prisma harmônico
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on domingo, 5 de dezembro de 2010 at 11:49 AM.
No jazz o pianista quando faz o acompanhamento, nunca toca os acordes marcando os tempos: o pianista de jazz fica cercando o solista naquele prisma harmônico da música, apenas nas passagens necessárias. A música é que orienta a ele, e ele, por sua vez, ajuda harmonicamente o solista. Não há uma marcação certa, regular, mas uma espontaneidade rítmica do pianista em função da harmonia. A batida da Bossa Nova tem justamente um pouco disso porque no caso de um cantor que se apresenta só com violão, ele se utiliza do instrumento como um cerco para suz voz, como o pianista e o solista de jazz. E assim a marcação em contratempo resulta num balanço diferente. Esse balanço não havia na música tradicional que era muito mais pesada. O sincopado da Bossa Nova deu uma espécie de identidade ao movimento.
Eu pude explicar facilmente porque esse cerco era uma coisa que eu fazia: eu tinha justamente mania de harmonizar e me acompanhar não marcando. O João Gilberto ia muito à Cantina do César de Alencar e ficava horas e horas do meu lado, me vendo tocar e se entusiasmava com o meu modo de acompanhar, isso eu me lembro bem. Cantando ele já tinha uma divisão bem afastada do habitual e eu me sentia muito bem acompanhando ele, principalmente harmonicamente: o que eu fizesse, não tinha problema. Dessa intimidade, pode ter se dado alguma idéia.
Há muitas músicas inéditas minhas que ele sabe.
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TRIO SURDINA
2 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 8 de novembro de 2010 at 1:47 AM.
A emissão suave, a pronúncia coloquial, a sensação de perto do ouvido, a leveza e atualidade do som, o arranjo com poucos instrumentos e muitas dinâmicas. Quase dois anos antes de Chet Baker começar a cantar, pelo menos cinco antes de João Gilberto lançar sua batida cristalizada de violão-e-voz, doze depois do encontro de Django Reinhardt e Stephane Grappelli no Hot Club da França, o Trio Surdina vivia seu momento cheio de revoluções silenciosas: o violinista (e vocalista e assobiador) Fafá Lemos, o violonista Garoto e o sanfoneiro Chiquinho do Acordeom, músicos e estrelas da Rádio Nacional e em suas próprias carreiras.

Em quatro sessões entre os últimos dias de 1952 e os primeiros de 1953, nos estúdios da própria Nacional, o trio gravou um punhado de músicas com concepção assombrosamente moderna, arranjos de tirar o fôlego, malandragem, senso de humor e romantismo e criação em processo máximo de inventividade, unindo características muito particulares e complementares de cada músico. Um violinista assobiador cantando como João Gilberto seis anos antes da Bossa Nova? Um violonista com tanta clareza de toque e evolução de idéias? Um acordeão criando esses sons inéditos e em fusão com os outros instrumentos? Um trio inspirado em jazz e samba de breque? O nome perfeito, cheio de sentidos adequados, vinha do programa em que os três se encontravam com frequência e sucesso no formato: Música em Surdina, de Paulo Tapajós, circa 1952. Os Três Mosqueteiros da Bossa era um dos epítetos delegados a eles no ar em suas condições de ases e modernistas.

Fafá vindo do sucesso nacional de "Vingança", de Lupicínio Rodrigues, na voz de Linda Batista e com seu violino, e já às vésperas de ir aos Estados Unidos tocar com Carmen Miranda e gravar seu primeiro disco - com orquestra e clima Exótica, contemporâneo de Les Baxter e precursor de Martin Denny e Esquivel. Garoto, já revolucionário do choro, paradigma do seu instrumento, ousando nos acordes, invertendo ritmos, inventando andamentos, brincando com bordões e dedilhados. Chiquinho soando seu acordeão como órgão ou palheta, piano ou orquestra, fazendo cama ou solando, segurando ou soltando o groove, dialogando no registro agudo com o violino ou criando riffs em uníssono com o violão, lírico e criativo.

Os três juntos, em melhores momentos e disposições, alimentando-se da criatividade extra necessária para um trio de violino-violão-acordeão criar e preencher sons e espaços e o inevitável senso de diversão despretensiosa que nasce como consequência. Tangos, foxes, beguines, baiões em pegada entre o improviso do jazz de salão e a roda de morro. O samba de bossa de Noel Rosa, a beleza de Dorival Caymmi, a aristocracia de Ary Barroso. O arrepiante violão de Garoto a um passo de João Gilberto e além, os impressionantes timbres do acordeão de Chiquinho e o lindo tratamento das melodias por Fafá, glissandos, rubatos, pizzicatos, vocal ultra-cool e solos de assobio. Vinte e oito músicas, uma hora e vinte minutos preciosos: toda sua obra oficial em três LPs e meio de dez polegadas pela gravadora Musidisc, os dois primeiros, respectivamente, em vinil amarelo e verde.
