RONALDOEVANGELISTA


Olé Unlimited



Mix nova, jazz elevado de acordes profundos e melodias d'alma, naipes e solos e vamps e riffs, quase tudo de novidades recentes, a maioria achados do Rio.



McCoy Tyner - Effendi (1963)
Charles Mingus - II B.S. (1963)
Max Roach - Nommo (1966)
Harold Land - Angel Dance (1967)
Victor Assis Brasil - Stolen Stuff (1968)
Morris Wilson Beau Bailey Quintet - Paul's Ark (1970)
Horace Silver - That Healin' Feelin' (1970)
Donato - Lunar Tune (1970)
Rudolph Johnson - Diswa (1971)

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História Música Informação



Erasmo, 1972, auge do talento, na maior das goob vibes, só com violão e peito aberto, aproveita pra mostrar algo recente, que ainda não tenha sido gravado: sambinha que fez com Roberto, inspirado na preguiça que o mundo sente hoje em dia. O mundo caminha pra preguiça, porque só com a preguiça vem a paz. É o "Samba da Preguiça" (depois presente pro Trio Mocotó):



Uma dicazinha. Gal preferia cantar com um violão, mas o entrevistador já intima: pedi pra você trazer, você não trouxe. Tudo bem, ela vai de batuque de lápis na mesa, enquanto improvisa a capela o frevinho de carnaval "Estamos Aí" (depois compacto em 73). Se ela sair de palhaço, você vai de careta? A verdade deixei na gaveta:



Edu Lobo, só no violão, assobio e voz profunda, faz versão sala-de-casa de "Candeias", música lançada em 67 nos discos irmãos Edu & Bethania e Domingo, Gal & Caetano. Bossa íntima baiana via Rio, da terra nova nem saudade levando:




// Trechos do disco História Música Informação, entrevistas e performances impromptu captadas pela Rádio Jornal do Brasil AM, documentando o ano de 1972. Uma cópia a menos no Brasil, essa que vemos e ouvimos veio do blog Soul Spectrum - que, aliás, tem vários posts legais falando do discos do Brazil.



// A HISTÓRIA DE 1972
Quem está presente
neste álbum duplo
é o tempo em que você vive
e a música criada dentro dele.
As vozes dos seus contemporâneos.
Os acontecimentos que abalaram,
alegraram, comoveram o mundo.
Os homens e as mulheres
que são notícia, que estão fazendo
a música e a informação.
As horas e os dias que fazem a história
Aqui você vai ouvir,
com a força de testemunhos,
o som dos acontecimentos
que estão moldando o futuro.
O som vivo da história.
O som vivo do seu tempo.
De janeiro a dezembro,
o ano de 1972.

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jogo de Angola



Tirando uma prateleira com seleção nem tão boa, todo o andar de cima daquele sebo em Pinheiros estava com discos a um real. Tinha uma hora e meia a perder, fui fuçando e saí feliz: um Santana tocando Coltrane, orquestra tango old school, Kris e Cristina, Armando no solovox, Tarancón com capa do Julio Cesar e pelo menos dois com encartes que dão quadros lindos.

Mas de cara, sacando a capa modernista do LP A Enluarada Elizeth, senti que o dia era dele. Já gosto da Eizeth quando ela canta toda velha guarda, mas assim, toda cool, delícia de surpresa. E já gosto do Gaya quando nem gosto tanto, mas com esses arranjos de sopro ousados, puxados pro afro-samba-jazz, Lindolfo subiu no conceito.

Chamou atenção ela cantar o afro-samba "Canto de Pedra Preta", de Baden e Vinicius, "Demais", do Tom Jobim, à capela, e duas do Pixinguinha com participação do próprio. Mas a melhor música do mundo é a primeira do lado B, "Capoeira Três", canto de capoeira com participação do canto e do violão senhorial e cheio de ancestralidades do Mestre Codó da Bahia, mais o ataque de 5 saxofones, 3 pistons, 3 trombones, contrabaixo e ritmo, arranjados por Gaya, play abaixo:



joga o lenço, camará
tá na hora de brincar
berimbau está tocando
quero ver quem vai brigar

gente de bem não vai
se jogar capoeira, cai
gente de bem não vai
e se jogar capoeira, cai
cai, cai

nesse jogo de malandro
tem perigo, confusão
berimbau bem afinado
tem o som de violão

capoeira toma sentido
caboclo malandro no chão
nesse jogo de Angola quero ver quem é brigão
pegar lenço com a boca para ser o campeão

biriba é pau, é pau
é pau de fazer berimbau
biriba é pau
é pau de fazer berimbau

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África Brasil e A Tábua de Esmeralda




São os dois primeiros relançamentos em vinil 180 gramas da Polysom, licenciados da Universal e programados para junho e julho, respectivamente. Demorou pro Brasil piratear seus próprios discos, ainda que oficialmente. Lindo mesmo seria se custasse tipo 30 pilas, mas aposto que não sai por menos de 70.

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LP Bazaar



Hoje não levo banquinha, mas passo no meio da tarde pra colocar uns discos, antes de descer pro Tapas, Olé.

