Gigante Gentil
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 at 9:10 AM.
Se a busca pela beleza é o foco e a curiosidade o combustível, o caminho é infinito. Aproveitando a vinda de Doutor Yusef Lateef ao Brasil na semana que vem, liguei para Amherst, Massachussetts, para um papo sobre tão brilhante, longa e humana carreira. O resultado, no caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo de hoje, por aqui, ou expandido quase íntegra logo abaixo.

Yusef Lateef não é músico de ser apresentado como "tocou com tal lenda do jazz". Se “lenda” significa alguma coisa, ele o é por si só. E, aliás, o que faz não é jazz. Não apenas uma questão semântica, mas de formato e expressão. Se o jornalismo é construído sobre simplificações, enxugar um conceito para explicá-lo, isso é o oposto da busca de Lateef - expandir os limites e explorar as possibilidades, muito mais compositor que intérprete de standards.
Se a princípio parece estranho querer fugir do rótulo de jazz quando se gravou pela gravadora Impulse, tocou na orquestra de Dizzy Gillespie e, dizem, influenciou espiritualmente John Coltrane, é porque admitir-se jazz é admitir os limites de sua criação. O que Dr. Lateef faz é Música Autofisiopsíquica - não confundir com free jazz, que parte de pressupostos parecidos mas para implodir a própria linguagem do jazz. O ponto de Lateef é a curiosidade, a beleza. E, se o novo intimida, é o que explica Lateef não estar entre os mais conhecidos - embora esteja entre os mais respeitados por quem conhece.
Flautista, saxofonista, oboísta, claronista, um dos primeiros a se interessar profundamente por padrões musicais orientais e africanos, ainda na década de 50, Lateef foi e é até hoje, aos 90 anos, um dos mais estudiosos e expressivos inovadores com senso de naturalidade, do jazz ou não. Estudioso da beleza, com infinita curiosidade, mergulha profundo nos seus estudos e aprendizados musicais e também na própria sensibilidade, o que gera um virtuosismo de expressão individual.
Além de multiinstrumentista, pesquisador, mestre, professor, aos 90 anos continua compondo e em ocasiões especiais viaja para shows como o que fará pela primeira vez no Brasil, no teatro do Sesc Pompéia, sábado (12) e domingo (13), acompanhado de Rob Mazurek (trompete), William Parker (baixo), Jason Adasiewicz (vibrafone), Thomas Rohrer (rabeca) e Maurício Takara (percussão).
Imagino que seja um termo restritivo, mas gostaria de saber se o senhor considera sua música jazz, ou o jazz como parte de sua música.
A palavra jazz de nenhuma maneira define o que faço. Prefiro Música Autofisiopsíquica, que quer dizer do físico e da mente, do espírito e do coração.
Bem, improviso é uma busca por expressão individual, então imagino que seja onde o conceito de jazz encontra a música Autofisiopsíquica.
Mesmo a palavra improviso não é apropriada, porque a definição que conheço de improviso é fazer algo sem preparação. Se isso fosse verdade, ninguém precisaria praticar ou estudar música.
Sendo uma expressão tão íntima de cada um, o senhor acha que a música pode ter um efeito maior do que agradar os ouvidos, um alcance espiritual?
Sim, acredito que há qualidades estéticas que vêm da música, algo como para boas pessoas há boa música e para más pessoas há má música. (risos)
Essa idéia de expressão individual, música autofisiopsíquica, foi o que lhe atraiu para diferentes sons e instrumentos?
Sim, desde o começo me senti atraído por essa beleza que vem da música. Existe uma forma de arte prototípica que vem de certas músicas, mas há também outras formas de música menos aparentes. Cada país tem algo único, suas estéticas peculiares. Assim como cada pessoa tem sua linguagem. As pessoas expressam suas experiências, seus desejos, suas crenças, seu conhecimento através da música.
O senhor diria que a linguagem de uma pessoa se modifica ou continua a mesma em diferentes instrumentos?
Bem, música em si é uma linguagem e comunica idéias. Ou não comunica. Algumas idéias são claras, outras nem tanto. Há diferentes níveis de entendimento. Diferentes idéias são expressadas através de pessoas diferentes. E através de instrumentos diferentes, é claro.
Quando o senhor começou a estudar e tocar instrumentos como oboé e fagote, havia um modelo para isso ou a falta de modelo era o que lhe atraía?
