RONALDOEVANGELISTA


Nunca houve mulher como ela


Depois de anos paquerando-a de longe, assisti essa semana pela primeira vez Gilda. Tenho certeza que certas coisas só vou pegar na segunda assistida, mas já foi uma experiência enorme. Os roteiros, os diálogos, as músicas, os cigarros, as coreografias, os figurinos, os planos, a fotografia, o preto&branco, as atuações dos filmes dessa época do cinema americano são de criar complexos de inferioridade em qualquer cineasta de hoje em dia. O filme é tão perfeito e redondo que não vale a pena enumerar frases, situações ou olhares - é preciso ver pra crer.

A primeira aparição de Rita Hayworth na tela já é fashionably late, depois de considerável desenvolvimento da trama, e milimetricamente planejada - e executada - para desarmar qualquer um que duvide do poder sexual do vulcão que é Gilda, jogando os cabelos, com seus ombros de fora e o sorriso mais convidativo do mundo:



Claro, é um filme sobre a femme fatale definitiva, em 1946, então é preciso relevar os valores morais e sexuais bastante dúbios que transbordam nas intenções e pensamentos dos personagens e de seu público, mas isso é pequeno - e, na verdade, fascinante.

Tudo que parece machista e talvez até simplista nos elogios e condenações da personalidade da indomável Gilda se revela até ousado pros valores de hoje. Ela dá pra Deus e o mundo (ou dá mesmo?) e leva até tapa na cara do seu bofe quando é soltinha demais. Mas, na hora da conclusão dela própria, o raciocínio é puramente igualitário: "Isn't it wonderful? Nobody has to apologize, because we were both stinkers, weren't we?"

O argumento, como em tantos grandes filmes, soa quase irrelevante, apenas uma desculpa para te manter naquele universo, com aquelas pessoas: envolve um trambiqueiro, um cassino clandestino em Buenos Aires, monopólio de tungstênio, uma bengala assassina e muitas, muitas situações envolvendo Gilda, seu marido, o amor da sua vida e algum terceiro homem.

E na - claro que teríamos uma! - seqüência apoteótica de canto e dança de Gilda (cantando a inacreditavelmente irônica, esperta, divertida e sexy Put the Blame on Mame), outra surpresa: um strip-tease. Mas não um qualquer, o strip-tease mais sexy de todos os tempos e também o mais econômico: uma luva.



Não se fazem mais filmes assim, nem mais mulheres como Gilda. Aliás, nunca fizeram: definitivamente, nunca houve nem antes nem depois mulher como ela. E, além da Gilda ser impressionante, a Rita Hayworth não é menos apaixonante. "Todos os homens que conheci foram pra cama com a Gilda e acordaram comigo", já disse ela certa vez.

Ah, Rita, eu adoraria ir pra cama com a Gilda, mas não seria nada mal acordar com você.

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7 Responses to “Nunca houve mulher como ela”

  1. # Blogger Beatriz Antunes

    Uou!  

  2. # Blogger Camila Alam

    Este comentário foi removido pelo autor.  

  3. # Blogger Camila Alam

    Assiti Gilda pela primeira vez em um desses Corujões da Globo. E mesmo lá pelas tantas da matina, não conseguia pregar os olhos. Ela hipnotizava...  

  4. # Blogger Daniela Arrais

    diva!  

  5. # Blogger Ulysses Dutra

    Assino embaixo de sua última frase :)

    abrazzzzzz  

  6. # Blogger Paulo Terron

    vai lá, Ronaldão!

    http://www.youtube.com/watch?v=ATeCNIzx_4w  

  7. # Blogger leontjr

    margarita cansino rules!!!!!  

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