TIM MAIA e a invenção do soul brasileiro
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 8 de dezembro de 2010 at 12:10 PM.
Capa da Ilustrada hoje, texto meu sobre Tim Maia, em especial seus primeiros passos, a propósito de um recém-lançado box com antigos álbuns em versão CD.


Exatamente quarenta anos depois do lançamento de seu primeiro álbum, Tim Maia continua entre os nomes mais procurados e vendidos das lojas de música. Ao menos nos sebos de vinis, porque os CDs andavam há mais de uma década fora de catálogo no Brasil.
Para quem ainda compra CDs, muito bem-vinda portanto a caixa dedicada ao catálogo de Tim Maia dentro da gravadora Universal, com oito discos lançados pelo cantor e compositor entre 1970 e 1984, mais um DVD de show realizado em 1989. Especialmente indispensáveis são os quatro primeiros discos da caixa, também primeiros álbuns da carreira de Tim Maia, também primeiros discos da fundação de algo como uma soul music brasileira.
ALMA SOUL
Quando Tim Maia surgiu no panorama, em 1970, não havia modelo, parâmetro ou rival para o que fazia. Seus primeiros discos, além da irresistibilidade de suas composições e do poderio de sua voz, traziam saltos de anos luz em termos de balanço e musicalidade, timbres de bateria, grooves de baixo, uso moderno de órgão, sopros, vibrafone, flauta, falsetes, com doçura brasileira e alma soul - com o charme do pleonasmo bilíngue.
Havia o comentário pontual de nomes como a Banda Abolição de Dom Salvador e os Diagonais de Cassiano. Mas até o surgimento de uma cena mais disseminada, por volta de 1976, com as bandas Black Rio e União Black, e mesmo depois, toda a black music brasileira era mais sincera e amplamente influenciada por Tim Maia do que qualquer artista estrangeiro. E até hoje, 2010 virando 2011, a concepção musical e personalidade apresentadas por Tim Maia em seus discos iniciais soam completamente atuais em época de recuperação da soul music em escala mundial e de redescoberta da riqueza da vertente brasileira do estilo entre cantores, músicos, DJs, colecionadores, pesquisadores, brasileiros, gringos e interessados em geral.
NOVA YORK E JOVEM GUARDA
Garoto da Zona Norte do Rio, amigo da Tijuca de Roberto, Erasmo, Jorge Ben, Tião virou Tim quando resolveu ir para os Estados Unidos: de 1959 a 1964, 16 a 21 anos, morou em Nova York e teve contato em primeira mão com a cena estadunidense de música negra, que explodia com, por exemplo, os primeiros singles da famosa gravadora Motown. Chegou a formar o quarteto vocal The Ideals e ensaiar os primeiros passos semi-profissionais, mas o sonho americano não durou: acabou preso e expulso do país por posse de substância ilegai e roubo de carro.
De volta ao Brasil, no reencontro com a turma e com novas amizades como Nelson Motta, estourou em 1969 com "Não vou ficar" na voz de Roberto Carlos e "These are the songs", em dueto com Elis Regina. No ano seguinte, quando gravou seu primeiro elepê, ficou meses em primeiro lugar nas paradas de vendas, chegando a desbancar seu colega de infância, agora popstar, Roberto.
INGLÊS
É quando começa a história contada pelos discos no box: com seu talento sobrenatural, voz de trovão, personalidade maior que a vida e poderio de carisma, navegou na fama nacional e foi aproveitando para lançar discos cada um melhor que o anterior, todos nota dez, todos levando a ideia de um funk brasileiro um passo à frente. E todos com momentos em inglês, como uma espécie de cumprimento às influências americanas.
As faixas em inglês, aliás, chegaram a ser compiladas em um álbum planejado pela gravadora norte-americana Luaka Bop, a mesma que ajudou na fama internacional de Mutantes e Tom Zé: “Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia”. Até hoje as negociações não terminaram - o espólio de Tim é regido com complexidade, entre centenas de processos que ainda existem contra seus excessos e excentricidades de quando em vida.
OS DISCOS DO BOX
TIM MAIA 1970
Em inglês: "Jurema"
Os hits: "Primavera", "Azul da cor do mar",
Preste atenção: "Padre Cícero", "Risos"
O primeiro disco, sucesso nacional e as primeiras sementes plantadas de funk brasileiro, baião-soul, baladas e grooves. Com Cassiano na guitarra.