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ten ragas to a disco beat




Sensacional o som dos ragas indianos tocados por sintetizadores e baterias eletrônicas pelo Charanjit Singh, Bombaim, 1982. Synthesizing: Ten Ragas to a Disco Beat, agora relançado em vinil duplo, por aqui.

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Todo Fela



Falando no Fela, a gravadora americana Knitting Factory licenciou e está lançando de punhado em punhado todos os 45 discos oficiais do homem do Afrobeat. Por esses dias estão saindo nove discos (incluindo os primeiros com os Koola Lobitos), divididos em seis CDs, em esquema 2-em-1 e/ou com singles bônus - caso você ainda compre CDs. O melhor ainda está por vir: prometeram ainda esse ano botar tudo na rua em vinil.

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vinilos miticos del jazz



Enquanto os responsáveis pelo marketing estratégico das grandes gravadoras no Brasil choram, pedem arrego, admitem derrota e procuram novos empregos, a editora Planeta espanhola foi além: lançou direto nas bancas a série Vinis Míticos de Jazz, com reedição 180 gramas de várias jóias, com capas originais e fascículos que falam dos álbuns.

Já saíram o Kind of Blue do Miles Davis e o A Love Supreme do John Coltrane, e eles ainda estão prometendo o Brilliant Corners do Thelonious Monk, Somethin' Else do Cannonball Adderley, All or Nothing at All da Billie Holiday, Drummer Man do Gene Krupa, Bird and Diz do Charlie Parker com Dizzy Gillespie, e o Getz/Gilberto do Stan Getz com nosso João Gilberto.

Presta atenção: por oito Euros, em qualquer livraria ou quiosque de revistas da Espanha, você pode comprar A Love Supreme, Brilliant Corners, Kind of Blue e o Getz/Gilberto em sua majestade, o vinil.

(foto daqui.)

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the curious resurgence of vinyl



J&R Music, at 23 Park Row southeast of City Hall Park, now carries 21 different turntables at prices ranging from $85 to $875. Some are traditional analog record players; others are designed to connect to computers for converting music to digital files.

Rachelle Friedman, the co-owner of J&R, said the store is selling more vinyl and turntables than it has in at least a decade, fueled largely by growing demand from members of the iPod generation.

“It’s all these kids that are really ramping up their vinyl collections,” Ms. Friedman said. “New customers are discovering the quality of the sound. They’re discovering liner notes and graphics.” In many instances, the vinyl album of today is thicker and sounds better than those during vinyl’s heyday in the 1960s and 1970s.

Sales of vinyl albums have been climbing steadily for several years, tromping on the notion that the rebound was just a fad. Through late November, more than 2.1 million vinyl records had been sold in 2009, an increase of more than 35 percent in a year, according to Nielsen Soundscan.


Pronto, depois do LA Times e da Billboard (e tantos outros, but who's counting?), o NY Times anunciou: o vinil voltou. // As vendas de LPs (contando só prensagens novas) subiram 37% em 2009. As de CDs caíram 20%. Te diz alguma coisa?

(foto daqui.)

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heads



Desacreditei quando olhando despretensiosamente a seção de fusion ou jazz-rock ou similar daquele sebo dei de cara com essa capa maravilhosa, de um disco absolutamente idem, Osibisa, baratão. Alegria do dia, da semana, do Veneno Goodbye 2009, do fim de ano. O som? É 1972 com aquela pegada afro, na onda do Cymande (como eles, formado por expatriados africanos - e caribenhos - em Londres), a ver com Santana, Mandrill, War, cê tá ligado. A capa? É do mesmo Marti Klarwein que fez as imagens do Abraxas e do Bitches Brew. Nada mal pra tarde chuvosa de segunda.

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mulher bonita não paga



Também não leva, mas dá pra curtir: domingão, bazar de discos no Astronete, além de fazer seleção musical com pérolas suaves e achados especiais, aproveito pra fazer a rapa em repetidos, desinteresses e desapegos e levar vários da coleção pra jogo, incluindo todos da colagem acima mais alguns tantos.

Legal demais sair por aí com fone n'ouvido e milhares de músicas boas no play no bolso. Maravilhoso ouvir aquele disco no som do carro, dando rolê. Muito classe descobrir um som de manhã, baixar num blog à tarde e à noite já mandar a melhor pro brother. Mas ainda, 60 anos depois da invenção do long playing, o jeito mais perfeito de ouvir música, pra todos os sentidos, ainda é colocando aquele disco pra girar embaixo da agulha. Ouvir um lado, virar o disco, ouvir o outro lado, achar o ponto, pegar na capa, ver a arte, ler a ficha, entrar no disco, ir e vir, descobrir os pontos áureos - e às vezes lembrar de outros, mostrar e passar adiante - é cumprir um ritual de prazer que nasceu junto com o formato e ainda não tem substituto.