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João Gilberto et Os Cariocas - Só danço samba
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 1 de novembro de 2010 at 2:21 AM.As harmonias vocais (agudas, graves, abertas, dissonantes) dos Cariocas são chocantes, especialmente sobre a base zen do violão do João (e um breve "vai vai vai vai vai" aos 2m31s), mas a cereja do bolo é a caidinha que João dá com a voz aos 36 segundos, de resumir toda sua genialidade em um suspiro - enquanto canta sozinho uma vez antes do grupo vocal entrar rasgando. Gravado para a bande originale do filme Copacabana Palace e só lançado em um EP (ou "compacto duplo") na França, 1962.


[via Loronix]
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Gilbertália
2 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 20 de setembro de 2010 at 11:25 AM.
Maior legal esse Expresso 2222, coletânea de textos centrada no Gil (já na capa de tranças e atrás de um piano elétrico desfocado), mais ou menos no molde em que o poeta Waly Salomão organizou, pela editora Pedra Q Ronca, a Caetanave Alegria, Alegria. // Abaixo, só um trecho de entrevista a Vicente Tardin, Alfredo Herkenhoff e Paulo Macedo, em 1978, com Gil comentando Cassiano ("entre João Donato e João Gilberto"), explicando a cena Black Rio e a estética negro é lindo, contando que descobriu Bob Marley pela Melody Maker e considerando os sincronismos espaço-culturais, coincidências de necessidade histórica.
Voltando à música, muita gente tem falado - Caetano e Gal Costa, inclusive - de uma certa renovação na música brasileira por parte de Cassiano, que seria um compositor black, na falta de outra definição.
Eu falo também. Adoro. Assim como João Gilberto, Cassiano é um artista importante pela sua reclusão, pela sua especificidade e especialidade. É um cara difícil, isso tudo nele é um pouco misterioso e aureolado por uma coisa de grandeza. Sabe que sonha com algo impossível, mas não abre mão desse sonho, de um cantar magnífico.
Ele lembra um pouco o Stevie Wonder.
É claro. Cassiano quer introduzir na alma brasileira o cantar de um pássaro de lá, desse pássaro soul. Tanto que o disco dele chama-se Cuban Soul. Cassiano está João Donato e João Gilberto. É aquele encontro entre o samba de João e a rumba de João Donato, ele quer ser o encontro. Isso sou eu quem digo. Cassiano não deve nem cogitar dessas coisas. Talvez não saiba o que o Donato faz, o João Gilberto com certeza ele sabe. Ele quer trazer esse universo de Caribe e Harlem para a escola de samba, para o Brasil, para o Rio de Janeiro.
É meio impossível, não?
É o sonho. Tanto não é impossível que ele faz as músicas, canta desse jeito e acaba sendo isso, criando uma geração de discípulos como Dafé, Lady Zu, Melodia, tanta gente...
O Luís Melodia também?
É sim, embora também possa nem estar ligado. Tim Maia, Melodia, todo mundo nasce desse inconsciente coletivo do qual Cassiano representa a consciência. São esse tais sincronismos espaço-culturais, históricos. De repente tem sincronia. Eu me lembro de quando o Caetano na época deixou os cabelos crescerem, e passou a assumir todas aquelas atitudes ditas rebeldes, tudo parecia muito com Dylan, Beatles e tudo mais. No entanto, a informação que Caetano tinha desses fenômenos lá fora era muito pouca, era tudo coincidência de necessidade histórica, manifestação, avatarização, você esta entendendo? Coisas assim como por que uma pirâmide no Egito e outra no México? Por que cacau? Essas migrações difíceis da história. A germinação que é feita pelo fluxo das águas e dos raios solares. Por que tem cacau na África? Por que tem essas coisas lá e cá? As tais migrações culturais do planeta. Hoje em dia então, facilitados por todo o jogo de correntes do visual, do auditivo e do psiquismo, né? Mas na época tudo aquilo em Caetano aparecia como reflexo desse sincronismo, contemporaneamente às coisas de lá, com a mesma necessidade da época.
