RONALDOEVANGELISTA


bloco de pra



Enquanto Moreno produz disco novo da madrinha Gal Costa, com canções inéditas de seu pai Caetano e a guitarra do parceiro Pedro Sá, e Kassin produz geral (Jeneci e Vanessa da Mata os mais recentes) e prepara segundo disco em grande estilo para 2011, o terceiro elemento do +2, Domenico Lancelotti, vem com sua tradicional despretensão abençoada e talento tranquilo: sai em pouco Cine Privê, seu disco novo, pela gravadora Coqueiro Verde, cheio de canções espertas e sons legais. Só pra entrar no clima mas manter o suspense, acima "Comigo", do clássico discreto Sincerely Hot, em momento bis do show de pré-lançamento do disco, terça passada no Rio.

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Invisto nas ações do prazer







Tamo no auge: Banda Tono, Pop Rio, nessa nova tradição de Do Amor, Lettuce, +2, Silvia Machete, Rubinho Jacobina. Mas o Tono é... diferente. Rafael Rocha na bateria e voz, Bem Gil na guitarra, Bruno Di Lullo no baixo, Ana Cláudia na voz e metalofone, Leandro Floresta na flauta e synth, deliberadamente inventando seu pop, com uma certa mistura encantada de estranheza e charme, letras, melodias, desenvolvimentos, dinâmicas, idéias um pouco mais sem explicação, desviando o olhar e acertando o alvo, cara séria no humor e graça nas emoções. Sonoridade irrestrita, ritmos e musicalidade a granel, com um achado de som todo próprio, bonito, esperto. O primeiro disco, Auge, veio em 2009, o novo já encaminhado pra sair.

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vermelho e azul




Aproveitei o sábado passado em Copacabana e peguei o show da Nina Becker no lindo espaço arena do Sesc Copa, lançamento dos discos Azul e Vermelho. Só pra mostrar como foi legal, dois momentos: "Estrada do Sol", Dolores Duran e Tom Jobim, e "Samba Jambo", Jorge Mautner e Nelson Jacobina; no caso com o próprio, solo emocionante.

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A pino



Bem massa o disco novo do +2, trilha do Grupo Corpo, hein?

Claro que não ia ser como esperávamos e claro que ia ser legal: depois dos discos individuais de Moreno, Domenico e Kassin, o primeiro e último álbum do trio como líder de si mesmo vem com tudo ao mesmo tempo agora dos discos anteriores, clima instrumental, vários temas bonitos e sonoridade incansavelmente criativa. Como de hábito, falam baixo pra dizer muito e vêm de mansinho pra fazer grandes sons. "Percepção" (do Moreno), "Sopro" (do Domenico)... - só músicas que seqüestram a atenção e exigem ser ouvidas de novo.

Tipo "Sol A Pino", afrobeat chinfra do Kassin:

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Precisamos de canções e amigos



Em 1970 Rita Lee, então ainda membro dos Mutantes, gravou seu primeiro disco solo: Build Up. Com produção do Arnaldo Baptista, arranjos de orquestra do Rogério Duprat, guitarra do Lanny Gordin e um punhado de canções que balançavam entre a ingenuidade marota dos Mutantes e impulsos de uma jovem Rita virando mulher e artista, o disco é o favorito da Rita de muitas pessoas de bom gosto, tipo eu. E tipo a Nina Becker. Quando descobri que ela era a maior fã do mundo do disco, a convidei na hora: que tal fazer um show especial tocando o álbum inteiro no Cedo & Sentado? Ela se animou e pronto: quarta que vem, dia 29, de graça, Nina Becker cantando o Build Up, acompanhada do Do Amor. Demais, hein?

Pra ir esquentando, fiz cinco perguntas pra Nina sobre o disco:

O que o Build Up tem de especial?