Desde o começo havia exemplos. Toda a natureza é um modelo, a beleza que pode ser percebida e transmitida pela música. Um pôr-do-sol, por exemplo, é uma mensagem, algo que se sabe apreciar, algo pelo que se sabe ser afetado. Uma flor e suas pétalas expressam beleza, e simplesmente refletir sobre essa beleza... é algo que transparece na música de certos indivíduos que são sensíveis à beleza da criação.
O senhor passou quatro anos na Nigéria. Como foi a experiência?
Fiquei quatro anos, de agosto de 1981 a agosto de 1985. Eu era um pesquisador sênior na Universidade Ahmadu Bello em Zaria, na Nigéria. Minha pesquisa era um instrumento da etnia Fulani, a flauta Sarewa. Também uma de minhas funções era interagir com músicos e dramaturgos, como consultor musical. Realizamos um drama chamado Rainha Amina, baseado em uma verdadeira rainha que viveu na Nigéria há algumas centenas de anos. Chegamos a levar o espetáculo para Sofia, Bulgária, em um festival de 28 nações. Foi muito informativo.
É muito comum chamar a música que tomou forma no último século nos Estados Unidos de música afro-americana. Enquanto o senhor esteve na África, teve uma sensação de proximidade das origens?
Sim. Descobri que muitos temas comuns ao blues - blues de 12 compassos, blues modal e talvez toda a música da América - foram herdados da música dos povos Tiv - para citar um entre centenas de grupos étnicos na Nigéria. Pesquisei uma forma musical que eles chamam de Canções Órfãs. Muitas vezes eles cantam as mesmas canções, às vezes até com as mesmas palavras, mas em diferentes melodias. Alguém que perdeu a mãe, por exemplo, cantaria “ó mãe, se você estivesse aqui eu não estaria passando pelos problemas por que passo agora” ou “ó mãe, se eu tivesse sido bom não sentiria esse peso no coração”. A mesma construção de frases, as mesmas histórias típicas de sofrimento etc que você encontra no blues americano, você encontra nas Canções Órfãs na Nigéria.
Doutor Lateef, quando ouço sua música tenho uma profunda sensação de humanidade. Essa é uma definição de sua música que o agrada?
Aahh, sim. Fico tão feliz. Amo a humanidade e quando minha música toca o coração sinto como se tivesse sido um recipiente para comunicar algumas das belezas da criação.
Depois de tantas coisas que o senhor fez, há algo que o deixe especialmente orgulhoso, que você carregue com um carinho especial?
Bem, não sou orgulhoso. Tento não ficar. Tento ser humilde e servil e grato, essas são minhas aspirações.
O senhor completou 90 anos há poucos meses. Tem trabalhado muito?
Acabo de terminar minha série de sinfonias. Estou trabalhando em uma ópera. Se for a vontade de Deus, a terminarei.

Yusef Lateef não é músico de ser apresentado como "tocou com tal lenda do jazz". Se “lenda” significa alguma coisa, ele o é por si só. E, aliás, o que faz não é jazz. Não apenas uma questão semântica, mas de formato e expressão. Se o jornalismo é construído sobre simplificações, enxugar um conceito para explicá-lo, isso é o oposto da busca de Lateef - expandir os limites e explorar as possibilidades, muito mais compositor que intérprete de standards.
Se a princípio parece estranho querer fugir do rótulo de jazz quando se gravou pela gravadora Impulse, tocou na orquestra de Dizzy Gillespie e, dizem, influenciou espiritualmente John Coltrane, é porque admitir-se jazz é admitir os limites de sua criação. O que Dr. Lateef faz é Música Autofisiopsíquica - não confundir com free jazz, que parte de pressupostos parecidos mas para implodir a própria linguagem do jazz. O ponto de Lateef é a curiosidade, a beleza. E, se o novo intimida, é o que explica Lateef não estar entre os mais conhecidos - embora esteja entre os mais respeitados por quem conhece.
Flautista, saxofonista, oboísta, claronista, um dos primeiros a se interessar profundamente por padrões musicais orientais e africanos, ainda na década de 50, Lateef foi e é até hoje, aos 90 anos, um dos mais estudiosos e expressivos inovadores com senso de naturalidade, do jazz ou não. Estudioso da beleza, com infinita curiosidade, mergulha profundo nos seus estudos e aprendizados musicais e também na própria sensibilidade, o que gera um virtuosismo de expressão individual.
Além de multiinstrumentista, pesquisador, mestre, professor, aos 90 anos continua compondo e em ocasiões especiais viaja para shows como o que fará pela primeira vez no Brasil, no teatro do Sesc Pompéia, sábado (12) e domingo (13), acompanhado de Rob Mazurek (trompete), William Parker (baixo), Jason Adasiewicz (vibrafone), Thomas Rohrer (rabeca) e Maurício Takara (percussão).
