melhor performance nacional
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 10 de janeiro de 2011 at 2:07 PM.
Pessoal do Guia me pediu uma lista do que de mais legal vi em shows nacionais no ano. Acima como impresso, abaixo director's cut.
01) Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz (Sesc Pinheiros, agosto de 2010)
Música elevada de atabaque e sopros, jazz e terreiro, passado e futuro.
02) Tulipa Ruiz (Auditório Ibirapuera, maio de 2010)
Voz encantada em show lotado - de público, talento e carisma.
03) Bixiga 70 (Prédio do Antigo Masp, novembro de 2010)
Afrobeat made in SP, cruzando Fela Kuti e temas afrobrasileiros.
04) Nina Becker (Sesc Copacabana, agosto de 2010)
Jogo de cena em azul e vermelho, teatro de arena, versões de Obina Shock e Tom Jobim.
05) Jeneci (Sesc Vila Mariana, novembro de 2010)
Arthur Verocai de batuta e orquestra, grande banda e lançamento tão caprichoso quanto disco.
Marcadores: Bixiga 70, FSP, Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz, Top2010, Tulipa Ruiz
Rum, rumpi, lé, jazz
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 6 de agosto de 2010 at 3:46 PM.
O grande Letieres Leite aparece com sua poderosa orquestra afro-baiana Rumpilezz em São Paulo esse final de semana: dois shows no Sesc Pinheiros, participação de Ed Motta. Se preciso avisar que é imperdível, é porque você ainda não tá ligado.
Começo do ano conversei com Letieres e escrevi matéria pra Folha, comentando o álbum, capa no play acima:
Na linha de frente, cinco músicos de terno branco, tocando percussões típicas afro-baianas, como os atabaques rum, rumpi e lé. Logo atrás, em formação semicircular, outros 15 instrumentistas, tocando diferentes sopros, de chinelos, bermudas e regatas.
A inversão de hierarquia vem também no som: no centro das músicas estão desenhos rítmicos da música ancestral da Bahia com influência africana, envolvidos por camada jazzística de sofisticados arranjos de trompetes, trombones, saxes, tuba.
É a Orkestra Rumpilezz, do maestro, compositor e saxofonista Letieres Leite, que lançou há pouco o primeiro disco, homônimo, pela gravadora Biscoito Fino.
Formada em 2006, em Salvador, a orquestra foi a realização das ideias esboçadas por Letieres nos anos 80, quando estudava em conservatório em Viena e teve o estalo de criar a partir do universo percussivo baiano.
"Busquei a música sacra do candomblé como recurso criativo para a música instrumental", explica ele. "Percebi que as estruturas rítmicas da música afro-baiana estavam extremamente organizadas, mas não de modo formal, dentro da academia. Tudo foi preservado nas esquinas, nas ruas de Salvador, nos terreiros de candomblé."
Letieres passou a criar, a partir desse ponto central, composições nascendo do encontro com as matrizes africanas e com as particularidades das culturas de tribos que vieram parar aqui na escravidão. Um universo rítmico que existe na cultura afro-baiana soteropolitana, segundo ele. Em Caetano, Gil, Carlinhos Brown, Olodum, Ivete Sangalo.
Letieres sabe: há anos é saxofonista e arranjador da banda de Ivete.
Mas a Rumpilezz existe num universo paralelo, instrumental, com percussões baianas típicas e harmonias notadas por sopros, cada naipe ligado a um tambor. Influência do jazz? Claro, mas não só -há muito improviso, mas também composições inteiras pela pauta.
O trabalho de arranjador não se esconde: ele ouviu muito Moacir Santos, Gil Evans e Sun Ra, admite. Mas se é para reconhecer um nome no jazz, é John Coltrane. "Ele foi quem mais escutei", conta. "Me influencia não só pelo lado musical. Sempre gostei de como usava recursos, a Cabala, "A Love Supreme", a busca espiritual."
Busca espiritual que encontra paralelo na relação com o candomblé? "Sou simpatizante da religião, mas a Rumpilezz não é culto, não é chamamento, é estritamente musical", separa. "Ainda assim, a força dessa música é clara. Como compositor, quero tocar o coração das pessoas. Todo mundo quando toca busca mágica na música."
Começo do ano conversei com Letieres e escrevi matéria pra Folha, comentando o álbum, capa no play acima:
Na linha de frente, cinco músicos de terno branco, tocando percussões típicas afro-baianas, como os atabaques rum, rumpi e lé. Logo atrás, em formação semicircular, outros 15 instrumentistas, tocando diferentes sopros, de chinelos, bermudas e regatas.
A inversão de hierarquia vem também no som: no centro das músicas estão desenhos rítmicos da música ancestral da Bahia com influência africana, envolvidos por camada jazzística de sofisticados arranjos de trompetes, trombones, saxes, tuba.
É a Orkestra Rumpilezz, do maestro, compositor e saxofonista Letieres Leite, que lançou há pouco o primeiro disco, homônimo, pela gravadora Biscoito Fino.
Formada em 2006, em Salvador, a orquestra foi a realização das ideias esboçadas por Letieres nos anos 80, quando estudava em conservatório em Viena e teve o estalo de criar a partir do universo percussivo baiano.
"Busquei a música sacra do candomblé como recurso criativo para a música instrumental", explica ele. "Percebi que as estruturas rítmicas da música afro-baiana estavam extremamente organizadas, mas não de modo formal, dentro da academia. Tudo foi preservado nas esquinas, nas ruas de Salvador, nos terreiros de candomblé."
Letieres passou a criar, a partir desse ponto central, composições nascendo do encontro com as matrizes africanas e com as particularidades das culturas de tribos que vieram parar aqui na escravidão. Um universo rítmico que existe na cultura afro-baiana soteropolitana, segundo ele. Em Caetano, Gil, Carlinhos Brown, Olodum, Ivete Sangalo.
Letieres sabe: há anos é saxofonista e arranjador da banda de Ivete.
Mas a Rumpilezz existe num universo paralelo, instrumental, com percussões baianas típicas e harmonias notadas por sopros, cada naipe ligado a um tambor. Influência do jazz? Claro, mas não só -há muito improviso, mas também composições inteiras pela pauta.
O trabalho de arranjador não se esconde: ele ouviu muito Moacir Santos, Gil Evans e Sun Ra, admite. Mas se é para reconhecer um nome no jazz, é John Coltrane. "Ele foi quem mais escutei", conta. "Me influencia não só pelo lado musical. Sempre gostei de como usava recursos, a Cabala, "A Love Supreme", a busca espiritual."
Busca espiritual que encontra paralelo na relação com o candomblé? "Sou simpatizante da religião, mas a Rumpilezz não é culto, não é chamamento, é estritamente musical", separa. "Ainda assim, a força dessa música é clara. Como compositor, quero tocar o coração das pessoas. Todo mundo quando toca busca mágica na música."
Marcadores: Afrika10, Evangelista Jornalista, John Coltrane, Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz, Vamo?
Caminhos abertos
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 30 de outubro de 2009 at 8:57 PM.Olodum com Gil Evans? Moacir Santos com Sun Ra? Impressionante o trabalho afro-jazz do maestro Letieres Leite, sensacionais os ritmos e arranjos de sopro da Orkestra Rumpilezz. // Acima ensaio e momento ao vivo. Esse fim de semana, direto de Salvador, shows no teatro do Sesc Vila Mariana.
Marcadores: Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz, Vamo?