Eu lembro quando trancei o cabelo, há dois anos, eu tinha visto a capa de um disco do Stevie Wonder, onde ele tinha os cabelos trançados de uma maneira muito parecida com o jeito nagô de trançar o cabelo, aquelas coisas da África. Mas eu fiz minhas tranças mais soltas. E eu não sabia de nada. Quando estava em Curitiba, já na excursão dos Doces Bárbaros, uma semana antes de ser preso em Florianópolis, o Chiquinho comprou aquele jornal inglês Melody Maker, que tinha uma reportagem com o Bob Marley. Foi aí que eu fiquei sabendo: eu não conhecia o Bob Marley até então e nem sabia que eles usavam o cabelo daquela forma, os rastas. Então, fiquei pensando: veja que coisa estranha, de repente me dá na cabeça de trançar os cabelos aqui, não sei bem porque, por causa da oportunidade oferecida pelos Doces Bárbaros, um espaço aberto à liberdade de experimentar um tipo ou outro de roupa, coisas deste tipo. E eles lá, começando a fazer sucesso e por acaso usando o cabelo de forma parecida, ou com a mesma intenção lúdica de partir para outro enfoque, buscar uma outra estética pro chamado negro é lindo, por aí. Então essas sincronias no mundo contemporâneo se tornam cada vez mais interessantes porque se dão quase ao mesmo instante em todo lugar. Ao mesmo tempo o inconsciente ainda tem sua atuação. Não é tudo dado pela informação fria e gerada.
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João Gilberto visita Denis Brean
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 15 de setembro de 2010 at 12:31 PM.






João Gilberto, de passagem pelo Brasil e por São Paulo, em julho de 1965, aproveita para dar uma passada na casa do seu amigo, autor de "Bahia com H" (sem nunca ter ido à Bahia), Denis Brean. Só pra ouvir um som, tocar piano e violão, fumar um cachimbo gigante. Pescado desse site old-school dedicado ao Denis Brean, aka Augusto Duarte Ribeiro, meu primo-avô.
Marcadores: Denis Brean, João Gilberto, Mais que mil palavras
João & Astrud Gilberto, 1960
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sábado, 11 de setembro de 2010 at 11:34 AM.






Imagens do fotógrafo Rodolpho, para o jornal Última Hora, janeiro de 1960.
Do Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Marcadores: Arquivo Público do Estado de São Paulo, Astrud Gilberto, João Gilberto, Mais que mil palavras, Última Hora
Getz/Gilberto, por David Drew Zingg
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 23 de abril de 2010 at 5:09 PM.





E já que falamos no Getz/Gilberto, saca as fotos do David Drew Zingg nas sessões de gravação, março de 1963. Daqui.
Marcadores: Antonio Carlos Jobim, Astrud Gilberto, João Gilberto, Mais que mil palavras, Stan Getz

Paul Hindemith often expressed his disbelief in abstraction in music. Music should concern the making of music, not the speculative transcending of its limits. "The ear," he said, "should remain the first and the last court of appeal."
The songs of João Gilberto and Antonio Carlos Jobim came to American like a breath of fresh air. Their music arrived here ate a time when anemia and confusion were becoming noticeable in our music to anyone who knew enough to be concerned. The desperate craze for innovation had been overextending itself. Jazz literature was becoming increasingly pompous, complex and chauvinistic, theorizing and analyzing itself into a knot. Musical groups were disintegrating into an every-man-for-himself egomania. Soloists and sidemen were engaged in endurance tests os repetitious and/or outlandish endeavours. Sometimes they lost the audience. Worse, they often lost musical contact with one another.
A discerning minority of greats and true jazz aficionados everywhere remained in a state of apprehension concerning this questionable trend. Was it inevitable that jazz would lose its initial charm in the process of growing up? Did approaching maturity herald the eventual loss of the refreshing qualities which kept jazz apart from traditional music?
Then came the music of these Brazilians with an impact much the same as the one caused by the child's classic comment in H.C. Anderssen's Emperor and His New Clothes. If nothing else the music world is indebted to them for exposing "the emperor" in all his nakedness.
Thus the ultimate making of this record was inevitable. We discovered an indestructible bond between us. Sebastiao and Milton as well as João and Ton understood little more english than I did portuguese, but it didn't matter. We had the music, the excitement of playing together, and the feeling of mutual respect for one another.
Unpretentiousness, spontaneity and the poetry os honest emotion belong back in jazz. And don't let that gentleness fool you. These guys know how to swing harder than most, and they do it without pushing.
Had this record never been released, the making of it would have been gratification enough.
--STAN GETZ

Peace is a beautiful feeling.
To understand and be understood is a kind of peace.
I find great peace in real communication with another person. Getz is a person I understand, and who understands me even though we speak different languages. I would say that even if we could not exchange a word, the love that we have for music would be enough to make us friends.
Our talks - generally through our wives - are sometimes amusing. I do my best to speak english, and Stan uses all his knowledge of Latin languages: "Diga ao João..." When Stan gives an opinion I often exclaim, "Exactly what I was going to say!" This happened so often one night that I thought to myself, "I had better disagree once in a while or it will sound silly." The truth is that we agree on most everything.
Some years ago when I was young and searching in my country, I knew about Stan though he didn't know about me. I was introduced to his music through Donato, a pianist friend of mine. Time and again we listened to Getz records with stirred emotions.