TIM MAIA 1971
Em inglês: "I don't know what to do with myself", "Broken heart"
Os hits: "Não quero dinheiro", "Não vou ficar", "Você"
Preste atenção: "I don't care"
Continuação e evolução do primeiro disco, ainda com versões autorais de “Você” (antes gravada por Eduardo Araújo) e “I don’t care” (antes gravada em português por Erasmo). Com Hyldon e Paulinho nas guitarras.
TIM MAIA 1972
Em inglês: "Where is my other half", "My little girl"
Os hits: "Canário do reino", "O que me importa"
Preste atenção: "O que você quer apostar", "Sofre"
Disco sofrido, sentimental e brilhante, com várias em inglês e novos hits pra coleção. Com Paulinho e o prório Tim nas guitarras e Carlos Dafé no órgão.
TIM MAIA 1973
Em inglês: "Over again", "New love", "Do your thing, behave yourself"
Os hits: "Réu confesso", "Gostava tanto de você"
Preste atenção: "O balanço"
O último disco de Tim antes de mergulhar na Cultura Racional e abandonar as grandes gravadoras, com sua banda chegando no ápice, misturando soul e samba. Paulinho Guitarra liderando a banda.
TIM MAIA 1976
Em inglês: "Nobody can live forever", "Márcio Leonardo e Telmo"
O hit: "Rodésia"
Preste atenção: "Sentimental"
Depois do intenso mergulho nas idéias do Universo em Desencanto, Tim voltou com seu novo funk pesado aos temas de amor e vida. Gravou o disco independente, mas lançou pela Polydor (hoje Universal). Arranjos de Arthur Verocai.
TIM MAIA 1980
O hit: "Você e eu, eu e você"
Preste atenção: "Meu samba"
Depois de passagens pela Som Livre e EMI, Tim volta à Polydor. Agora com a sonoridade de groove oitentista típica da dupla Robson Jorge e Lincoln Olivetti.
O DESCOBRIDOR DOS SETE MARES 1983
O hit: "Me dê motivo"
Preste atenção: "Terapêutica do grito"
Novo megasucesso nacional com a ajuda de Sullivan e Massadas, novo ponto alto pra carreira de Tim.
SUFOCANTE 1984
O hit: "Bons momentos"
Preste atenção: "Ga-guejando"
Com sua fórmula azeitada, alternando entre baladas românticas e grooves, ao lado da banda Vitória Régia, Tim interpreta Dafé, Cassiano, instrumentais.
TIM MAIA IN CONCERT DVD 1989
Os hits: todas
Preste atenção: "Sossego"
Filmado no Hotel Nacional do Rio de Janeiro, Tim canta seus hits com a banda Vitória Régia e grande orquestra.


Exatamente quarenta anos depois do lançamento de seu primeiro álbum, Tim Maia continua entre os nomes mais procurados e vendidos das lojas de música. Ao menos nos sebos de vinis, porque os CDs andavam há mais de uma década fora de catálogo no Brasil.
Para quem ainda compra CDs, muito bem-vinda portanto a caixa dedicada ao catálogo de Tim Maia dentro da gravadora Universal, com oito discos lançados pelo cantor e compositor entre 1970 e 1984, mais um DVD de show realizado em 1989. Especialmente indispensáveis são os quatro primeiros discos da caixa, também primeiros álbuns da carreira de Tim Maia, também primeiros discos da fundação de algo como uma soul music brasileira.
ALMA SOUL
Quando Tim Maia surgiu no panorama, em 1970, não havia modelo, parâmetro ou rival para o que fazia. Seus primeiros discos, além da irresistibilidade de suas composições e do poderio de sua voz, traziam saltos de anos luz em termos de balanço e musicalidade, timbres de bateria, grooves de baixo, uso moderno de órgão, sopros, vibrafone, flauta, falsetes, com doçura brasileira e alma soul - com o charme do pleonasmo bilíngue.
