RONALDOEVANGELISTA


sorria em vez de se curvar



O afro tá forte em São Paulo em todas as formas: Douglas Germano comanda a batucada afro nos atabaques e cavaquinho nas novas canções, afrosambas urbanos, do álbum Orí. Douglas, além de tocar no Bando Afromacarrônico fazia dupla com Kiko Dinucci no Duo Moviola e aliás teve uma música do Orí gravada no também novíssimo Metá-Metá. Tá tudo se ligando e só coisa boa. Por aqui, todas as faixas de Orí.

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Metá Metá





Três entidades poderosíssimas da música se encontraram para gravar um álbum: a forte voz de Juçara Marçal, a pegada do violão percussivo de Kiko Dinucci e o sax altamente expressivo de Thiago França - acompanhados da bateria de Serginho Machado, gravado no Rocha, com canções de Kiko e Douglas Germano, conclamando as divindades interiores da música de cada um. Metá Metá, a sair em breve, petisco acima, já marcando o espírito do momento e enchendo os ouvidos e sensações terrenas.

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que minha voz seja ouvida



De repente os átomos vão se encontrando nessa hora e lugar no mundo, os acasos e planos se juntam no agora e o que não havia antes passa a existir, os sentidos se revelando e ideias se encaixando. Classe demais esse show juntando a musicalidade da Lurdez da Luz ao rimar, a naturalidade do canto do Criolo e os grooves de criação espontânea do Marginals. Todos em ponto de bala e com planos legais para esse ano. Hoje tem apresentação do Marginals na Matilha, show da Lurdez no Studio SP e juntos com Criolo dia primeiro de maio na Casa de Francisca. E o Criolo, você já sabe, está com disco 100% a sair mês que vem. Pra dar o gosto de tudo isso, "Cerol", semana passada ao vivo no Rio de Janeiro.

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Marginals convidam Thomas Rohrer




E semana passada fomos eu, Eugênio Vieira, Bruno Morais e Alexandre Matias ao Espaço +Soma, sacar o Marginals, novo projeto do Thiago França (no sax tenor, flautas, pedais e sax-midi EWI) com Marcelo Cabral (no contrabaixo) e Tony Gordin (na bateria), Thomas Rohrer de convidado (na rabeca). Jazz orgânico e espontâneo, grooves e abstrações, temas nascendo com os improvisos, interação sobrenatural, sons altamente originais. Grandes momentos de som, dois registrados pelo Matias nos vídeos acima.

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BIXIGA 70




Comentei do Bixiga 70 quando ainda se chamava Malaika, e quem viu o show de estreia na Festa Fela mês passado já viu que não era brincadeira. Arrasando geral em tempo recorde, a primeira banda preza de afrobeat em São Paulo tá chegando hoje em Santo André, além de vários porvires nos picos mais massa da capital, fica de olho e não perde. A parada é séria: nove músicos no grau, mandando não só Fela, Budos Band e K. Frimpong, como também sons próprios da pesada. Acima, dois temas e arranjos de Mauricio Fleury, piano elétrico e órgão, do Som da Selva. Além dele, representando na guitarra Cris Scabello, do Rockers Control; bateria Décio 7, que toca com Leo Cavalcanti e percussão no Rockers; no trompete Gralha, do ProjetoNave e sempre somando no Otis Trio; no tenor Danny Boy aka Daniel Nogueira, do Projeto Coisa Fina; no trombone Tiquinho, de mais bandas que seria possível listar; mais barítono, percussão e vai segunindo nos vídeos acima, feitos pela Nina Cavalcanti, Estúdio Traquitana, Treze de Maio 70, Bixiga.

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Tema de Malaika





Já é tradição do 15 de outubro, aniversário de nascimento do Fela Kuti: pelo mundo, rituais de celebração pelo poder da música, de liberdade e vida, corpo e alma.

Esse ano, além do primeiro Dia Fela em Belo Horizonte e da segunda edição da festa Makula no Rio (com show da Abayomy Afrobeat Orquestra, que nasceu nesta data ano passado), em São Paulo acontece já a quarta edição da Festa Fela, com uma novidade: estreia da MALAIKA, talvez a primeira banda de afrobeat (etc) da cidade.

