RONALDOEVANGELISTA


Steve McQueen também curte ouvir o Kind of Blue na vitrola



E quem não curte? Miles vive.

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Velha Guarda de São Paulo






Zelão da Rosa, Nenê da Vila Matilde, Dona Danga e Paulo Portela em imagens de Wagner Celestino, parte de série de retratos da Velha Guarda do Samba Paulista, feitos entre 2003 e 2007, memórias do Carnaval da Vila Esperança. Trabalho de ouro, que demorou pra virar megaexposição, livro documentário, série de discos, o que der pra imaginar. Mais imagens por aqui.

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Fernando Catatau & Odair José



Altos simbólico o encontro, em foto de Róger Carlomagno, durante as gravações do programa Grêmio Recreativo da MTV.

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Jorge Ben, Tim Maia, Cartola, João Bosco, Gal Costa







Em fotos do fantástico baú de imagens do Dedoc da Abril, recuperados pelo blog Entre Imagens, entre várias outras, aqui e aqui.

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As Aventuras da BLITZ



Não foi só no logo da banda, inspirado no dos X-Men. A relação da Blitz com os Quadrinhos simbolizava todas a vocação pop-arte da banda, como o colorido new wave, as gírias, o humor, os músicos-personagens.

Quando da primeira tiragem do primeiro disco da Blitz, 1982, junto com o LP vinha um gibi homônimo, criado pela dupla de designers Luiz Stein e Gringo Cardia (então no estúdio A Bela Arte e, como a Blitz, em começo de carreira), com anúncios absurdos estrelados pela banda e uma HQ contando a história de "Você não soube me amar", toda feita com colagens e participações discretas de Fantasma, Madrake, Mulher-Gato.

As Aventuras da Blitz No 1, janeiro de 1982. Via Gramatologia.







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Kenny G & Miles Davis



Encontro de titãs, via feice do Kenny.

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Filhos de Gandhy

A capa de Blue Train

Em 2005, escrevi dois textos para a edição especial As 100 Maiores Capas de Disco de Todos os Tempos (não em tamanho), da revista Bizz. Abaixo, sobre Blue Train, único elepê de John Coltrane para a Blue Note.



Foi o segundo álbum de Coltrane. No mesmo ano, 1957, o saxofonista já havia gravado seu álbum de estréia na gravadora Prestige, com que mantinha contrato. Mas era fã da Blue Note e havia prometido, faria um disco lá. Segundo o jornalista e historiador Richard Cook, autor do livro Blue Note Records - The Biography, o tal álbum só não havia saído antes por um motivo bastante prosaico: no dia em que o futuro autor de álbuns como Giant Steps e A Love Supreme visitou a sede da Blue Note o gato dos donos do selo, que morava no escritório, fugiu pela janela e a visita teve que ser adiada. Mas Blue Train aconteceu, e se tornou um marco nas carreiras tanto do músico como da gravadora.

Em 57 Coltrane estava em franca ascensão, tocando com o popular quinteto de Miles Davis e, nas horas vagas, improvisando com Thelonious Monk. No começo do ano lançou seu disco de estréia como líder e pouco depois este seu primeiro álbum cinco estrelas, onde surgia acompanhado dos melhores músicos da Blue Note: Lee Morgan no trompete, Curtis Fuller no trombone, Kenny Drew no piano, Paul Chambers no baixo e Philly Joe Jones na bateria. Com cinco músicas (quatro delas novas composições), todas entre 7 e 10 minutos, o saxofonista alternava sua genialidade entre o suíngue do hard bop e a sensibilidade das baladas, com sua eloqüente voz ao tenor. E, além dos músicos estelares e do fato inspirador de se estar na melhor gravadora de jazz do mundo, a Blue Note trazia outro aspecto irresistível: as capas, sempre antológicas.

Para a capa de Blue Train, Francis Wolff fez uma sessão de fotos com Coltrane pensativo, inspirado, com alguma idéia acabando de lhe chegar à mente. A foto era tão boa e captava tão bem o espírito do disco que o designer Reid Miles não teve que fazer muito: apenas deu o tom azul à foto e distribuiu harmoniosamente a tipografia com o nome do músico (verde, em minúsculas), o título do disco (branco, em maiúsculas) e o nome da gravadora seguido do número de catálogo (cinza, minúsculo, menor). Tudo aparentemente simples e perfeitamente em seu lugar, mas de alguma maneira original, apresentando uma nova maneira de ver o que achávamos que já conhecíamos. Como a música que embalava.

