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Dizzy Gillespie no Brasil, 1956



Agosto de 1956, Dizzy Gillespie chega ao Rio de Janeiro, banda completa: Benny Golson, Quincy Jones, Phil Woods, Melba Liston, orquestra de 16 músicos. Além da recepção na Embaixada dos Estados Unidos, apresentação na moderníssima TV Tupi - primeira emissora de televisão da América do Sul -, e grande despedida no Jóquei Clube, Dizzy fez cinco big apresentações no Teatro República, de 8 a 12 daquele mês. Parte de uma grande turnê que o trompetista estrela do bebop jazz moderno fez pelo Oriente Médio, Ásia e América do Sul com apoio do Governo de Estado norte-americano.



Cumprindo o papel de embaixador musical, Dizzy ainda aproveitou pra passar no bairro de Madureira e visitar o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, breve vídeo do momento logo acima. No Hotel Glória, do Rio de Janeiro, Dizzy fez uma grande jam com a Orquestra do Maestro Cipó, diretor musical da Tupi, cruzando os ângulos bebop com ritmo brasileiro, pré-samba-jazz. Neste CD, trecho de onze minutos desse encontro: "Cepao's samba", aliás "Cipó's Samba".



Acima o anúncio da temporada, pescado aqui, e recorte de uma página da autobiografia do Dizzy, com foto da banda. Abaixo cobertura do show do dia oito para o jornal Última Hora, do Arquivo Público do Estado de São Paulo.












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casualmente







Concentração é uma coisa louca: a diferença entre uma lembrança bem vivida e uma idéia genial congelada nas intenções é um segundo, o foco, o ato. Jazz, assim como a vida, funciona melhor de improviso. A gente só planeja a vida até a hora de viver, aí é do jeito que vai, casualmente. Você ouve quem tá do seu lado, saca o tom, pesca e joga idéias, raciocínios, frases e ações. Se estiver concentrado no que está vivendo, tira de letra. // Em 17 de janeiro de 1961 Dizzy Gillespie foi ao programa Jazz Casual, do Colunista Sindicado Ralph J. Gleason, com tique de intelectual e considerações de almanaque. E falou improvisando, com composições, solos e banda. // Inacreditáveis os dedos elásticos de um dos grandes, aqui no piano, Lalo Schifrin (comece pelo último vídeo) e as convenções dinâmicas da formação clássica do hard bop: quinteto; trompete, sax, piano, baixo, bateria. Enquanto a música atinge níveis celestiais de ebulição, Dizzy enche a bochecha, levanta o trompete e mantém o olhar calmo. Leo Wright esbanja sutileza de comunicação, rápido ou devagar, em alto ou baixo volume, na flauta ou no sax alto. Bob Cunningham no baixo e Chuck Lampkin na bateria tocam como se não houvesse amanhã, nem daqui a pouco, nem nada além de agora. Pura concentração, intensidade, devoção. // Trilha do nascimento do pensamento moderno; influência imediatamente direta pros afro-sambas e pra tantos trios e combos do samba-jazz; das últimas grandes esquerdas do jazz antes da implosão final do free.

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