e amigos no coro. Alegria geral.

Boa Nova
“Boa Nova” abre o lado b do disco. Fiz em parceria com quem eu mais faço música desde que comecei a compor: Rafael Fuca. As imagens vêm de um sonho que eu tive um dia antes e pela manhã ele começou a tocar essa harmonia e pronto, lá estava ela. Anya (uma das pastorinhas do disco), cantora americana radicada na França, esteve visitando e gravou esses vocais belíssimos que fizeram o sonho virar realidade.

Hoje eu vou te acordar
O Romulo Fróes é outro grande parceiro e amigo querido. Gênio. Mandei a letra pra ele e no dia seguinte na minha caixa de e-mail tinha essa canção linda pronta pra ser gravada. Gravação ao vivo com a minha banda no estúdio da YB também. O Samba do disco.

Aparelho Sensível
Essa é bem antiga, a mais antiga do disco. Fiz com o Rafael Fuca antes de vir pra São Paulo. O Mauricio Fleury fez seu primeiro arranjo de sopro pra ela e gravou um Fender Rhodes incrível. Tenho grande afeição por ela, pois foi uma das primeiras que fiz. Acho que todos nós somos aparelhos sensíveis.

Continuar
Mais uma com o Fuca. Música furiosa feita para aqueles momentos em que é preciso dizer “eu não vou parar”, “eu não vou desistir”. Regis “Mr. Spaceman” Damasceno, do Cidadão Instigado, criou o riff instigante da faixa e trouxe esse sentimento à tona. Continuidade é uma coisa muito poderosa. Quando se tem muita vontade e fé, o mundo conspira e pressiona pra você desistir. Você não precisa fazer nada além de continuar.

Do Inferno 2
Passei muito tempo com uma melodia na cabeça tentando descobrir de quem era. Quando a memória finalmente funcionou, lembrei que quando eu era criança tinha uma tia minha que só ouvia Chitãozinho e Xororó e eram eles que cantavam a tal canção de Almir Rogério, “Se Deus me ouvisse”. Quando fiz a letra de “Do Inferno 2” quis misturar as duas coisas, então fiz a melodia em cima da harmonia de “Se Deus me ouvisse” e depois rearmonizei com um baixo que sugeria outros caminhos e botei o refrão da música de Almir Rogério com incidental que Guizado Man executa com maestria. Uma canção trágica de amor às avessas. Uma oração. Um banho de sal grosso.

Há de ventar
Também foi gravada com minha banda ao vivo+Jeneci+Régis. Fiz a letra e melodia andando num dia chuvoso, indo pra casa do Tomás Meireles, que tinha um piano no casarão vazio onde morava e harmonizou a música quando eu cheguei. Estava pensando na minha mãe em especial, na mãe dele e nas mães em geral. Essa é pra todos nós que sentimos medo. O medo é o Demônio a ser exorcizado aqui. Pois para que A Vontade opere milagres ele não pode estar presente.

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Cacilda



Hoje, 21h, na onda de reestréia do teatro Cacilda Becker, só a galere: Lulina e Jeneci tocam; semana que vem Bruno e Anelis; na outra Tulipa e Iara. Todo mundo na preparação da dominação completa que vai ser 2010. Perder é vacilo.

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microcosmic minutiae



Rick has a lot of pull in the music business for reasons I don't completely understand. He's a really lazy person — he likes to be able to walk right in. He doesn't like to be confronted, he doesn't want to go to will call — he just wants to go to the side of the stage, see one song and then we would leave. Even when we went to Coachella, we would get a private plane and fly in to see one band. So I spent all this time watching bands from the side of the stage. And when you see bands like that, you can see something transparent in them. You can see the part of them that's sincere and the part that's not sincere. You see the part of them that's really connected with one another and the part that's just a put-on. From the audience's point of view, you can be fooled, but from the side of the stage, you can see how ridiculous it is to play your same song the same way, night after night after night. And the only thing that the band gets off on is this microcosmic minutiae that they've decided is the difference between a great show and a shitty show.