No play acima, o "Tema de Malaika", gravação de ensaio em um estúdio no Bixiga. A banda, juntando só gente legal que você já viu por aí tocando com Rockers Control, Projeto Coisa Fina, Som da Selva, Projeto Nave, Otis Trio, Clube do Balanço, Anelis Assumpção, Leo Cavalcanti:

Décio 7 - bateria
Rômulo Nardes - percussão
Buda - baixo
Cris Scabello - guitarra
Mauricio Fleury - guitarra, piano, órgão
Cuca - sax barítono, flauta
Tiquinho - trombone
Daniel Nogueira - sax tenor, flauta
Daniel Gralha - trompete

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Invisto nas ações do prazer







Tamo no auge: Banda Tono, Pop Rio, nessa nova tradição de Do Amor, Lettuce, +2, Silvia Machete, Rubinho Jacobina. Mas o Tono é... diferente. Rafael Rocha na bateria e voz, Bem Gil na guitarra, Bruno Di Lullo no baixo, Ana Cláudia na voz e metalofone, Leandro Floresta na flauta e synth, deliberadamente inventando seu pop, com uma certa mistura encantada de estranheza e charme, letras, melodias, desenvolvimentos, dinâmicas, idéias um pouco mais sem explicação, desviando o olhar e acertando o alvo, cara séria no humor e graça nas emoções. Sonoridade irrestrita, ritmos e musicalidade a granel, com um achado de som todo próprio, bonito, esperto. O primeiro disco, Auge, veio em 2009, o novo já encaminhado pra sair.

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só porque eu quis casar



Em versão quintal, muito à vontade, Bárbara Eugênia canta "A Chave", com Junior Boca, Demétrius Carvalho, Felipe Maia e Dustan Gallas, banda classe A. Música dela, vídeo do Música de Bolso. Outro disco bem massa que vem por aí: com sua voz rouca e suas músicas espertas, Bárbara esbanja um charme próprio como compositora e cantora, como prova o play acima.

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vai ser melhor quando te conhecer



A boa notícia é que o disco é tudo isso mesmo: 100%, nota 10, cinco de cinco estrelas. Gravado em tempo recorde nos estúdios da YB, com lançamento marcado pro fim de maio no Auditório Ibirapuera, chegando da fábrica logo mais. Onze faixas, bom do começo ao fim, só músicas ótimas e as dinâmicas da banda perfeita de Gustavo Ruiz na produção e guitarra, Márcio Arantes no baixo, Duani na bateria, Dudu Tsuda nos pianos e teclados, mais participações de improviso e coração de Kassin, Stéphane San Juan, Donatinho, Zé Pi, o backing das Negresko Sis de Thalma, Anelis e Céu. E as canções, as letras, as melodias, a voz de Tulipa. Ah, a voz de Tulipa.

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Eu menti pra você



Já tá na rua o primeiro Disco do Ano de 2010 - aliás, já segunda prensagem.

Dia 27, lançamento na choperia do Pompéia, let's?

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Baptista Virou Máquina




Varadouro era só o começo. Pra fazer o primeiro disco, agora valendo (e com apoio do mesmo Pixinguinha que bancou o Uhuuu!), os caras do Burro Morto largaram todas aquelas músicas e começaram de novo, só pela onda. Se trancaram no estúdio deles mesmo em João Pessoa, Mutuca, e deu em Baptista Virou Máquina, o álbum. Não demora chega no mundo.

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Amplitude Modulada



Boa parte de 2009 passei pela rua Cenno Sbrighi, Fundação Padre Anchieta, Rádio Cultura Am, desenvolvendo alguns projetos que começam a se realizar por agora em diante - como o novo site (tocado pelo ótimo Ricardo Tacioli, do Gafieiras et cetera) e a nova programação, que debutou hoje e revela algumas boas surpresas até o fim da semana. //

E como o programa Cultura Livre, ao vivo, diário, apresentado por Roberta Martinelli e com muito de si para gente nova que vale a pena, como Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Bruno Morais, Karina Buhr, Leo Cavalcanti, Blubell, Romulo Fróes, Projeto Coisa Fina, Bárbara Eugênia, Radiola Urbana e várias turmas.

Já sigo por novos projetos e só participo como ouvinte e amigo informal, mas boto fé que vai longe e legal.

A partir de hoje e todos os dias, 14h, nos 1200 kHz da amplitude modulada e por aqui.

(a foto eu peguei aqui.)

