é um direito que me assiste
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 at 11:04 AM.
A Andreia Dias recentemente fez uma turnê ali pela Europa, no embalo do Womex. Num pico em Paris, aproveitou pra lançar música nova, mais uma de boa safra, mesmo esquema delicioso de pop desavergonhado e língua-na-bochecha:
hoje eu acordei tão triste
mas é um direito que me asiste
hoje eu acordei tão só
tava me sentindo o pó da rabiola
hoje eu acordei tão tarde
é uma preguiça que me invade
hoje eu acordei borocoxó
tava sem vontade
de chutar o balde
hoje eu acordei tão triste
mas é um direito que me asiste
hoje eu acordei tão só
tava me sentindo o pó da rabiola
hoje eu acordei tão tarde
é uma preguiça que me invade
hoje eu acordei borocoxó
tava sem vontade
de chutar o balde
Marcadores: A melhor música do mundo, andreia dias, Boa Nova
Pensamento massa
5 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 6 de agosto de 2008 at 4:37 PM.Viu o clipe novo da Andreia Dias? Meio cafona - e por isso mesmo sensacional. A música é uma nova, meio jazzy, totalmente pop, das melhores dela.
A Andreia tem uma cara-de-pau, uma disposição a uma doçura cínica que é refrescante no mar de obviedades em que nadam tantas cantoras brasileiras. Com sua postura anti-frescuras, suas letras direto-ao-ponto, sua estética sem firulas e sua feminilidade pós-feminismo, ela já sai ganhando simplesmente por ser uma pessoa de carne-e-osso, cheia de idiossincrasias. Não que ela não viva um personagem, todo artista pop o faz. A pequena diferença é que o personagem dela é mais divertido, mais cheio de referências interessantes, mais surreal e mais real. Ou seja, passando longe do principal mal que acomete as novas cantoras: se perder naquele momento crucial de definir sua persona.
A pressão que elas próprias colocam sobre si mesmas, o peso da construção de uma tal "carreira", a expectativa da imprensa e dos descobridores profissionais de novidades, os moldes que existem há tanto tempo que já se tornaram clichês de postura, visual, escolha de repertório, bom-mocismo: tudo isso se somatiza e se transforma em um medo de ousar, uma genericidade que persegue nove em cada dez novas cantoras. Há de se levar em conta também a explícita falta de talento de algumas, mas isso, por cavalheirismo, a gente não comenta.
De qualquer maneira, talento, criatividade e disposição à inovação não faltam em Andreia. Debochada, assanhada, com alma de metaleira e espírito de sambista, ela é o tipo que você corre o risco de encontrar no boteco da esquina depois do próprio show, sem quaisquer diferenças claras entre a mulher no palco e fora dele. Com senso de humor agudo e sem medo do mundo, ela segue a tradição das cantoras que batem o pau na mesa. Metaforicamente falando, é claro.
E isso tudo só comentando perifericamente o quanto ela é ótima compositora, o quanto são boas suas interpretações e o quanto seu disco é dos melhores dos últimos tempos. Essa música aí em cima, em especial, tem um certo quê de Rita Lee pós-pós-Mutantes que, acidental ou não, não é mera coincidência: a doçura, a acidez, a ironia, a paulistanidade, a inteligência pop, a individualidade artística, são várias as semelhanças entre as duas. Mas, mais do que isso: vejo e ouço um quê de Peggy Lee, Anita O'Day, Lily Allen.
Em comum há o fato da música de todas ser perfeitamente pop, mas sempre com algo levemente fora de lugar, só o suficiente para te deixar curioso. Aquela eterna ousadia de, com um sorriso de canto de boca, fazer sempre questão de confundir para explicar.
*

Falando nisso, viu que a Andreia participou do disco novo do Tom Zé? Ela e Anelis Assumpção, Mariana Aydar, Tita Lima, Marina de La Riva, Zélia Duncan, Fernanda Takai, Fabiana Cozza, Jussara Silveira, Monica Salmaso.
Marcadores: andreia dias, Boa Nova
carapuça
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 17 de março de 2008 at 10:03 AM.
você diz que não me compreende
que não me entende e que sente horror
dessa vida louca que ando levando
desvairado amor
não percebeu que acabou-se o tempo
em que ficava ouvindo seu lamento
minha paciência se acabou
tchau, fui, adiós
olhe
não me incomode
não me dê bode
me deixe em paz
eu não quero te ver mais
você se acha o mais esperto, o mais envolvido
sabichão com diploma, todo esclarecido
sempre por dentro da situação
o mais malandro, o mais sagaz, o mais bonito
mas o que você não sabe, amigo
é que o mundo não gira em torno do seu umbigo
olhe
não me incomode
não me dê bode
me deixe em paz
eu não quero te ver mais
que não me entende e que sente horror
dessa vida louca que ando levando
desvairado amor
não percebeu que acabou-se o tempo
em que ficava ouvindo seu lamento
minha paciência se acabou
tchau, fui, adiós
olhe
não me incomode
não me dê bode
me deixe em paz
eu não quero te ver mais
você se acha o mais esperto, o mais envolvido
sabichão com diploma, todo esclarecido
sempre por dentro da situação
o mais malandro, o mais sagaz, o mais bonito
mas o que você não sabe, amigo
é que o mundo não gira em torno do seu umbigo
olhe
não me incomode
não me dê bode
me deixe em paz
eu não quero te ver mais
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