As Aventuras da BLITZ
1 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 at 9:40 AM.Não foi só no logo da banda, inspirado no dos X-Men. A relação da Blitz com os Quadrinhos simbolizava todas a vocação pop-arte da banda, como o colorido new wave, as gírias, o humor, os músicos-personagens.
Quando da primeira tiragem do primeiro disco da Blitz, 1982, junto com o LP vinha um gibi homônimo, criado pela dupla de designers Luiz Stein e Gringo Cardia (então no estúdio A Bela Arte e, como a Blitz, em começo de carreira), com anúncios absurdos estrelados pela banda e uma HQ contando a história de "Você não soube me amar", toda feita com colagens e participações discretas de Fantasma, Madrake, Mulher-Gato.
As Aventuras da Blitz No 1, janeiro de 1982. Via Gramatologia.
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nouvelle strip
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 11 de janeiro de 2011 at 12:12 PM.
(Imagem daqui)
Não existem limites para idéias. Prova diária e inspiração infinita é Laerte, com a liberdade e criatividade sem fins de suas tiras, histórias, pensamentos, figura. Suas pequenas observações externas de grande ressonância interna de todo dia estão entre as melhores coisas desenhadas, escritas, pensadas do mundo hoje. Em ótima entrevista para o Gonzo, para a Vice, comentou a tal fase atual dos últimos anos das suas tiras (que chamou, em tom de piada, com o irresistível título do post), de experimentações formais, narrativas e poéticas e beleza absurda. Ou antes, um passo:
Lembro de uma entrevista do Chico Buarque que foi decisiva. Ele disse que a canção era uma linguagem típica do século XX, e que os tempos estavam mudando, e que novas direções estavam se apontando. E eu transportei para a minha área e fiquei pensando que é muito possível isso no quadrinho.
Eu me baseava em uma experiência que tive no Capão Redondo, onde propus uma ideia de fazer um Salão de Humor do Capão Redondo, há uns anos. Eu achava que ali tinha um potencial de linguagem, uma demanda de coisas que estavam bloqueadas pela marginalização das periferias. Comecei a me entender com eles, através do Instituto Sou da Paz, e percebi que na verdade eles não queriam aquilo, não batia com a realidade do Capão Redondo.
O que apontava ali era outra coisa, que eu não consegui entender direito o que era, mas que identifiquei na profusão e na maneira forte pela qual eles se expressavam na própria pele e nos muros, que são a pele da cidade: grafites, pixações e tatuagens. Eu ficava pensando que isso tem muito pouco a ver com o CARTUM, de SALÃO, de Piauí, de Piracicaba, todos esses momentos.
E aí comecei a pensar se eu também não estava repisando, dentro do meu processo individual.


(Imagem daqui)
Se em colagens, gags visuais, cartuns, tiras Laerte já é mestre da inteligência sensível, em narrativas longas é brilhante, como n'As Aventuras Rocambolescas de Dionisio Galalau, A Noite dos Palhaços Mudos e a recente e semi-autoral Eu, Travesti. Somando bons agouros para o futuro, na entrevista ainda comentou de plano próximo, pra trazer esperança ao futuro:
Eu continuo pensando em fazer graphic novels, tenho uma ideia sendo gestada, para a Companhia das Letras. Ainda está meio vago, quero fazer algo nesse clima de autobiografia, e que contemple também essa história que eu vivi, social, política, afetiva, vamos dizer um pós Laertevisão.
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meu individualismo
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 at 1:24 AM.
Gabrielle Bell, só mais um exemplo dessa nossa era de ouro dos quadrinhos anti-hype.
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Amazing Stories
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 17 de setembro de 2010 at 10:09 AM.
Outro fruto do Rio: Arnaldo me apresentou este Homens do Amanhã, interessantíssimo livro da Conrad de uns anos atrás sobre a criação do mercado americano de histórias em quadrinhos, leia-se história do crescimento da América industrializada, da expansão e desabrochar da cultura judaica em NY no começo do século XX, da evolução da baixa-literatura dos pulps e da invenção dos quadrinhos como pilar cultural do entretenimento de massa - pra não falar em arte.
Jerry Siegel & Joe Schuster nerds criando o Super-Homem, Jack Kirby valentão do gueto desenhando tiras e o Fantastic Four, Steve Ditko escrevendo histórias de terror, Jack Cole inventando o Homem-Borracha, Harvey Kurtzman bolando a Mad, Bill Gaines com a Tales from the Crypt e afins, Will Eisner jovem empresário investindo e revolucionando no Spirit, as influências e inspirações e flutuares de uma indústria (pra não falar em forma de arte) que se inventa enquanto vai.
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so much to worry about, so little time
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 14 de julho de 2010 at 2:11 PM.

Vida simples é um negócio complexo.
Descanse em paz, Harvey.