Despite our good friendship I never forget that Stan Getz is a great artist. There isn't any American whom I'd rather hear playing the music of my country. Jobim said "It's unbelievable the way Getz assimilates the spirit of the Brazilian music!" My good friend Dorival Caymmi, composer of Doralice, will be amazed at the swing and feeling Getz gives his authentic samba, so typical for Bahia.
Ary Barroso wrote the composition P'ra Machucar Meu Coraçao. Barroso is an outstanding figure in the history of Brazilian music. Ary was ill when we recorded this album. I told Getz how happy I thought it would make Ary feel to hear his composition recorded by us. He will not hear it. Today as I write this, I know that he is dead. Now our version will remain as a humble homage to Ary Barroso from myself and from Getz who came to love him through his music without ever having met him.
Finally just a word about Astrud, my wife. She always liked to sing and we often sing together at home. I like the way she sings The Girl from Ipanema. Getz heard her sing it and asked her to record it with us. This is her first recording date, and I am glad she was among friends.
In many ways, then, this is more than a record. It is friendship communicated by music.
--JOÃO GILBERTO

O primeiro sax-tenor dos Estados Unidos e o grande jovem cantor Brasileiro, no LP mais vibrante do ano
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João Gilberto deverá gravar com Gerry Mulligan, para a Verve
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on at 2:50 PM.
Falando no acervo digital do Tom, se liga nessa nota do Sylvio Tullio Cardoso quando do show da bossa nova no Carnegie Hall, fins de 1962. Seria Mulligan o plano original para o que virou Getz/Gilberto? Terá Getz entrado na jogada pelo problema de contrato de Mulligan com a Capitol? Ou será grande viagem de Sylvio Tullio? Getz já tinha feito o Jazz Samba (sem falar no Encore) e era a escolha natural, mas boto fé que com Mulligan, no barítono e clarinete, teria ficado ainda melhor. Com o Tom Jobim, então, taqui a prova da química:
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Novos, Baianos e Hippies
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sábado, 27 de março de 2010 at 1:39 PM.
Os pássaros cantam e o sol nasce em Jacarepaguá em um dia de 1973. Na primeira casa, acordam o casal Paulinho Boca de Cantor e Marilinha e os filhos Maria e Gil. Quase em frente, Moraes Moreira e Marília, com os filhos Ciça e Davi. Lá no fundo, em uma casa Luiz Galvão, na outra Baby do Brasil, então Consuelo. Ainda em outra os percussionistas Bola, Jorginho e Charles e os outros solteiros acampados no primeiro andar. Todos fazem seu café, as crianças tomam banho no quintal, uma massagem aqui, uma panela no fogo ali. Alguns batucam um tamborim, um cavaquinho ou violão. E a qualquer hora, o dia inteiro, futebol. Se não tocavam, jogavam bola.
Era o sítio Cantinho do Vovô, no povoado Boca do Mato, Estrada dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Onde se instalaram os Novos Baianos mais esposas, filhos, amigos e tantos agregados, na época do sucesso do disco Acabou Chorare e enquanto preparavam o disco seguinte, Novos Baianos F.C.
Exatamente neste momento entra em cena, câmeras, sonoplastas e equipe a postos, Solano Ribeiro, produzindo e dirigindo documentários para a televisão alemã. Alguns anos antes, Solano havia sido o homem por trás dos famosos Festivais de Música Brasileira, agora produzia como freelance projetos como esse. Dez dias acompanhando a vida dos Novos Baianos em sua comunidade hippie e o resultado é o revelador e quase inédito documentário Novos Baianos F.C., em exibição única hoje, dentro do festival In-Edit, no MIS, às 18h, com participação do diretor.
"Quando fiz a primeira proposta de produção eu achei que não ia ter filme", conta Solano, lembrando. "Os Novos Baianos eram inadministráveis. Mas eu falei pra eles, 'Vamos fazer uma coisa? Vocês fiquem aqui e eu venho todo dia com a equipe alemã, a gente se instala e vamos documentando a vida de vocês.' Foi a única maneira que encontrei de conseguir fazer o filme: registrar tudo naturalmente."

Inédito no Brasil há mais de 30 anos, mas cult na internet (somando mais de 500 mil views no YouTube), o documentário traz caprichada filmagem, captada em película e montada e finalizada na Alemanha, intercalando imagens plácidas e naturalistas dos novos e baianos jogando, brincando, vivendo e tocando, joviais e geniais, com locução de Solano sobre textos dele e de Galvão. "Novos Baianos é um cara que tá sempre legal, que tá nascendo a cada minuto", define a certa altura o letrista, entre cenas de convivência coletiva e transes musicais.