Imagino que seja um termo restritivo, mas gostaria de saber se o senhor considera sua música jazz, ou o jazz como parte de sua música.
A palavra jazz de nenhuma maneira define o que faço. Prefiro Música Autofisiopsíquica, que quer dizer do físico e da mente, do espírito e do coração.
Bem, improviso é uma busca por expressão individual, então imagino que seja onde o conceito de jazz encontra a música Autofisiopsíquica.
Mesmo a palavra improviso não é apropriada, porque a definição que conheço de improviso é fazer algo sem preparação. Se isso fosse verdade, ninguém precisaria praticar ou estudar música.
Sendo uma expressão tão íntima de cada um, o senhor acha que a música pode ter um efeito maior do que agradar os ouvidos, um alcance espiritual?
Sim, acredito que há qualidades estéticas que vêm da música, algo como para boas pessoas há boa música e para más pessoas há má música. (risos)
Essa idéia de expressão individual, música autofisiopsíquica, foi o que lhe atraiu para diferentes sons e instrumentos?
Sim, desde o começo me senti atraído por essa beleza que vem da música. Existe uma forma de arte prototípica que vem de certas músicas, mas há também outras formas de música menos aparentes. Cada país tem algo único, suas estéticas peculiares. Assim como cada pessoa tem sua linguagem. As pessoas expressam suas experiências, seus desejos, suas crenças, seu conhecimento através da música.
O senhor diria que a linguagem de uma pessoa se modifica ou continua a mesma em diferentes instrumentos?
Bem, música em si é uma linguagem e comunica idéias. Ou não comunica. Algumas idéias são claras, outras nem tanto. Há diferentes níveis de entendimento. Diferentes idéias são expressadas através de pessoas diferentes. E através de instrumentos diferentes, é claro.
Quando o senhor começou a estudar e tocar instrumentos como oboé e fagote, havia um modelo para isso ou a falta de modelo era o que lhe atraía?
Desde o começo havia exemplos. Toda a natureza é um modelo, a beleza que pode ser percebida e transmitida pela música. Um pôr-do-sol, por exemplo, é uma mensagem, algo que se sabe apreciar, algo pelo que se sabe ser afetado. Uma flor e suas pétalas expressam beleza, e simplesmente refletir sobre essa beleza... é algo que transparece na música de certos indivíduos que são sensíveis à beleza da criação.
O senhor passou quatro anos na Nigéria. Como foi a experiência?
Fiquei quatro anos, de agosto de 1981 a agosto de 1985. Eu era um pesquisador sênior na Universidade Ahmadu Bello em Zaria, na Nigéria. Minha pesquisa era um instrumento da etnia Fulani, a flauta Sarewa. Também uma de minhas funções era interagir com músicos e dramaturgos, como consultor musical. Realizamos um drama chamado Rainha Amina, baseado em uma verdadeira rainha que viveu na Nigéria há algumas centenas de anos. Chegamos a levar o espetáculo para Sofia, Bulgária, em um festival de 28 nações. Foi muito informativo.
É muito comum chamar a música que tomou forma no último século nos Estados Unidos de música afro-americana. Enquanto o senhor esteve na África, teve uma sensação de proximidade das origens?
Sim. Descobri que muitos temas comuns ao blues - blues de 12 compassos, blues modal e talvez toda a música da América - foram herdados da música dos povos Tiv - para citar um entre centenas de grupos étnicos na Nigéria. Pesquisei uma forma musical que eles chamam de Canções Órfãs. Muitas vezes eles cantam as mesmas canções, às vezes até com as mesmas palavras, mas em diferentes melodias. Alguém que perdeu a mãe, por exemplo, cantaria “ó mãe, se você estivesse aqui eu não estaria passando pelos problemas por que passo agora” ou “ó mãe, se eu tivesse sido bom não sentiria esse peso no coração”. A mesma construção de frases, as mesmas histórias típicas de sofrimento etc que você encontra no blues americano, você encontra nas Canções Órfãs na Nigéria.
Doutor Lateef, quando ouço sua música tenho uma profunda sensação de humanidade. Essa é uma definição de sua música que o agrada?
Aahh, sim. Fico tão feliz. Amo a humanidade e quando minha música toca o coração sinto como se tivesse sido um recipiente para comunicar algumas das belezas da criação.
Depois de tantas coisas que o senhor fez, há algo que o deixe especialmente orgulhoso, que você carregue com um carinho especial?