(Imagens daqui.)
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CACHALOTE
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 28 de junho de 2010 at 1:12 PM.
Peguei sábado à tarde e li o mais devagar que consegui, pra economizar. Pelo menos duas ou três vezes a pausa na leitura foi inevitável, pra assimilar, tomar fôlego ou ecoar emoções. Sabia que seria muito bom, mas não estava preparado para tanto. Impressionante demais, pelos planos, cenários, expressões, luzes e sombras dos desenhos absurdos do Rafael Coutinho, pela delicadeza bruta e sutileza inteligente do Daniel Galera, pelo carisma e anti-carisma dos personagens, pela poesia crua das situações, pela riqueza das histórias e o que não é contado nelas, pelo ritmo perfeito de som e silêncio, pausas e movimento, diálogos e desenhos. Meio Palhaços Mudos, Mutarelli, Love & Rockets, cinema, nossas vidas. Tipo assim, um cruzamento bem pós-moderno, ou melhor, pós-modernista, de Esperando Godot com Pulp Fiction, também com umas paradas meio Oldboy no meio.
Marcadores: Cachalote, Daniel Galera, Quadrinhos, Rafael Coutinho
this is... magic
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 11 de junho de 2010 at 12:25 PM.




Como são bonitos os estilos, traços, cores, expressões, diálogos, passagens, ingenuidades, intenções, idéias dos quadrinhos dos anos 60 e 70 de autores como John Romita, Jack Kirby, Steve Ditko. Do Ditko, a história acima, cinco páginas sobre a lenda do viking escandinavo Thor, daqui. Repare no detalhe de uma estranha luz numa caverna secreta emanando misteriosos raios de energia sobre nosso herói. Meio familiar?
Marcadores: Quadrinhos, Steve Ditko
J. Carlos
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on domingo, 14 de fevereiro de 2010 at 9:48 AM.Se o programa é bom, não sei, mas J. Carlos é o que há. Ilustrador do começo do século, nas revistas Fon-Fon, Careta, Paratodos; alta sofisticação na representação dos trajes, modos, comportamento, idéias da época e local - no caso, Rio, primeiras décadas do século passado. É a história do nosso imaginário em traços perfeitos, registro e criação dos primeiros sinais de modernidade vistos a olhos nu.
Até onde sei, alguns de seus trabalhos saíram em livros, em edições limitadas, patrocinadas e distribuídas, sem nem chegar a ser vendidas. J. Carlos valia, no mínimo, edições como as que tem feito a vida pós-internet de editoras como Fantagraphics, com seus Peanuts completos, os Explainers do Jules Feiffer, Krazy Kat, Walt Kelly, Arquivos do Steve Ditko, ou a pequena Sunday, com seus Little Nemos no tamanho original, Winsor McKay em todo seu esplendor.
O breve documentário A Figura da Capa (com o teaser nem tão encorajador acima) foi dirigido pelo neto do J.Carlos, Zé Brito Cunha, e passa hoje, 20h30, no Futura.
Marcadores: J. Carlos, Quadrinhos, TV
Ano novo
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 at 2:38 AM.
Feliz 1910!
(daqui)
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Jules Feiffer: Explainers
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 12 de novembro de 2008 at 9:05 AM.
Falando no Jules Feiffer, puxo o assunto desse livrinho fenomenal. A editora indie Fantagraphics continua no mesmo estilo cheio de capricho e feito-com-amor das já históricas séries Complete Peanuts, Complete Crumb, o Cat do Gene Deitch e daí por diante e chegou em outra pedra de toque dos quadrinhos-como-arte: Explainers, o magnum opus de Jules Feiffer, coletânea de tiras publicadas no jornal Village Voice. Esse primeiro volume, que saiu há poucos meses, traz os primeiros dez anos da tira, entre 1956 e 1966. Se seguirem a fórmula campeã dos Peanuts, ano que vem sai mais e no outro e no outro mais, até a série ficar completa.
Depois de ser assistente de Will Eisner e até pilotar alguns episódios de Spirit solo, Feiffer virou escritor sério de teatro, cinema, revistas, livros e até quadrinhos. Na imediata ressaca do pós-hippie no começo dos anos 70, ele era ícone da galera que falava a real, mas também não dava muita pelota. Com notação desencantada do comportamento humano, senso de humor existencialista, diálogos ácidos e timing impecável, Feiffer é algo como um Woody Allen dos cartuns; ou pelo menos da mesma tradição que desemboca em Seinfeld, Larry David e tantas outras variações recentes ou nem tanto do intelectual-judeu-de-Nova-York.
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Onde estão os heróis de outrora?
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 11 de novembro de 2008 at 10:28 PM.