Tudo muito neo-socialista e libertário, mas também muito limpo, organizado, respeitoso e com alguns dos nossos músicos mais incríveis em ponto de ebulição. "Fico muito feliz de ver que é um registro do melhor momento da música dos Novos Baianos", nota o diretor. "Eu sabia que naquele momento era o que estava acontecendo de mais interessante pra mostrar pra fora do brasil. Não só pelo estilo de vida deles, mas pela música muito rica que faziam. Tinham uma ligação forte com a música brasileira antiga, mas tudo apresentado de uma maneira e com uma instrumentação nova."
Mistura que vinha da forte influência do tropicalismo de Caetano, Gil e Tom Zé, somados ao aprendizado de longos encontros que tinham com João Gilberto por aquela época. "O João Gilberto exerceu uma influência extraordinária, não só na música mas inclusive no comportamento pessoal deles", lembra Solano. "Eles passavam noites juntos e o João Gilberto dizia que eles tinham que ter cuidado com a alimentação, com a higiene, cuidar deles mesmos. Antes eles viviam na semi-marginalidade, iam pra rua parar os carros e pedir dinheiro. Mas quando fui filmar era realmente impressionante como eles eram cuidadosos com a limpeza, com as crianças."
Sem falar no campo; eles se achavam melhores jogadores de futebol do que músicos. As imagens de jogos mostram a seriedade do negócio. E a única condição imposta pela banda, também: que a filmagem acabasse antes do jogo do Vasco. "Eles me disseram, 'Bicho, se você não terminar aqui nós vamos largar você com as câmeras ligadas e vamos pro jogo'", ri Solano. "E a gente vê no filme, minutos antes deles saírem, eles tocando "Besta é tu". Número musical que acho dos mais extraordinários, com o Galvão dançando no fundo, que mostra a cabeça e o espírito desses caras."
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talvez quem sabe o inesperado faça uma surpresa
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 5 de março de 2010 at 12:19 PM.
Morreu ontem Johnny Alf, o mais low profile dos compositores e cantores brasileiros. Não foi uma surpresa, exceto para quem não o conhecia. Há alguns anos enfraquecido por um câncer na próstata - boa parte deles passados em longas internações -, vinha fazendo shows esporádicos e sempre tratados como Grande Volta, no fundo algo morbidamente subentendidos como Pode Ser o Último, até que foi.
O que você vai cansar de ler é que Johnny Alf era precursor da bossa nova, assim, nestas mesmas palavras. Mas isso é diminuí-lo, como entendê-lo como menor que a bossa nova, um passo antes. Johnny era maior que sua época e maior que movimentos musicais oportunos. Cantor da noite, pianista elegante de linguagem própria, compositor com estilo plenamente pessoal, usava a voz como ninguém no Brasil. Moderno nas letras, nas inflexões da voz, nas melodias, nas ousadias de composição, no piano tão pouco gravado. Mais que moderno, o som de Johnny sempre foi perene.
Sobre Johnny, certa vez João Donato me disse: "o que aprendi de bom, aprendi com ele". E não falava só de música: "Johnny me ensinava não como uma teoria, mas um estado de espírito". Sempre tranqüilo, pelos momentos bons ou nem tanto, Johnny Alf era a suprema humildade. Já Alfredo José da Silva, sua identidade secreta, era o extremo da timidez. Numa realidade paralela, talvez a nossa, os hits de Johnny dominaram: "Eu e a brisa", "Ilusão à tôa", "O que é amar", "Fim de semana em Eldorado", "Céu e mar", "Seu Chopin, desculpe". Pode ouvir e soar tão atual e pra frente e quase estranho de tão particular quanto na época. Johnny se vai e sua memória continua brilhando especial, para poucos ou muitos.
Marcadores: Antonio Carlos Jobim, João Gilberto, Johnny Alf, RIP
vinilos miticos del jazz
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010 at 11:18 AM.
Enquanto os responsáveis pelo marketing estratégico das grandes gravadoras no Brasil choram, pedem arrego, admitem derrota e procuram novos empregos, a editora Planeta espanhola foi além: lançou direto nas bancas a série Vinis Míticos de Jazz, com reedição 180 gramas de várias jóias, com capas originais e fascículos que falam dos álbuns.
Já saíram o Kind of Blue do Miles Davis e o A Love Supreme do John Coltrane, e eles ainda estão prometendo o Brilliant Corners do Thelonious Monk, Somethin' Else do Cannonball Adderley, All or Nothing at All da Billie Holiday, Drummer Man do Gene Krupa, Bird and Diz do Charlie Parker com Dizzy Gillespie, e o Getz/Gilberto do Stan Getz com nosso João Gilberto.
Presta atenção: por oito Euros, em qualquer livraria ou quiosque de revistas da Espanha, você pode comprar A Love Supreme, Brilliant Corners, Kind of Blue e o Getz/Gilberto em sua majestade, o vinil.
(foto daqui.)