Havia o comentário pontual de nomes como a Banda Abolição de Dom Salvador e os Diagonais de Cassiano. Mas até o surgimento de uma cena mais disseminada, por volta de 1976, com as bandas Black Rio e União Black, e mesmo depois, toda a black music brasileira era mais sincera e amplamente influenciada por Tim Maia do que qualquer artista estrangeiro. E até hoje, 2010 virando 2011, a concepção musical e personalidade apresentadas por Tim Maia em seus discos iniciais soam completamente atuais em época de recuperação da soul music em escala mundial e de redescoberta da riqueza da vertente brasileira do estilo entre cantores, músicos, DJs, colecionadores, pesquisadores, brasileiros, gringos e interessados em geral.
NOVA YORK E JOVEM GUARDA
Garoto da Zona Norte do Rio, amigo da Tijuca de Roberto, Erasmo, Jorge Ben, Tião virou Tim quando resolveu ir para os Estados Unidos: de 1959 a 1964, 16 a 21 anos, morou em Nova York e teve contato em primeira mão com a cena estadunidense de música negra, que explodia com, por exemplo, os primeiros singles da famosa gravadora Motown. Chegou a formar o quarteto vocal The Ideals e ensaiar os primeiros passos semi-profissionais, mas o sonho americano não durou: acabou preso e expulso do país por posse de substância ilegai e roubo de carro.
De volta ao Brasil, no reencontro com a turma e com novas amizades como Nelson Motta, estourou em 1969 com "Não vou ficar" na voz de Roberto Carlos e "These are the songs", em dueto com Elis Regina. No ano seguinte, quando gravou seu primeiro elepê, ficou meses em primeiro lugar nas paradas de vendas, chegando a desbancar seu colega de infância, agora popstar, Roberto.
INGLÊS
É quando começa a história contada pelos discos no box: com seu talento sobrenatural, voz de trovão, personalidade maior que a vida e poderio de carisma, navegou na fama nacional e foi aproveitando para lançar discos cada um melhor que o anterior, todos nota dez, todos levando a ideia de um funk brasileiro um passo à frente. E todos com momentos em inglês, como uma espécie de cumprimento às influências americanas.
As faixas em inglês, aliás, chegaram a ser compiladas em um álbum planejado pela gravadora norte-americana Luaka Bop, a mesma que ajudou na fama internacional de Mutantes e Tom Zé: “Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia”. Até hoje as negociações não terminaram - o espólio de Tim é regido com complexidade, entre centenas de processos que ainda existem contra seus excessos e excentricidades de quando em vida.
OS DISCOS DO BOX
TIM MAIA 1970
Em inglês: "Jurema"
Os hits: "Primavera", "Azul da cor do mar",
Preste atenção: "Padre Cícero", "Risos"
O primeiro disco, sucesso nacional e as primeiras sementes plantadas de funk brasileiro, baião-soul, baladas e grooves. Com Cassiano na guitarra.
TIM MAIA 1971
Em inglês: "I don't know what to do with myself", "Broken heart"
Os hits: "Não quero dinheiro", "Não vou ficar", "Você"
Preste atenção: "I don't care"
Continuação e evolução do primeiro disco, ainda com versões autorais de “Você” (antes gravada por Eduardo Araújo) e “I don’t care” (antes gravada em português por Erasmo). Com Hyldon e Paulinho nas guitarras.
TIM MAIA 1972
Em inglês: "Where is my other half", "My little girl"
Os hits: "Canário do reino", "O que me importa"
Preste atenção: "O que você quer apostar", "Sofre"
Disco sofrido, sentimental e brilhante, com várias em inglês e novos hits pra coleção. Com Paulinho e o prório Tim nas guitarras e Carlos Dafé no órgão.
TIM MAIA 1973
Em inglês: "Over again", "New love", "Do your thing, behave yourself"
Os hits: "Réu confesso", "Gostava tanto de você"
Preste atenção: "O balanço"
O último disco de Tim antes de mergulhar na Cultura Racional e abandonar as grandes gravadoras, com sua banda chegando no ápice, misturando soul e samba. Paulinho Guitarra liderando a banda.
TIM MAIA 1976
Em inglês: "Nobody can live forever", "Márcio Leonardo e Telmo"
O hit: "Rodésia"
Preste atenção: "Sentimental"
Depois do intenso mergulho nas idéias do Universo em Desencanto, Tim voltou com seu novo funk pesado aos temas de amor e vida. Gravou o disco independente, mas lançou pela Polydor (hoje Universal). Arranjos de Arthur Verocai.