Bem, não sou orgulhoso. Tento não ficar. Tento ser humilde e servil e grato, essas são minhas aspirações.
O senhor completou 90 anos há poucos meses. Tem trabalhado muito?
Acabo de terminar minha série de sinfonias. Estou trabalhando em uma ópera. Se for a vontade de Deus, a terminarei.
Marcadores: Entrevista, Evangelista Jornalista, FSP, jazz, Mauricio Takara, Rob Mazurek, Vamo?, Yusef Lateef
Olé Unlimited
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 13 de setembro de 2010 at 12:08 AM.
Mix nova, jazz elevado de acordes profundos e melodias d'alma, naipes e solos e vamps e riffs, quase tudo de novidades recentes, a maioria achados do Rio.
McCoy Tyner - Effendi (1963)
Charles Mingus - II B.S. (1963)
Max Roach - Nommo (1966)
Harold Land - Angel Dance (1967)
Victor Assis Brasil - Stolen Stuff (1968)
Morris Wilson Beau Bailey Quintet - Paul's Ark (1970)
Horace Silver - That Healin' Feelin' (1970)
Donato - Lunar Tune (1970)
Rudolph Johnson - Diswa (1971)
Marcadores: dj evan, jazz, mixtapes, RJ10, vinilândia
Max Roach Combo, Baden Baden, 1964
1 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quinta-feira, 12 de agosto de 2010 at 3:04 PM.Que arraso de estilo, performance, expressão, espiritualidade, economia, eloqüência, dinâmica, enquadramento, cenário, luz, figurino, som, imagem. Ponto alto do jazz, da TV, da humanidade. Abbey Lincoln na voz, seu marido Max Roach na bateria, Eddie Kahn no contrabaixo, Coleridge Perkinson no piano e Clifford Jordan no sax tenor, tocando em Baden Baden, janeiro de 1964. No primeiro vídeo, já impactante, "Driva Man" e "Tears for Johannesburg". No segundo, o dueto de voz primal e bateria mais rápida que o olhar de "Prayer", colado em "Protest", colado em "Peace". No terceiro, todo o esplendor de "All Africa" (Banto, Zulu, Watusi, Ashanti...). No quarto, o spiritual jazz "Freedom Day". É a intensa e revolucionária "Freedom Now Suite", do espetacular álbum We Insist!, 1960.
(Valeu, Titcha.)
Marcadores: Abbey Lincoln, jazz, Max Roach, TV
Placebo
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 16 de julho de 2010 at 12:08 PM.Bélgica, anos 70, bigodes, piano elétrico, groove, sopros expressionistas e jazz modernista: Marc Moulin e sua inacreditável banda Placebo em uma noite especial, tocando "Showbiz Suite", "Only Nineteen" e "Planes", captado para o filme "Three Days in April", da TV belga RTB. O futuro do jazz está em 1974.
Marcadores: jazz, Marc Moulin, Olé, Placebo, TV
Olé, Mix
1 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 12 de julho de 2010 at 6:31 PM.
Grooves de piano elétrico e flauta, improvisos de trombone e sax, órgão nervoso, vibrafone com auá, escaleta futurista e synths vintage. Em discotecagem fonomecânica, todo domingo, Olé. Para levar no conforto do fone de ouvido, só baixar aqui. Ouvir já, play abaixo.
Zé Rodrix - Receita de Bolo 1973
Donato/Deodato - Where's JD? 1972
Mulatu - Munaye 1972
Bobbi Humphrey - Jasper Country Man 1973
Weldon Irvine - Homey 1972
Yusef Lateef - Jungle Plum 1972
Johnny Hammond - The Prophet 1972
Little Richard - Nuki Suki 1972
Clarence Wheeler - Broasted or Fried 1971
Henry Franklin - Plastic Creek Stomp 1971
Marvin Gaye - 'T' Plays It Cool 1972
Black Forest
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on domingo, 11 de julho de 2010 at 4:43 PM.Se Produções Musicais da Floresta Negra - significado da sigla MPS - parece um nome dark, é porque você ainda não deu play e viu que a Floresta Negra é na verdade o paraíso: estúdio no meio do nada na Alemanha, dedicado a gravar as idéias mais interessantes dos melhores músicos de jazz. Fundado no fim dos 60 e com auge nos anos 70, MPS lançou centenas de discos, de jazz europeu, americano, brasileiro. Alguns melhores momentos em megadownload aqui. E tem esse documentário, trailer acima, à venda aqui. Se liga nos discos do Rainer Trüby e sua balada jazz. Alguém disse Olé?
Strata-East
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 29 de junho de 2010 at 11:12 AM.