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crise day by day



E a nova obra-prima do Jupiter Maçã, "Rio de Janeiro Glamour Again Blues"? // Novíssima, provavelmente pro próximo disco e já nos shows, com Dustan Gallas, Felipe Maia, Astronauta Pingüim, Thunderbird. No vídeo aí em cima, filmado no começo do mês, ainda vem de bônus versão incrível d'"A Marchinha Psicótica do Dr Soup".

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quero inventar um você para mim



Tulipa Ruiz faz parecer fácil cantar bem como ela canta, compor com criatividade e sensibilidade como ela compõe, ser legal e ter bom gosto como ela é e tem. Dona do agudo mais charmoso de São Paulo, cantando com naturalidade e exatidão suas músicas de deixar o coração leve, ela anda espalhando canções e vozes com calma, em discos de amigos e shows como o que ela faz hoje, no Prata da Casa, no Sesc Pompéia, com Duani, Márcio Arantes, Gustavo Ruiz, Dudu Tsuda e Chagas. É aparecer pra ver tudo que a música brasileira é - e ainda pode ser - em 2009.

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a vontade é um chão gelado sob os pés



Bruno Morais, de voz calma e jeitos sutis, vinha dizendo há tempos que andava fazendo um disco. Botava fé, mas caí pra trás quando ouvi A Vontade Superstar, álbum impecável na sutileza, criatividade e elegância - nas canções, interpretações, arranjos e visual. Com suas melodias e letras cheias de delicadeza, acompanhado de gente como Guizado, Marcelo Jeneci, Ricardo Prado, Gui Kastrup, Régis Damasceno, Bel Bluebell, Mauricio Fleury, Bruno cria mundos e conta histórias pra falar do amor e do fantástico.

Cantando perto do microfone, fez um headphone masterpiece de dar gosto, cheio de pequenos detalhes nas mixagens e vários instrumentos legais, banjo, juno, wurlitzer, clavinete, casiotone, tuba, bombardino, passos, coros e sons de toda sorte. Cruzando referências, com ajuda de alguns amigos gringos e a turma de músicos mais legal de São Paulo dos últimos tempos, Bruno canta umas canções suas lindas, como "Bombeiro Vermelho" e "A Vontade", e reinventa coisas como "Pode Sorrir", do Nelson Cavaquinho.

Tudo cheio de arranjos engenhosos, como em "Planos", as baterias e baixos do XXXChange (do Spank Rock) entregando aos poucos o dub por baixo e as cornetas do Tony Chang (do Fat Freddys Drop) brincando por cima. Ou os beats antisamba (do Vitamin D) que levam a versão ao mesmo tempo desconstruída e respeitosa de um velho samba filosófico do Alvaiade, "O Mundo é Assim". Mais a guitarra fuzz (do Régis) e o clavinete psicodélico (do Jeneci) do infalível tiro-e-queda bom pra tosse plano: "Continuar". E só com coração de gelo pra não arrepiar com "Hoje eu vou te acordar" (parceria com o Romulo, baideuêi).

Disco tranqüilo e seguro, de colocar o tempo no ritmo certo. Produzido pelo próprio Bruno com Gui Kastrup (que produziu também o sensacional disco da Andreia Dias), com encarte e capa com ilustras lindas do Marcelo Cipis e montagem do sempre genial Rodrigo Sommer - de fazer lembrar a graça de ter um CD na mão -, A Vontade Superstar é um álbum para quem sabe escutar, suave e cheio de camadas.

(Aliás, mais um da safra da YB, arrasando - ano passado com Turbo Trio e Curumin, esse ano já com o disco do Romulo na rua, Lulina e Nina Becker por sair.)

Bruno faz show de lançamento quinta, no Sesc Pompéia (onde mais?), e o disco, é só querer.

(foto daqui.)

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fumando mil cigarros, bebendo coca-cola, por aí



Bárbara Eugênia tem cantado com o 3 na Massa e em 2008 começou a formatar seu trabalho solo. Ela estreou no Cedo e Sentado quando eu ainda era curador, em setembro, depois tocou mais algumas vezes no projeto. Agora, enquanto vai gravando seu disco, faz um show "oficial" no Studio SP hoje.

Nem tanto indie, longe da MPB, Bárbara inventa para si uma cena e cria em um universo próprio, cheio de canções simpáticas e maliciosamente ingênuas. Com charme de boneca no palco, suas músicas têm gosto pop, leve e elegante, entre tropicalismos indie e nonchalance francesa. Com ela, tocam o Boca e o Dustan, então de saída a parada já é muito boa.