Tem tudo o que eu gosto junto: cordas, metais, guitarras com efeitos, tango, deboche, coisas lindas e profundas, coisas quase debilóides geniais, como a música cuja letra é uma receita de macarrão à bolonhesa, tem a Rita, que é linda e está cantando de um jeito diferente, o Lanny Gordin, o Rogério Duprat, tem enigmas de mixagem... são muitos itens especiais! Por isso não vou me estender demais.

Você se lembra da primeira vez que ouviu o disco? Foi amor à primeira audição?

Ouvi tanto e desde tão pequena que nem me lembro quando foi. Fiquei um tempão sem ouvir e depois redescobri na adolescência. Das memórias que eu tenho, eu já sabia quase todas as letras e achava que ser cantora devia ser a coisa mais divertida do mundo por causa desse disco. Vai ver que foi por isso...

Você já cantou "Calma" para algum ex-amor, num vai e vem, ida e vinda?*

Não cantei, mas devia. Teria sido tudo bem melhor e mais bonito!

Como serão as versões do show? Os meninos seguiram os arranjos originais ou vocês inventaram surpresas?

Algumas músicas pedem fidelidade, outras dão espaço para uma abertura, para colocarmos a nossa cara no jeito da música ser tocada, até porque somos cinco e não tocamos violinos, metais e hammonds. Quisemos ser autosuficientes e fiéis à nossa formação.

Você está terminando de gravar seu disco novo - discos novos, na verdade, já que serão dois. Alguma influência direta da Rita e do Build Up neles?

Influência total e completa. Realmente acho que talvez o fato de eu agora ser cantora tenha a ver com a impressão que esse disco me passou de que música é algo muito divertido de se fazer. A Rita sempre foi um ícone pra mim, uma mistura de rock n´roll com elegância. E eu, que sempre fui branquinha e sardenta, não muito tropical, acho que desde pequena queria ser que nem ela quando virasse gente grande... Aliás, na quarta-feira que vem será a minha primeira tentativa, espero que ela não fique brava comigo!


(*pergunta especialmente encomendada por Dani Arrais, gentilmente cedida por Don't Touch My Moleskine Corps.)

*

Flyer lindo demais da Jana Pinho.

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Transamba


Já ouviu direito as novas do Caetano? Pode baixar todas aqui, com áudio bem decente, tirado dos shows Obra em Progresso. De nada.

Antes que você pergunte, as músicas são ótimas e os arranjos melhores ainda. Que me desculpem os orgulhosos de seu próprio preconceito, mas o Caetano é foda - e a safra anos 00 dele tá bem acima da média de qualquer outro músico pop sexagenário. Caetano nem passava por uma fase especialmente ruim (como passam há tanto tempo tantos de seus contemporâneos), mas o foi realmente uma pedra-de-toque não só na sua carreira mas na música brasileira feita por jovens e nem tão jovens.

A julgar pelos primeiros esboços que surgem para o próximo álbum, as composições continuam seguindo o mesmo espírito de rejuvenescimento de idéias e temas e abordagens e a sonoridade da recém-batizada Banda Cê continua transbordando de idéias que deixam cada música melhor. Vale lembrar: Banda Cê é formada por Pedro Sá mais Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes - todos inseridos no melhor do melhor da cena Pop Rio: o primeiro até outro dia membro efetivado do +2 e os dois últimos metade do Do Amor.

As músicas:

01 Sem cais
02 Por quem?
03 Falso Leblon
04 Perdeu
05 Tarado ni você
06 A cor amarela (com Davi Moraes)
07 Base de Guantánamo
08 Amor mais que discreto
09 Incompatibilidade de gênios
10 You don't know me (com Karina Zeviani)

Aqui.

São sete inéditas, mais "Amor mais que discreto" (lançada no Cê ao vivo), uma versão de João Bosco e "You don't know me", do Transa. Tudo tirado daqui e daqui.