Flying Dutchman, Kudu, Black Jazz, MPS, Tribe, são vários os selos inacreditáveis que lançavam discos maravilhosamente sem limites dos melhores músicos de jazz e grooves dos anos 70. Mas poucos foram tão longe quanto a Strata-East, fundada pelo trompetista Charles Tolliver, com álbuns de Pharoah Sanders, Gil Scott-Heron, Juju, Weldon Irvine, Cecil McBee, Cecil Payne, Mtume, M'Boom. Para expandir um pouco a mente neste começo de inverno, duas compilações de faixas da gravadora: Soul Jazz Love Strata-East e Strata-2-East.
Marcadores: dl, Espiritual, jazz, Strata-East
Deep End
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 8 de junho de 2010 at 12:01 AM.
Muito preza essa mix nova do Gilles Peterson, cheia de de jazz espirituais e grooves impecáveis. Dá o play e uma olhada nas músicas, só coisa muito escavada e muito, muito boa. Fonte inesgotável: o mundo é sempre muito maior do que você pode imaginar.
01 - max roach - motherless child (atlantic)
02 - leroy vinegar - doing that thing (joy)
03 - stanley cowell - travelling man (arista)
04 - mary lou williams - free spirits (steeplechase)
05 - music inc - wilpan's walk (strata east)
06 - bobby jackson - paul's akr (ninth note)
07 - dewey redman - for eldon (freedom)
08 - shintaro quartet - sweet and sour sound (streetnoise)
09 - mtume - yebo (third street)
10 - roy ayers - hey uh- what you say come on (polydor)
11 - ken mcIntyre sextet - miss priss (steeplechase)
12 - trindade - capoeira (tapecar)
13 - cheik tidiane fall - black snow (freebird)
14 - chico freeman - crossing the sudan (contemporary)
15 - christian vander - colchique dans les pres (palm)
16 - takeo moriyama - watarase (denon)
17 - earl and carl grubbs - two wives (muse)
Marcadores: Gilles Peterson, jazz, mixtapes, Olé
casualmente
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 11 de setembro de 2009 at 3:20 AM.Concentração é uma coisa louca: a diferença entre uma lembrança bem vivida e uma idéia genial congelada nas intenções é um segundo, o foco, o ato. Jazz, assim como a vida, funciona melhor de improviso. A gente só planeja a vida até a hora de viver, aí é do jeito que vai, casualmente. Você ouve quem tá do seu lado, saca o tom, pesca e joga idéias, raciocínios, frases e ações. Se estiver concentrado no que está vivendo, tira de letra. // Em 17 de janeiro de 1961 Dizzy Gillespie foi ao programa Jazz Casual, do Colunista Sindicado Ralph J. Gleason, com tique de intelectual e considerações de almanaque. E falou improvisando, com composições, solos e banda. // Inacreditáveis os dedos elásticos de um dos grandes, aqui no piano, Lalo Schifrin (comece pelo último vídeo) e as convenções dinâmicas da formação clássica do hard bop: quinteto; trompete, sax, piano, baixo, bateria. Enquanto a música atinge níveis celestiais de ebulição, Dizzy enche a bochecha, levanta o trompete e mantém o olhar calmo. Leo Wright esbanja sutileza de comunicação, rápido ou devagar, em alto ou baixo volume, na flauta ou no sax alto. Bob Cunningham no baixo e Chuck Lampkin na bateria tocam como se não houvesse amanhã, nem daqui a pouco, nem nada além de agora. Pura concentração, intensidade, devoção. // Trilha do nascimento do pensamento moderno; influência imediatamente direta pros afro-sambas e pra tantos trios e combos do samba-jazz; das últimas grandes esquerdas do jazz antes da implosão final do free.
Marcadores: Dizzy Gillespie, jazz, Lalo Schifrin, samba-jazz, TV
Se você precisa perguntar, é porque nunca vai saber
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 27 de maio de 2008 at 12:39 AM.
Já está virando tradição: todo dia, entre meia-noite e uma, rola na Rádio Cultura um programa de jazz que tem me surpreendido. A seleção musical é absolutamente impecável: nada óbvia e nem por isso hermética. As conexões são criadas: você fica sabendo quem toca cada instrumento e em que ano foi feita aquela gravação, sem pedantismo e sem quebrar o ritmo. O bom gosto impera: já ouvi de Art Blakeys raros a Waltel Brancos funkeados a Vitor Assis Brasis com Dom Salvadores. Segundo a voz me anuncia, o roteiro e a seleção musical são de Vilmar Bittencourt.