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tendo isso tudo eu não preciso de mais nada, é claro



Em 1955, Johnny Alf gravou um 78 RPM com seu trio e provocou uma pequena comoção entre alguns bem aventurados: "Rapaz de bem", um samba descolado tocado como se fosse o King Cole Trio, com melodia muito particular e interpretação à Sarah Vaughan, como um Dick Farney menos almofadinha, com a sensibilidade à flor da pele, endiabrado mas suave. A letra, esperta e com o leve hedonismo jovem dos antigos sambas de Noel, Custódio, Geraldo, Carmen, somado com a sofisticação consciente de Gershwin e do jazz dos anos 50. Aquilo invadiu o inconsciente coletivo de toda a bossa nova e foi essencial na equação construída sobre as bases de Tom e João mas, como eles e Donato, existe à parte.



você bem sabe eu sou um rapaz de bem
e a minha onda é do vai e vem
pois com as pessoas que eu bem tratar
eu qualquer dia posso me arrumar
vê se mora

no meu preparo intelectual
é o trabalho a pior moral
não sendo a minha apresentação
o meu dinheiro só de arrumação

eu tenho casa, tenho comida
não passo fome, graças a Deus
e no esporte eu sou de morte
tendo isso tudo eu não preciso de mais nada
é claro

se a luz do sol vem me trazer calor
e a luz da lua vem trazer amor
tudo de graça a natureza dá
pra que que eu quero trabalhar?

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