Marcadores: Jazz As, João Gilberto, John Coltrane, Miles Davis, Thelonious Monk, vinilândia
Hoje é um dia especial na sua vida
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 29 de julho de 2009 at 12:55 PM.Se você está precisando de ajuda pra viver momentos bonitos e se divertir até cansar, tá fácil.
Hoje, sete da noite, Galeria Olido, vai rolar a conclusão do projeto Conexões, com todos nós humildemente reapresentando os melhores momentos do mês: Tatá Aeroplano, Karina Buhr, Leo Cavalcanti e Tulipa Ruiz voltam à vitrine da avenida São João para cantar, respectivamente, Roberto&Erasmo, Rita Lee, Gil&Caetano e Gal.
Última chance de ver mágica acontecendo, Tatá se entregando à emoção de cantar Roberto e ainda mostrando relações entre seus sons e o de Erasmo; Tulipa parando o tempo pra arrepiar os ouvintes, cantando Dê um rolê como se não houvesse amanhã; Karina pescando na memória histórias e canções, somando e subvertendo o senso de humor de Rita Lee com seu próprio; Leo cantando Lamento sertanejo com aquele arranjo, naquele lugar, com aquele clima e aquele encontro de pessoas. Não existe época de ouro, a vida é de ouro.
Fazendo tudo acontecer, a Banda dos Contentes, com Mauricio Fleury, Pedro Falcão e Demétrius Carvalho, hoje com Régis Damasceno e Gui Held aparecendo pro goodbye.

Depois, comemorando o fim de mês, os shows, a amizade, a vida, o amor e a falta e vergonha de ser hippie, VENENO especial música brasileira, de graça e gudiváibe, anti-hype e carão-free no Astronete.
Só chegar e ser feliz.
Marcadores: Baile VENENO, Caetano Veloso, dj evan, Erasmo Carlos, Gal Costa, João Gilberto, Karina Buhr, Leo Cavalcanti, Rita Lee, Roberto Carlos, Tatá Aeroplano, Tulipa Ruiz
a todos joão intimida, faz coisas que até deus duvida
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009 at 2:18 PM.
Marcos Maciel, do Metrópolis, entrou em contato com o engenheiro de som gringo Christophe Rousseau, responsável pela recuperação do áudio da já notória demo caseira do João Gilberto. Para uma matéria (que vai ao ar hoje, às 21h40, na Cultura), trocou email com ele e descobriu mais detalhes. Quer saber como vazou, de onde veio, como foi recuperado o áudio, o que acham os envolvidos? Só seguir lendo.
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Existem mais sons da era de ouro da música brasileira armazenados no japão do que no Brasil: em Tóquio eles têm uma torre onde é guardado e armazenado o som remasterizado em digital de obras sonoras brasileiras que muita gente esta à procura ou correndo atrás! Quem sabe mais sobre isso são os compositores carlos Lyra e Roberto Menescal. Os japoneses foram os primeiros a colocar à venda lá nas terras deles esse documento, que se chamava João Gilberto - Private Sessions at Chico Pereira's House, que era caro e de péssimo som. Verdadeiramente o som deles colocado à venda (desde o mês de dezembro 2007) é uma vergonha!
Um amigo meu Sueco, o Sr. Lars Crantz, recebeu por troca de documentos, no Rio, o som digitalizado dessa gravação - de um colecionador cujo nome ficou protegido por ele. Pensando que os japoneses tinham colocado um documento melhor à venda, o Lars comprou o documento japonês ha um ano, quando foi colocado no E-Bay!
Imagina, eu: quando recebi de Lars essa cópia para remasterizar quase desmaiei de tanta felicidade! Por que eu?! Por que é que caiu sobre mim?! Eu tinha o livro de Ruy Castro, Chega de Saudade, onde se falou pela primeira vez sobre este assunto do som gravado em fitas magnéticas Basf, com aparelhagem bem profissional para época, no salão de Chico Pereira. Eu não pensava escutar tão cedo este documento... (Bom, há 50 anos que a gente esperava, né?)
Aí, no princípio do ano passado, eu passei uma semana trancado a escutar este som e ficar espantado o tempo todo e falando grosso: Puta que pariu! Puta que pariu! Nossa! Como é que pode! etc. Depois me coloquei a remasterizar. O resultado foi colocado na internet por nós de graça para contrar o Japonês e o lucro deles sem aviso nenhum a João Gilberto, o autor. Era a vingança única e última que podia acontecer! Assim vão as coisas e é verdade que eu estou bastante satisfeito de ter remixado este documento - que demorou 50 anos para aparecer e três dias para se tornar decente!
Foi com duas ferramentas profissionais de tratamento sonoro que eu consegui fazer renascer o som de baixo do barulho analógico das bandas Basf: primeiro o exelente BBE americano hardware Sonic Maximizer and Noise Reduction e o programa Software da Sony chamado Sonic Mastering Studio.