TIM MAIA 1980
O hit: "Você e eu, eu e você"
Preste atenção: "Meu samba"
Depois de passagens pela Som Livre e EMI, Tim volta à Polydor. Agora com a sonoridade de groove oitentista típica da dupla Robson Jorge e Lincoln Olivetti.
O DESCOBRIDOR DOS SETE MARES 1983
O hit: "Me dê motivo"
Preste atenção: "Terapêutica do grito"
Novo megasucesso nacional com a ajuda de Sullivan e Massadas, novo ponto alto pra carreira de Tim.
SUFOCANTE 1984
O hit: "Bons momentos"
Preste atenção: "Ga-guejando"
Com sua fórmula azeitada, alternando entre baladas românticas e grooves, ao lado da banda Vitória Régia, Tim interpreta Dafé, Cassiano, instrumentais.
TIM MAIA IN CONCERT DVD 1989
Os hits: todas
Preste atenção: "Sossego"
Filmado no Hotel Nacional do Rio de Janeiro, Tim canta seus hits com a banda Vitória Régia e grande orquestra.
Marcadores: Black Rio, Evangelista Jornalista, FSP, Tim Maia
BLACK RIO, 1976
1 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 1 de dezembro de 2010 at 11:46 AM.


Três amigos, três discos de soul: está formado o núcleo do Black Power. Um veículo para a comunicação entre negros, não um movimento de negros. Logo acima a clássica matéria de Lena Frias no Jornal do Brasil (RIP), em 17 de julho de 1976, que oficializou e colocou na pauta o movimento Black Rio. No mesmo ano saíam o primeiro disco da equipe de som Soul Grand Prix e o álbum Maravilhas Contemporâneas de Luiz Melodia. No ano seguinte, os primeiros álbuns da Banda Black Rio e Gerson King Combo. O resto é história. Só não achei a última página da matéria, alguém tem aí?
Marcadores: abre aspas, Black Rio, VENENO soundsystem
Gilbertália
2 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 20 de setembro de 2010 at 11:25 AM.
Maior legal esse Expresso 2222, coletânea de textos centrada no Gil (já na capa de tranças e atrás de um piano elétrico desfocado), mais ou menos no molde em que o poeta Waly Salomão organizou, pela editora Pedra Q Ronca, a Caetanave Alegria, Alegria. // Abaixo, só um trecho de entrevista a Vicente Tardin, Alfredo Herkenhoff e Paulo Macedo, em 1978, com Gil comentando Cassiano ("entre João Donato e João Gilberto"), explicando a cena Black Rio e a estética negro é lindo, contando que descobriu Bob Marley pela Melody Maker e considerando os sincronismos espaço-culturais, coincidências de necessidade histórica.
Voltando à música, muita gente tem falado - Caetano e Gal Costa, inclusive - de uma certa renovação na música brasileira por parte de Cassiano, que seria um compositor black, na falta de outra definição.
Eu falo também. Adoro. Assim como João Gilberto, Cassiano é um artista importante pela sua reclusão, pela sua especificidade e especialidade. É um cara difícil, isso tudo nele é um pouco misterioso e aureolado por uma coisa de grandeza. Sabe que sonha com algo impossível, mas não abre mão desse sonho, de um cantar magnífico.
Ele lembra um pouco o Stevie Wonder.
É claro. Cassiano quer introduzir na alma brasileira o cantar de um pássaro de lá, desse pássaro soul. Tanto que o disco dele chama-se Cuban Soul. Cassiano está João Donato e João Gilberto. É aquele encontro entre o samba de João e a rumba de João Donato, ele quer ser o encontro. Isso sou eu quem digo. Cassiano não deve nem cogitar dessas coisas. Talvez não saiba o que o Donato faz, o João Gilberto com certeza ele sabe. Ele quer trazer esse universo de Caribe e Harlem para a escola de samba, para o Brasil, para o Rio de Janeiro.
É meio impossível, não?
É o sonho. Tanto não é impossível que ele faz as músicas, canta desse jeito e acaba sendo isso, criando uma geração de discípulos como Dafé, Lady Zu, Melodia, tanta gente...
O Luís Melodia também?