Vincent Gallo, contando as técnicas secretas de avaliação de artistas do Rick Rubin.

(Foto massa do Jeneci, com Régis e Curumin, pelo Eugênio.)

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Arthur Verocai, Sesc Pinheiros, Abril de 2011


Imagem daqui.

O disco de Arthur Verocai, 1972, é especial por muitos motivos. A criatividade em estado bruto, as letras que falam de coisas grandes da vida de maneira muito própria, suas harmonias e melodias particulares, beats sem limite, cordas em estado de graça, intimidade com suas afirmações, pegadas, instrumentos, efeitos, sons inéditos em sua originalidade até hoje, quase 40 anos depois de seu lançamento. Verocai é sua própria categoria.

Originalmente gravado para a gravadora Continental, esquecido em arquivos e algumas poucas coleções durante décadas, o disco encontrou brilhante redescoberta na última década, base de samples para inúmeros produtores, reedição em LP em 2004 e apoetótico show na Califórnia, dentro da série Timeless, em 2009.

Comemoremos, então, agora, o primeiro show ever no Brasil, próximos dias 9 e 10 de abril, no Sesc Pinheiros, com orquestra de cordas, alguns dos protagonistas originais e novas e emocionante conexões: Célia, Carlos Dafé, Robertinho Silva, Luiz Alves, Nivaldo Ornelas, Marcelo Jeneci, Guilherme Held, Nuts. Experiência para saborear e dizer que viu.

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Amplitude Modulada



Boa parte de 2009 passei pela rua Cenno Sbrighi, Fundação Padre Anchieta, Rádio Cultura Am, desenvolvendo alguns projetos que começam a se realizar por agora em diante - como o novo site (tocado pelo ótimo Ricardo Tacioli, do Gafieiras et cetera) e a nova programação, que debutou hoje e revela algumas boas surpresas até o fim da semana. //

E como o programa Cultura Livre, ao vivo, diário, apresentado por Roberta Martinelli e com muito de si para gente nova que vale a pena, como Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Bruno Morais, Karina Buhr, Leo Cavalcanti, Blubell, Romulo Fróes, Projeto Coisa Fina, Bárbara Eugênia, Radiola Urbana e várias turmas.

Já sigo por novos projetos e só participo como ouvinte e amigo informal, mas boto fé que vai longe e legal.

A partir de hoje e todos os dias, 14h, nos 1200 kHz da amplitude modulada e por aqui.

(a foto eu peguei aqui.)

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bloco de pra



Enquanto Moreno produz disco novo da madrinha Gal Costa, com canções inéditas de seu pai Caetano e a guitarra do parceiro Pedro Sá, e Kassin produz geral (Jeneci e Vanessa da Mata os mais recentes) e prepara segundo disco em grande estilo para 2011, o terceiro elemento do +2, Domenico Lancelotti, vem com sua tradicional despretensão abençoada e talento tranquilo: sai em pouco Cine Privê, seu disco novo, pela gravadora Coqueiro Verde, cheio de canções espertas e sons legais. Só pra entrar no clima mas manter o suspense, acima "Comigo", do clássico discreto Sincerely Hot, em momento bis do show de pré-lançamento do disco, terça passada no Rio.

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Sete provas de que Tulipa Ruiz é a melhor coisa em SP hoje


Cada voz (ao vivo no Grazie a Dio)


Do amor (teaser pro show no Prata da Casa)


Aqui, com Marcelo Jeneci (ao vivo no Grazie a Dio)


Só sei dançar com você (gravação no estúdio da Trama)


As sílabas (ao vivo no Centro Cultural Rio Verde)


Às vezes (ao vivo no Estúdio A da YB)


Dê um rolê (ao vivo na Galeria Olido com a Banda dos Contentes)


Ah, esse disco que vem por aí.