Se você escutar a primeira faixa, "Um abraço no Bonfá", você vai poder ouvir, depois da metade da faixa, exatamente aos 1 minuto e 36 segundos e durante 3 segundos, um cachorro latindo lá embaixo do prédio ou da casa do Chico Pereira, enquanto o João tocava o violão. Prestem atenção e escutem: é bem "Space" ouvir isto - que nem aparece no documento original recebido da Sueça.
Esses caras que fazem blogs brasileiros de som raro (como o meu amigo Augusto do Toque Musical e o Zeca-Louro do Loronix) são bem malucos, no bom sentido do termo, e esses últimos anos colocaram na rede coisas de colecionadores e raridades deles à disposição de quem quiser escutar. Antes, ninguém nunca tinha a possibilidade de achar estes sons da antiga pelo simples fatos que a maioria das casas de produções sonoras no Brasil e edições nunca deram valor a estes músicos e sons antigos! E é por isso que existem blogs de gente apaixonada por som que passam horas, semanas, meses e a ver, anos, trancados pra limpar e colocar na rede os som, tesouro nacional da música brasileira das decadas de 40 até 80.
É uma beleza estes blogs, ainda mais por cima tem um lado de fórum para gente responder, comunicar informação sobre quem tocou nestes álbuns, e isso não figurava na contra capa de muitos Lps da antiga. Foi depois da vinda destes blogs que a gente ficou sabendo de muita coisa sobre cultura musical brasileira.
*
Nos comentários do post original das demos, no Toque Musical, Christophe ainda conta outra surpresa:
Estou preparando outra raridade dele para você colocar no seu blog: recebi de um amigo meu um documento rarìssimo de uma prestação do João Gilberto no Roxy Theatre de Hollywood CA. 1977
Marcadores: JG aka Deus, João Gilberto
João Gilberto @ Chico Pereira, 1958
4 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009 at 4:32 PM.Surpresa! Vazou essa semana na blogosfera uma das gravações caseiras lendárias de um João Gilberto pré-disco, ali por 57-58. Feita na casa do fotógrafo Chico Pereira (co-responsável pelas lindas e cultuadas capas da Elenco), a gravação tem mais de 20 músicas curtas - algumas nunca gravadas por ele em disco, como "Beija-me" e "João Valentão" - e ainda conversas e atmosfera.
Quem recupera as gravações, com ajustes possíveis, é o blog Toque Musical, de raridades brasileiras pouco óbvias e sempre interessantes. Já circulam por aí mp3s dos primeiros compactos do João e do show O Encontro, mas é a primeira vez que vejo vir a público qualquer das gravações efetivamente caseiras, feita entre amigos em gravadores antepassados dos portastudios.
E estamos em 1958 - um ano antes de João gravar seu álbum de estréia, portanto. Mesmo ano em que participou tocando violão (e dando pitacos nem sempre benquistos) no disco "Canção do Amor Demais", tido como o movimento inicial do movimento.
João já sabia de tudo.
Baixe aqui.
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No indispensável Chega de Saudade, Ruy Castro conta mais:
Uma das pessoas que João conhecera com Roberto Menescal e Carlinhos Lyra fora o fotógrafo da Odeon, Chico Pereira. Pela quantidade de hobbies a que Chico dispensava total dediacação - som, jazz, aviação, pesca submarina -, era difícil imaginar como lhe sobrava tempo para fazer um único clique como fotógrafo. Mesmo assim, Pereira conseguia dar conta das fotos de todas as capas da Odeon. Menescal era seu companheiro de pesca e os dois eram também irmãos em Dave Brubeck. Quando João Gilberto cantou pela primeira vez em seu apartamento, na rua Fernando Mendes, levado por Menescal, Chico experimentou a mesma sensação que tivera ao conhecer o fundo do mar. Com a vantagem de que a voz e o violão de João Gilberto podiam ser capturados. Não perdeu tempo: assestou um microfone, alimentou seu gravador Grundig com um rolo virgem e deixou-o rodar. Foi a primeira das muitas fitas que gravaria com João Gilberto em sua casa.
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Antes mesmo que o 78 de "Chega de Saudade" invadisse as rádios - antes mesmo de ter saído o disco -, fitas domésticas de rolo, contendo a voz e o violão de João Gilberto já circulavam pela Zona Sul. Circulavam é força de expressão. Poucos possuíam gravadores naqueles tempos pré-cassete, o que limitava a audiência de uma fita aos amigos do dono do gravador. Uma dessas fitas tinha sido gravada pelo fotógrafo Chico Pereira, felizmente um homem cheio de amigos; outra, pelo cantor Luís Cláudio. Em quase todas João Gilberto cantava "Bim Bom", "Hô-ba-la-lá", "Aos pés da cruz", "Chega de Saudade" e coisas que nunca gravaria em disco, como "Louco", de Henrique de Almeida e Wilson Batista, e "Barquinho de Papel", de Carlinhos Lyra.