Enquanto ninguém joga um vídeo do show solo dela no YouTube, saca aí em cima ela cantando Chez le ye ye (do maravilhoso Gainsbourg Confidentiel), no bistrô do Edgard Scandurra, em tributo aos 80 anos do Serge Gainsbourg organizado pelo anfitrião. (Show, aliás, que eu tentei levar pro Cedo e Sentado, mas infelizmente não rolou.)

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é um direito que me assiste

A Andreia Dias recentemente fez uma turnê ali pela Europa, no embalo do Womex. Num pico em Paris, aproveitou pra lançar música nova, mais uma de boa safra, mesmo esquema delicioso de pop desavergonhado e língua-na-bochecha:



hoje eu acordei tão triste
mas é um direito que me asiste

hoje eu acordei tão só
tava me sentindo o pó da rabiola

hoje eu acordei tão tarde
é uma preguiça que me invade

hoje eu acordei borocoxó
tava sem vontade
de chutar o balde

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Ocupado Como Gado Com Nada Pra Fazer




Você ouviu Ocupado Como Gado Com Nada Pra Fazer, EP de 2008 do Takara?

Os discos anteriores deles já eram bem massa, mas esse veio com um groove novo, o lado eletrônico mais orgânico, o lado orgânico mais natural, os sons improvisados e marcados se encontrando tão naturalmente quanto os vocais e loops. Lembro bem que o show dele no Cedo & Sentado, em julho, foi dos melhores - do Cedo e dele.

Aí em cima tem duas músicas do EP - lançado só em vinil e mp3 -, com umas imagens muito massa do Luciano Valério, que faz vários vídeos legais de vários sons legais e toca a Desmonta. A de cima é "Parado no Farol", a de baixo "Tanto Faz".

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Dançar na chuva quando a chuva vem



Duas vezes no Cedo & Sentado, terça passada no Prata da Casa e hoje no Samba do Berlin, Marcelo Jeneci vai conquistando territórios por São Paulo. Já contei: ele toca ou tocou não há muito com Cidadão Instigado, Andreia Dias, Arnaldo Antunes, Bruna Caram, Chico Cesar, Vanessa da Mata e agora está formatando seu próprio trabalho. Apesar de algumas referências explicitamente brasileiras, o Jeneci tem um senso de pop perfeito à Beatles e Beach Boys que dá uma cor especial pra sua música. Isso somado a um hippiesmo saudável e uma good vibe generalizada, que gera música do bem e com excesso de beleza, chocante pra quem vive imerso demais na era da ironia. "É o que quero que um dia meus filhos acreditem", comentou uma amiga fã de Burial e ficção científica, não sem algum espanto.

Os shows do Jeneci sempre têm uma aura especial, que ele intensifica com meialuzes e almofadas e uma simplicidade que aproxima quem está ouvindo de quem está tocando. O fato dele passear entre piano, acordeão, guitarra e estar acompanhado do Régis tocando violões e baixos, Curumin na bateria, baixo, guitarra e Laura no violoncelo e vozes celestiais faz de tudo ainda um pouco melhor. No topo dos seus 25 anos de idade e o dobro de talento, Jeneci anda ainda um pouco tímido, procurando qual é exatamente seu lugar, mas já tem aquela mágica nas suas melodias, nas harmonias da sua voz com a da Laura, na superbanda-de-dois montada pelo Curumin e pelo Régis.

Com o botão dos anos 70 ligado no máximo, o Jeneci tem muito a ver também com o pessoal do +2, em especial no Sincerely Hot. Não que eu tenha nada a ver com isso, mas Kassin produzindo o disco do Jeneci? Me parece uma boa idéia.


(Foto do Eugênio. Mais aqui.)

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Você escolhe quem?



Karina Buhr estreou e depois fez também seu segundo show solo lá no Cedo e Sentado, a meu convite. O primeiro foi demais, mas o segundo foi inacreditável: das melhores coisas que vi esse ano. Ela faz músicas lindas com clima de sonho e um groove particular, ela fala de coisas lúdicas e canta como quem é livre. Ela já lançou dois discos com a Comadre Fulozinha e agora está gravando seu primeiro solo. Nesse vídeo, do programa da Trama na Cultura, ela canta acompanhada de Fender Rhodes, baixo, bateria e participação do Gui Zado no trompete e pedais.

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