"Sem cais" é parceria com Pedro Sá, levada por uma guitarra sensa. "Por quem?" é bonita e em falsete, a "Não me arrependo" 2.0. "Falso Leblon" tem toda a sonoridade da Banda Cê, mas já cai um pouquinho mais pro samba. A letra é meio tiozão Sukita - mas divertida também por isso. "Perdeu" tem ritmo quebrado, Rhodes e paradinha, das melhores. "Tarado ni você", título nonsense e tudo, é ótima e tem Pedro Sá pagando de guitar hero em solo distorcido. "A cor amarela" é Caetano brincando com o axé como se fosse membro do Do Amor. "Base de Guantánamo" é "Fora da Ordem" 2.0 com backing vocais meio Ween. "Amor mais que discreto" passa longe da beleza da sua inspiração, "Ilusão à tôa", mas cria curiosa conexão entre a homossexualidade quase-nunca-comentada de Johnny Alf e a tão falada suposta bissexualidade de Caetano. "Incompatibilidade de gênios" é o Caetano buscando idéias no João Bosco (& Aldir Blanc) dos anos 70, colocando-as na roda e observando as faíscas que surgem. A banda segue em arranjo tenso, pouco melódico, mas interessante. E "You don't know me" é das obras-primas de Caetano, recuperado do Transa e com o trio que hoje acompanha Caetano provando que são as pessoas certas no lugar certo na hora certa.

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Rotating auteur theory

O Pitchfork, também conhecido como O Site Mais Indie do Mundo, publicou hoje uma resenha do "Futurismo", disco do ano passado do Kassin com o +2, que saiu agora nos States pela Luaka Bop:

No, this isn't your father's Brazilian pop, not even if your father is the famously freewheeling Caetano Veloso.


Quando o disco saiu aqui eu também escrevi uma resenha, pra Folha:

Brincando com suas próprias referências, criando arranjos simples mas recheados de pequenas surpresas, com letras sobre um mundo mais tranqüilo, calmo e devagar, o título do álbum é acertado, mas obviamente não se sustenta sem ironia. O futurismo de Kassin é um futurismo retrô, como o próprio movimento artístico que lhe dá nome, como se ele estivesse buscando no passado o ponto em que a música começou a se tornar menos interessante e dali retomou o caminho, criando um futuro alternativo em que a música pode realmente existir sendo criativa, divertida e inteligente como a sua.

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Levo a vida tranqüilo

Eles recuperam o tempo em que os artistas tinham tempo de se encontrar e conversar sobre todos os assuntos. Eles gostam de falar de poesia e filosofia e deixar as idéias virarem música. Existe uma confraternização, uma amizade, que é uma utopia, mas uma utopia que vai se formando na realidade. E que se realiza no humor e na celebração da vida.

Mautner, falando do Kassin e da turma Pop Rio, quando conversei com ele para essa matéria na Folha. Lição de vida.

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Hora boa é sempre hora de voltar



Mais um da turma do Rio: Alvinho Lancellotti, irmão do Domenico e membro do Fino Coletivo. O disco dele, "Mar Aberto", já saiu, dentro do projeto Abacateiro, produzido pelo Domenico e gravado ao vivo com Dadi, Domenico e o outro Alvinho, Cabral, colega do Fino Coletivo.

Escreve Domenico:

Quando Pierre Aderne me telefonou tentando explicar sua idéia de selo-cooperativa, criando a (até então improvável) possibilidade de gravar um disco, lançá-lo e distribuí-lo pelo Brasil sem nenhum capital inicial, envolvendo todos os profissionais - desde músicos, capistas, advogados, assessores de imprensa - numa parceria, isso me trouxe um entusiasmo e uma alegria. Na mesma hora pensei no Alvinho, suas muitas músicas inéditas, feitas com as pessoas do Fino Coletivo - sua banda, comigo, com Roque Ferreira, com nosso pai, sambas de roda, sambas, funks, afoxés etc... Pensava como seria bom gravá-las com uma formação de 2 percussionistas de terreiro, congas, atabaques e cincerros tocados por Zero Telles e Stephane San Juan, Sir Dadi no baixo e Alvinho Cabral (também integrante do Fino Coletivo) no violão eletroacústico, além de mim na MPC-1000.

Vou te jogar no oceano.

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