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Cedo & Sentado: Balanço

Depois de nove meses de Cedo & Sentado sob minha curadoria, essa é minha última semana por trás do projeto. Eu sigo daqui, com projetos novos que continuam tendo a ver com boa música nova, mas não necessariamente com shows (ou não só), e o Cedo segue de lá, sob a mesma programação dos shows principais.








O Cedo & Sentado era, até o começo do ano, um horário de shows um pouco mais cedo que a atração principal da noite e em um palco menor, que rolava às sextas e sábados no café do andar de cima do antigo Studio SP, na Vila Madalena. Quando aceitei o convite e assumi a curadoria, o projeto passou a cinco dias por semana (um deles, dedicado a uma nova galera do jazz) e, com a mudança pra Augusta, invadiu o palco principal e se tornou gratuito.










Entre fevereiro e outubro, foram mais de 100 shows, de mais de 50 artistas diferentes. Desde sempre dedicado a novos artistas e projetos especiais, o Cedo foi a oportunidade ideal para oferecer espaço para os cantores e bandas mais interessantes, de todos os estilos, que vi surgindo e crescendo enquanto escrevia sobre música brasileira, jazz e música pop, especialmente pra Folha.






Entre os que mais me encheram de orgulho, entre tantos também legaizíssimos, tocaram no Cedo & Sentado:

Mallu Magalhães



Beto Villares


Lulina


Junior Boca (com Marcelo Cabral e Mauricio Takara)


Tulipa Ruiz


Le Rock Démodé


Monique Maion


Marcelo Jeneci


Projeto Coisa Fina


Silvia Machete


*

Entre tantos outros.

E isso é só o começo.

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"Perdi a hora de voltar para o trabalho..."



Hoje tem um show no Cedo e Sentado que recomendo muito: Marcelo Jeneci. Garanto que se você for vai sair de lá uma pessoa melhor. Ele não faz muitos shows, mas todos que faz são especiais. Na última vez que ele tocou no Cedo e Sentado foi tão good vibe que todos saíram de lá mais leves.

Ele toca hoje acompanhado dos incríveis Curumin, Régis Damasceno e Laura Lavieri, entre pianos elétricos, órgãos, acordeões, violoncelos, violões, pedais, baixo, guitarra, bateria, samples, vocais celestiais, músicas bonitas, singeleza. Cidadão Instigado e Andreia Dias já contaram com ele nos palcos, Vanessa da Mata e Arnaldo Antunes gravaram em seus discos mais recentes parcerias com ele. E ele próprio já está em processo de gravar seu primeiro disco.

Show bom pra recarregar a bateria de coisas boas, em plena noite de quarta.

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melhor performance nacional



Pessoal do Guia me pediu uma lista do que de mais legal vi em shows nacionais no ano. Acima como impresso, abaixo director's cut.

01) Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz (Sesc Pinheiros, agosto de 2010)

Música elevada de atabaque e sopros, jazz e terreiro, passado e futuro.

02) Tulipa Ruiz (Auditório Ibirapuera, maio de 2010)

Voz encantada em show lotado - de público, talento e carisma.

03) Bixiga 70 (Prédio do Antigo Masp, novembro de 2010)

Afrobeat made in SP, cruzando Fela Kuti e temas afrobrasileiros.

04) Nina Becker (Sesc Copacabana, agosto de 2010)

Jogo de cena em azul e vermelho, teatro de arena, versões de Obina Shock e Tom Jobim.

05) Jeneci (Sesc Vila Mariana, novembro de 2010)

Arthur Verocai de batuta e orquestra, grande banda e lançamento tão caprichoso quanto disco.

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Tudo boa gente



Foto classe com toda a galera que participou do Tudo de Novo: Jeneci, Andreia, Gui Mendonça, Catatau, Curumin, Lenza, Régis, Rian, Gui Held, Romulo, Bruno, só gente do bom e do melhor.

Peguei no Flickr da Carol.

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