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Veneno Conjunto Nacional



É o Vira Cultura, virada da Livraria, Paulista com Augusta, Conjunto Nacional, desde hoje à tarde até amanhã fim do dia. Logo mais à uma de sábado pra domingo eu chego junto sob a rampa, Espaço Vinil, representando o Veneno Soundsystem, grooves a granel, spiritual jazz, sons afro, baiões, Fafá Lemos, brasilidades setentistas. Diversão e amizade: ao longo da virada, no som, Matias, Chaka, Paulão, Brandão, Nuts, Tibira, Farinha, Frasa, Lucas, Miranda. A imagem, meramente ilustrativa, Conjunto Nacional, 1968, velho recorte.

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Dizzy Gillespie no Brasil, 1956



Agosto de 1956, Dizzy Gillespie chega ao Rio de Janeiro, banda completa: Benny Golson, Quincy Jones, Phil Woods, Melba Liston, orquestra de 16 músicos. Além da recepção na Embaixada dos Estados Unidos, apresentação na moderníssima TV Tupi - primeira emissora de televisão da América do Sul -, e grande despedida no Jóquei Clube, Dizzy fez cinco big apresentações no Teatro República, de 8 a 12 daquele mês. Parte de uma grande turnê que o trompetista estrela do bebop jazz moderno fez pelo Oriente Médio, Ásia e América do Sul com apoio do Governo de Estado norte-americano.



Cumprindo o papel de embaixador musical, Dizzy ainda aproveitou pra passar no bairro de Madureira e visitar o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, breve vídeo do momento logo acima. No Hotel Glória, do Rio de Janeiro, Dizzy fez uma grande jam com a Orquestra do Maestro Cipó, diretor musical da Tupi, cruzando os ângulos bebop com ritmo brasileiro, pré-samba-jazz. Neste CD, trecho de onze minutos desse encontro: "Cepao's samba", aliás "Cipó's Samba".



Acima o anúncio da temporada, pescado aqui, e recorte de uma página da autobiografia do Dizzy, com foto da banda. Abaixo cobertura do show do dia oito para o jornal Última Hora, do Arquivo Público do Estado de São Paulo.












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Tom em casa







Falando no Tom, imagens do fim dos anos 50 ou começo dos 60, piano, cigarro e família. Fotos de Melo para o jornal Última Hora, do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

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É madeira de vento



Tom Jobim, num telhado da vida, tocando flauta em algum momento dos anos 70.

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sabadabada

sabadabada

Não basta ser samba-jazz finesse, noneto com Raulzinho, Costita, Kuntz, Zezinho Alves, o melhor disco do mundo. Ainda tem que ter esse nome pop-fônico onomatopaico, essa capa maravilhosamente moderna e ter saído em vinil roxo, tipo 1965. Continental, Erlon Chaves, Alfredo Borba, onde vocês estavam com a cabeça? Onde quer que fosse, obrigado.

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pianoless



Falando no Chico Hamilton, Buddy Collette, anos 50, Pacific Jazz, nessa mesma entrevista Buddy prova que o improviso na vida faz parte da história do jazz e conta do primeiro ensaio, em seu apartamento, do impressionante quarteto sem piano de Gerry Mulligan, Bob Whitlock, Chico Hamilton e Chet Baker, da esquerda pra direita acima, em prosa abaixo.

*

You knew Chico Hamilton and Gerry Mulligan in 1952.
The first time that quartet rehearsed was at my apartment. Gerry was there at my place because he knew that Chico and I were friends. My apartment was at 1406 St. Andrews Place (Apt. 1). Everyone was at my place, listening to music or at parties. At first, what Gerry and Chet were doing didn’t sound too good.

Why not?
They didn’t have the right concept. Chetty was playing melody and Gerry was trying to harmonize on the baritone. But they were miles apart. Gerry was trying to do it like he would normally play.

Which was how?
Using the baritone like a bass. He was just playing harmony in same rhythm as the melody. Then he began trying counterpoint. He was moving around differently than just following the melody.

Did Mulligan know the group’s sound was all wrong at first?
Yes, they all knew it. Gerry didn’t want a piano in there. He was filling in for the piano on the baritone with notes a pianist might play if he had that instrument in the group. They finally got it and hit their sound by accident.