É sim, embora também possa nem estar ligado. Tim Maia, Melodia, todo mundo nasce desse inconsciente coletivo do qual Cassiano representa a consciência. São esse tais sincronismos espaço-culturais, históricos. De repente tem sincronia. Eu me lembro de quando o Caetano na época deixou os cabelos crescerem, e passou a assumir todas aquelas atitudes ditas rebeldes, tudo parecia muito com Dylan, Beatles e tudo mais. No entanto, a informação que Caetano tinha desses fenômenos lá fora era muito pouca, era tudo coincidência de necessidade histórica, manifestação, avatarização, você esta entendendo? Coisas assim como por que uma pirâmide no Egito e outra no México? Por que cacau? Essas migrações difíceis da história. A germinação que é feita pelo fluxo das águas e dos raios solares. Por que tem cacau na África? Por que tem essas coisas lá e cá? As tais migrações culturais do planeta. Hoje em dia então, facilitados por todo o jogo de correntes do visual, do auditivo e do psiquismo, né? Mas na época tudo aquilo em Caetano aparecia como reflexo desse sincronismo, contemporaneamente às coisas de lá, com a mesma necessidade da época.
Eu lembro quando trancei o cabelo, há dois anos, eu tinha visto a capa de um disco do Stevie Wonder, onde ele tinha os cabelos trançados de uma maneira muito parecida com o jeito nagô de trançar o cabelo, aquelas coisas da África. Mas eu fiz minhas tranças mais soltas. E eu não sabia de nada. Quando estava em Curitiba, já na excursão dos Doces Bárbaros, uma semana antes de ser preso em Florianópolis, o Chiquinho comprou aquele jornal inglês Melody Maker, que tinha uma reportagem com o Bob Marley. Foi aí que eu fiquei sabendo: eu não conhecia o Bob Marley até então e nem sabia que eles usavam o cabelo daquela forma, os rastas. Então, fiquei pensando: veja que coisa estranha, de repente me dá na cabeça de trançar os cabelos aqui, não sei bem porque, por causa da oportunidade oferecida pelos Doces Bárbaros, um espaço aberto à liberdade de experimentar um tipo ou outro de roupa, coisas deste tipo. E eles lá, começando a fazer sucesso e por acaso usando o cabelo de forma parecida, ou com a mesma intenção lúdica de partir para outro enfoque, buscar uma outra estética pro chamado negro é lindo, por aí. Então essas sincronias no mundo contemporâneo se tornam cada vez mais interessantes porque se dão quase ao mesmo instante em todo lugar. Ao mesmo tempo o inconsciente ainda tem sua atuação. Não é tudo dado pela informação fria e gerada.
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Eu insisto procurando amor
1 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quinta-feira, 20 de março de 2008 at 6:17 PM.De um especial de TV do começo dos anos 70, Elis canta com Dom Salvador e a Banda Abolição um dos maiores hits do cânone black nacional, "Uma Vida". A Abolição de Salvador foi a primeira formação musical brasileira notória dentro da onda de orgulho negro - conceitual e musical - que pegava o mundo pelo colarinho nessa época. Então, saca a manha do Luis Carlos (que pela mesma época cantou no disco do Verocai e alguns anos depois fundou a Black Rio com Oberdan) tocando bateria e mandando um proto-rap no começo da música, repara bem nos cabelos, roupas, instrumentos e estilões e me diz se a Abolição ficava devendo qualquer coisa a Sly & the Family Stone, Isley Brothers, Watts 103rd Street Rhythm Band e afins.
uma vida
uma vida não é nada
se não tem nenhum amor
um sorriso não é um riso
um sorriso não é preciso
se não tem amor
uma casa é tão fria
apenas, apenas uma moradia
sem amor
eu persigo o meu destino
meu futuro inseguro
levando sempre, sempre a minha dor
não descanso, não, eu não desisto
eu insisto
eu insisto procurando amor
alegria, alegria
é manhã de um novo dia
vou andar onde o amor levar
vou descobrir a vida
vou construir meu lar
eu vou sair de mim
eu quero me encontrar
sei que vou ser feliz
meu dia chegará
alegria, alegria
é manhã de um novo dia
Marcadores: Arthur Verocai, Banda Abolição, Black Rio, Dom Salvador, Elis Regina, Luis Carlos, Oberdan Magalhães, TV