Delícia fazer a trilha da garimpagem num domingo à tarde, depois de tantos rolês por feiras em boulevards e salas cheias de maravilhas empoeiradas no centro:

BAZAR DE DISCOS
Big Papa & Astronete
Domingo, 13/12, meio-dia em diante
Rua Matias Aires 183
seleção musical VENENO CREW
só colar

be there or be [].

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convenção




The Roosevelt was not just a record show. It was a room filled with a cacophony of sounds that included hushed conversations, shrieks of delight, and sighs and cries of missed gems. As the show grew, so did the dealers and the customers. More and more dealers were bringing turntables and speakers to show off and preview their wares. The constant buzz of conversation colored the endless beats and grooves that fluctuated like an old tube radio that would pick up one station one moment and another the next. You would hear James Brown in one corner; and then some free jazz wailing like a siren from another. The Delphonics would have everyone singing along and bringing old memories to the surface of consciousness, before a killer beat would have heads boppin’ and minds racing.

*

Ó a sintonia pra abençoar: na semana em que acontece a primeira feira de vinis dentro do Astronete, domingo agora, parceria com grande Big Papa e seleção sonora da Veneno Crew, a galere da Wax Poetics jogou no blog deles texto (da revista, em 2004) sobre a feira do hotel Roosevelt, Manhattan, Nova York, méca de beats.

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en melody



Estreou ontem na pista do Veneno o mais novo membro do clube dos discos mais amados da estante aqui de casa. Ah! Gainsbourg...

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dois milhões de vinis



Year-to-date vinyl record sales topped two million units last week, breaking the previous record of 1.9 million units last year. At the same point in time last year, SoundScan had tracked 1.5 million sales of vinyl records.

That's roughly a 37% year-over-year improvement. Vinyl has come a long way from the period in the '90s when it was a format that was almost exclusively used by underground rock bands and DJ-oriented genres. Many years passed when most artists - especially mainstream artists - did not have vinyl releases (many still do not have vinyl releases).

Though it gained momentum towards the end of the decade, it wasn't until the mid-2000s when new releases of all stripes were being released on vinyl, when it was seen as a purer way to experience music in an era of near-ubiquitous digital music. Labels started offering MP3 downloads with vinyl purchases, thus creating a great digital-physical combination. Today, consumers can find vinyl in both mass merchants and the usual Independent stores.



Se você ainda não tinha percebido pelos discos na FNAC e na Cultura, pelas festas com o algo-a-mais analógico, pelo ubiqüidade do assunto nos cadernos de comportamento e rodas de papo, a Billboard confirma (via dados da Nielsen): as vendas de discos em vinil em 2009 estão quebrando recordes.

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Vai se preparando...

baunilha

Saí pra buscar meu Ney Bandido, segundo dele, pra botar "Trepa no coqueiro" no Veneno, e pelo caminho achei dois que voltaram junto e fizeram a alegria da picape:



Orós, quarto do Fagner, 77, lírico e agreste, psicodélico e experimental, daquela categoria mais-comentado-que-ouvido. Disco cult que cumpre intensamente o que promete: bonito e cabeça, agudo na sua beleza e exuberante no seu desbunde. Com Hermeto, com parceria com Belchior, às vezes meio Mautner, na onda do Pessoal do Ceará, a ver até com o Cidadão Instigado. // O disco abre com "Cinza", pé no peito, "jogue os meus olhos no azul do céu / e eu serei só música":





E o primeirão solo do Ney, Água do Céu - Pássaro, 75, Continental, alegria total, todo em casa já aqui na prateleira. A versão original da época vinha com lacre e compacto bônus, com duas faixas gravadas com Astor Piazzolla - o que faz mais raras e valiosas as edições do disco que circulam até hoje com o compacto. E a minha alegria ao descolar o disco com DOIS compactos diferentes? // Classe mesmo é "Açúcar Candy", de letra totalmente safada e groove inacreditável:

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my life my life my life my life in the sunshine

Passeio no centro pra entregar documentos e passada rápida no Carlinhos, só pra ver se aquele disco não tá lá esperando. E não é que...





The Meters - Just Kissed My Baby
(Rejuvenation, 1974)





Roy Ayers Ubiquity - Hey Uh-What You Say Come On
(Everybody Loves the Sunshine, 1976)

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A cultura e a civilização, elas que se danem, ou não



A Dusty Groove, das melhores lojas de disco do mundo e o melhor lugar na internet pra se comprar vinis de soul, funk, jazz, reggae, música brasileira, experimentalismos e improbabilidades afins, resolveu virar um selo de reedições. Entre os primeiros lançamentos estão um Axelrod, um Melvin Jackson, uma Dorothy Ashby e dois discos brasileiros: o Força Bruta, do Ben com o Trio Mocotó (de 1970), e o segundo solo da Gal, totalmente psicodélico, com o Lanny na guitarra (de 1969, sai lá em abril). Dois discos absolutamente maravilhosos e essenciais. Considerando que no Brasil a última edição em CD do Força Bruta foi em 1993 e o da Gal não é dos mais fáceis de se achar, fico feliz ao saber que alguém em Chicago está cuidando disso.

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