TRIO SURDINA
2 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 8 de novembro de 2010 at 1:47 AM.
A emissão suave, a pronúncia coloquial, a sensação de perto do ouvido, a leveza e atualidade do som, o arranjo com poucos instrumentos e muitas dinâmicas. Quase dois anos antes de Chet Baker começar a cantar, pelo menos cinco antes de João Gilberto lançar sua batida cristalizada de violão-e-voz, doze depois do encontro de Django Reinhardt e Stephane Grappelli no Hot Club da França, o Trio Surdina vivia seu momento cheio de revoluções silenciosas: o violinista (e vocalista e assobiador) Fafá Lemos, o violonista Garoto e o sanfoneiro Chiquinho do Acordeom, músicos e estrelas da Rádio Nacional e em suas próprias carreiras.

Em quatro sessões entre os últimos dias de 1952 e os primeiros de 1953, nos estúdios da própria Nacional, o trio gravou um punhado de músicas com concepção assombrosamente moderna, arranjos de tirar o fôlego, malandragem, senso de humor e romantismo e criação em processo máximo de inventividade, unindo características muito particulares e complementares de cada músico. Um violinista assobiador cantando como João Gilberto seis anos antes da Bossa Nova? Um violonista com tanta clareza de toque e evolução de idéias? Um acordeão criando esses sons inéditos e em fusão com os outros instrumentos? Um trio inspirado em jazz e samba de breque? O nome perfeito, cheio de sentidos adequados, vinha do programa em que os três se encontravam com frequência e sucesso no formato: Música em Surdina, de Paulo Tapajós, circa 1952. Os Três Mosqueteiros da Bossa era um dos epítetos delegados a eles no ar em suas condições de ases e modernistas.

Fafá vindo do sucesso nacional de "Vingança", de Lupicínio Rodrigues, na voz de Linda Batista e com seu violino, e já às vésperas de ir aos Estados Unidos tocar com Carmen Miranda e gravar seu primeiro disco - com orquestra e clima Exótica, contemporâneo de Les Baxter e precursor de Martin Denny e Esquivel. Garoto, já revolucionário do choro, paradigma do seu instrumento, ousando nos acordes, invertendo ritmos, inventando andamentos, brincando com bordões e dedilhados. Chiquinho soando seu acordeão como órgão ou palheta, piano ou orquestra, fazendo cama ou solando, segurando ou soltando o groove, dialogando no registro agudo com o violino ou criando riffs em uníssono com o violão, lírico e criativo.

Os três juntos, em melhores momentos e disposições, alimentando-se da criatividade extra necessária para um trio de violino-violão-acordeão criar e preencher sons e espaços e o inevitável senso de diversão despretensiosa que nasce como consequência. Tangos, foxes, beguines, baiões em pegada entre o improviso do jazz de salão e a roda de morro. O samba de bossa de Noel Rosa, a beleza de Dorival Caymmi, a aristocracia de Ary Barroso. O arrepiante violão de Garoto a um passo de João Gilberto e além, os impressionantes timbres do acordeão de Chiquinho e o lindo tratamento das melodias por Fafá, glissandos, rubatos, pizzicatos, vocal ultra-cool e solos de assobio. Vinte e oito músicas, uma hora e vinte minutos preciosos: toda sua obra oficial em três LPs e meio de dez polegadas pela gravadora Musidisc, os dois primeiros, respectivamente, em vinil amarelo e verde.
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pianoless
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 24 de setembro de 2010 at 1:43 PM.
Falando no Chico Hamilton, Buddy Collette, anos 50, Pacific Jazz, nessa mesma entrevista Buddy prova que o improviso na vida faz parte da história do jazz e conta do primeiro ensaio, em seu apartamento, do impressionante quarteto sem piano de Gerry Mulligan, Bob Whitlock, Chico Hamilton e Chet Baker, da esquerda pra direita acima, em prosa abaixo.
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You knew Chico Hamilton and Gerry Mulligan in 1952.
The first time that quartet rehearsed was at my apartment. Gerry was there at my place because he knew that Chico and I were friends. My apartment was at 1406 St. Andrews Place (Apt. 1). Everyone was at my place, listening to music or at parties. At first, what Gerry and Chet were doing didn’t sound too good.
Why not?
They didn’t have the right concept. Chetty was playing melody and Gerry was trying to harmonize on the baritone. But they were miles apart. Gerry was trying to do it like he would normally play.
Which was how?
Using the baritone like a bass. He was just playing harmony in same rhythm as the melody. Then he began trying counterpoint. He was moving around differently than just following the melody.
Did Mulligan know the group’s sound was all wrong at first?
Yes, they all knew it. Gerry didn’t want a piano in there. He was filling in for the piano on the baritone with notes a pianist might play if he had that instrument in the group. They finally got it and hit their sound by accident.
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