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Caetano 68
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sábado, 1 de novembro de 2008 at 10:03 AM.
Que maravilhoso país o nosso, onde se pode contratar quarenta músicos para tocar um uníssono.
(Miles Davis, durante uma gravação)
Antes havia Orlando Silva & flautas e até mesmo no meio do meio dia. Antes havia os prados e os bosques na gravura dos meus olhos. Antes de ontem o céu estava muito azul e eu e ela passamos por baixo desse céu, ao mesmo tempo com medo dos cachorros e sem muita pressa de chegar do lado de lá. Do lado de cá não resta quase ninguém. Apenas os sapatos polidos refletem os automóveis que, por sua vez, polidos, refletem os sapatos assim per omnia até que (por absoluta falta de vento) tudo sobe num redemoinho leve, me deixando entrever um resto de rosto ou outro, pedaços, amém. Marina sabe a história do pelicano etc. etc. o peito aberto e rasgado etc. etc. mas que nada: quando a gente não tem nenhuma necessidade de ir para os States não há mesmo mais esperança. Eu gostaria de fazer uma canção de protestos de estima e consideração, mas essa língua portuguesa me deixa rouco. Os acordes dissonantes já não bastam para cobrir nossas vergonhas, nossa nudez transatlântica. E, no entanto, Ele é um gênio: quem ousaria dedicar este disco a João Gilberto? Quantos anos você tem? Como é que você se chama, quando é que você me ama, onde é que vamos morar? Os automóveis parecem voar, os automóveis parecem voar por cima (mas mais alto que o Caravelle) dos telhados azuis de Lisboa, dos teus olhos, dos mais incríveis umbigos de todas as mulheres em transe, dos teus cabelos cortados mais curtos que os meus, meu amor, porque eu não quero, porque eu não devo explicar absolutamente nada.
Caetano Veloso
P.S.: Gil, hoje não tem sopa na varanda de Maria.
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Do primeiro solo do Caetano.
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A maior surpresa do show de ontem
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 15 de agosto de 2008 at 9:51 AM.
ela tem um 13 de ouro pendurado no pescoço
sexta-feira só vai dormir depois das três da madrugada
e acende tanta vela não sei pra quem, segunda-feira
eu desconfio que essa nega é macumbeira
tem nos pés um par de galos que prevê a chuva
já leu na minha mão que vai ficar viúva
se alguém sem querer quebra um prato ou um copo ela diz:
"você vai ficar rico e não demora muito"
se jogam bebida na mesa diz que é sinal
de muita saúde, de felicidade
em tudo vê assombração
se encontra um gato preto dá doce pra cosme e damião
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Música de Marino Pinto e Herivelto Martins, gravada pelos Anjos do Inferno em 1949.
Baixe o original aqui.
(Imagem daqui.)
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O repertório do show de João Gilberto ontem, no Auditório Ibirapuera
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on at 9:31 AM.
01) Aos pés da cruz (Marino Pinto / Zé da Zilda)
02) 13 de ouro (Marino Pinto / Herivelto Martins)
03) Wave (Tom Jobim)
04) Caminhos cruzados (Tom Jobim / Newton Mendonça)
05) Doralice (Dorival Caymmi)
06) Meditação (Tom Jobim / Newton Mendonça)
07) Preconceito (Wilson Batista / Marino Pinto)
08) Disse alguém (Seymour Simons / Gerald Marks / Haroldo Barbosa)
09) O pato (Jayme Silva / Neusa Teixeira)
10) Corcovado (Tom Jobim)
11) Samba do avião (Tom Jobim)
12) Ligia (Tom Jobim)
13) Você já foi à Bahia? (Dorival Caymmi)
14) Rosa Morena (Dorival Caymmi)
15) Morena boca de ouro (Ary Barroso)
16) Desafinado (Tom Jobim / Newton Mendonça)
17) Estate (Bruno Martino)
18) Não vou pra casa (Antonio Almeida / Roberto Roberti)
19) Chega de saudade (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
20) Isto aqui o que é? (Ary Barroso)
Bis:
21) Chove lá fora (Tito Madi)
22) O nosso olhar (Sérgio Ricardo)
23) Bahia com H (Denis Brean)
24) Da cor do pecado (Bororó)
25) Retrato em branco e preto (Tom Jobim / Chico Buarque)
26) Samba de uma nota só (Tom Jobim / Newton Mendonça)
27) Guacyra (Heckel Tavares / Juracy Camargo)
28) Pra machucar meu coração (Ary Barroso)
29) Garota de Ipanema (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
Foto daqui.
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Seis vídeos para entrar no clima
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quinta-feira, 14 de agosto de 2008 at 2:38 PM.Marcadores: JG aka Deus, João Gilberto