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CH5








Violoncelo, flauta, baixo, bateria percussiva, guitarra cristalina, pegada modernista: era o Chico Hamilton Quintet, Carson Daily, Jim Hall, Fred Katz, Buddy Collette. Nessa entrevista de uns meses atrás, do blog JazzWax, Buddy, descanse em paz, conta como surgiu o incrível combo de jazz-de-câmara, trecho abaixo.

*

You were in the original Chico Hamilton Quintet. How long had you known Chico?
I had known Chico since I was 10 years old. He lived in the area where my grandmother lived. Also Jackie Kelso. I met them at the Ross Snyder Playground in Southeast Los Angeles. I also had recorded with Chico in other groups before he put together the quintet.

How was that quintet formed?
Chico and Fred Katz were out on the road backing Lena Horne. Katz was playing piano then, with Chico on drums. Chico always wanted to start a band, especially after working with Gerry Mulligan and Chet Baker. He was a natural leader. We always talked about it when he was home in L.A. Then one day Chico and Fred quit Lena. Fred liked to play solo cello more than piano or anything. I knew about that but had never played with him.

How did you come to be in Chico’s group?
One day Chico called and said, “Bee"—that's what he called me, Bee or Mr. Bee—"we have a job at the Strollers in a week.” The Strollers was down in Long Beach, CA. I said, “I’m working with Scatman Cruthers but Scatman said he’d let me come down after a week.”

What happened next?
Chico started at the Strollers in the summer of 1955 but he didn’t have the sound that he had in mind for the group. He had hired Bob Hardaway, a tenor sax player. That group played the Strollers for a week. Then Hardaway had to leave. When I arrived, I brought in four or five tunes, like Blue Sands, that were different. Chico liked the sound, but we weren't completely there yet. Something was missing.

What instrument were you playing?
The sax, but I could tell the group needed a different sound. Chico was stirring it up. He loved to improvise—and still does. Man, Chico can do it even when he can’t. At that point, I was a good flute player and had playing it since 1940. I brought the flute in because I saw the cello and guitar and Chico improvising on the drums. I was thinking of this as a jazz-classical group. The flute would enhance that feel.

What did you think of the group’s sound?
I had to respect the cello. We had a chamber thing going. But Chico at first didn’t figure the cello to play with the band.

What do you mean?
Chico figured on having Fred continue to play piano with the group and cello during intermissions. But I didn’t know this when I came in, and I started using the flute more because I saw the cello there and knew we needed a lighter sound from me. The cello is an instrument that loves to play alone. Loves to get out in front and play any wonderful solo—picking and bowing.

So Katz played cello in between sets?
Yes, he’d play piano with the group and cello on the breaks. But Fred had a tendency to stay on stage too long on the breaks. Once he got going with the bow, there was no stopping him. One night he stayed too long, for 45 minutes or so, lost in thought while playing.

What did Chico think of Katz’s extended solo that night?
Chico didn’t like that. After 45 minutes, Fred was still out front playing away on his cello with his eyes half open in the groove. I said to Chico, “Let’s sneak on and start"—me, Chico, bassist Carson Smith and guitarist Jim Hall.”

Did you?
We got past Fred easily enough. He was still on the step to the bandstand lost in his own world. The piano where Fred was supposed to be was in the back but my horn was up front. I’m the lead player so I needed to be where people could see me.

Did Katz ever come up for air?
Everyone got in their place on stage. Then Chico started playing, and Fred finally snapped out of it. But Fred couldn't get to the piano fast enough. We were all there and were starting to play. So Fred started bowing something and I played something on the flute. We didn’t have a pianist but we did have a guitar player in Jim Hall that no one can beat. When Fred played the piano, we couldn’t really hear him anyway. As we played, Jim left space for the cello. That’s why the group’s sound was no one’s idea. It just happened by accident, as a prank that turned into a sound we all dug immediately.

Tell the truth, did you block Fred from getting to the piano?
No way. Honest. He couldn’t get back to the piano once we started, so it worked out. The chamber-jazz thing gave us freedom to explore new ways of presenting the music. Jim had a different taste than other guitarists. It was more conversational than just keeping time. It was an equal voice in the group's sound, in terms of playing and listening and responding. The group was meant to sound like all of us were having an important musical conversation.


*

Fotos de Gordon Parks do quinteto com estudantes de escultura para a Life.

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