Mas aí depois da 2a Guerra veio a guerra da Coréia, e a bomba atômica foi superada pela de hidrogênio, e todo mundo começou a pensar em abrigos antinucleares, enfim, finalmente se delineou claramente aquilo a que Karen Horney chama "a personalidade neurótica do nosso tempo". A Psicanálise tornou-se uma realidade quotidiana, a televisão e a propaganda começaram a fazer do homem um consumidor, as ideologias em conflito estavam mais rampantes do que nunca. O homem descobriu que o seu mundo tinha virado bagunça enquanto ele dormia e, quando ele acordou, estava neurótico.
As personalidades de Jules Feiffer refletem toda essa confusão. São magrinhas, frágeis, doentes. Só têm problemas. Uma historinha do Feiffer mostra um super-homem raquítico atravessando a rua, quando passa um carro e espinga lama na sua roupa. "É sempre assim - diz ele - outro dia fui ajudar uma velhinha a atravessar a rua; ela olhou pra mim com uma cara furiosa e perguntou se eu tinha uma compulsão neurótica a ajudar as pessoas. Aí passou uma garota e disse que a minha capa devia ser uma saia e que eu era um homossexual latente. Ninguém acredita mais em mim..."
Feiffer descreve o seu público sofisticado com suas personagens neuróticas. Satiriza os conformistas e os não-conformistas, os que fazem análise e os que não fazem análise, os que pertencem a turminhas e os que pertencem a turminhas antiturminhas. As histórias em quadrinhos, com Feiffer, nem têm mais quadrinhos. E as personagens também não falam mais através de nuvenzinhas. A gente diria que é um mundo estranho, se não reconhecesse tanto o mundo atual. Os temas não são os temas clássicos tipo mocinho-salva-mocinha-acorrentada; o próprio mocinho, ou melhor, a própria alma do mocinho, está acorrentada a preconceitos, a dependências, a problemas, a esquemas. O herói feifferiano, antes de querer libertar a mocinha, tem de libertar a sua própria alma. O mundo do Feiffer seria dramático - se não fosse tão engraçado. Ridendo, Feiffërus castigat mores.
Com Feiffer, o herói das histórias em quadrinhos deixa de ser um mito para ser uma pessoa como qualquer um. De repente, o mito desaparece e o homem que não supera isso imediatamente enfossa. Sem exceção nenhuma, todos os heróis de Feiffer estão na mais negra das fossas. As vítimas preferidas deste desenhista são os racionalistas, os pensadores, os intelectuais que intelectualizam tudo - até as histórias em quadrinhos.
No entanto, se o mundo de Feiffer é um mundo de ansiedade e de dúvida, o mundo dos Peanuts é de neurose e de agressão. A angústia dos Peanuts está sempre rampante e generalizada. E o impacto dessa problemática é maior porque os Peanuts são apenas crianças. Peanuts foi criada em 1950 por um americano genial, Charles Schulz. Em 15 anos, os Peanuts se tornaram a história em quadrinhos mais lida nos EUA e talvez no mundo. Peanuts foi traduzida em todas as línguas: na Noruega são Os Rabanetes, no Japão Os Menininhos.
Schulz disse uma vez, numa entrevista, que Peanuts é tão apreciado porque trata do problema de todos. O tema da historinha engloba o amor e o ódio, a fé e a razão, o Bem e o Mal. É por isso que um estudante de Teologia viu em Peanuts uma mensagem eminentemente cristã e publicou um livro: O Evangelho segundo Peanuts. Nesse livro, Robert Short compara as séries de quadrinhos às parábolas do Evangelho. Por exemplo: no 1o quadrinho, Charlie Brown, a figurinha principal, está construindo um magnífico castelo na areia, com todas as torres e almeias em detalhes. Aí começa a chover, e o garotinho assiste àquela chuva impiedosa que destrói inteiramente o seu belo castelo. Aí Charlie Brown olha pro leitor e diz: "Deve haver uma moral qualquer nisto tudo, mas eu não sei qual é."
Segundo Robert Short, a Moral está no Evangelho, mais precisamente na parábola em que Cristo diz aos homens que as casas devem ser construídas na pedra e não na areia. "Só o tolo faz sua casa na areia; pois quando chegam as chuvas, grande é a sua queda."
O Evangelho - e Peanuts - sugere que os homens só devem acreditar em ideologias de bases sólidas. O livro faz uma interpretação cristã do fenômeno. Mas há outras interpretações; a psiquiátrica, por exemplo. Um belo dia, Charlie Brown não agüenta mais e vai a um psiquiatra, que não é outro senão a Lucy, a menininha tirânica, dominadora e egoísta da série. "O meu problema é que eu tenho medo de Jardim da Infância", ele confessa. "Eu nem sei porquê. Já tentei raciocinar, mas não adianta." Ao que a psiquiatra Lucy responde, sadicamente: "Você não é diferente dos outros. Tenta se ajustar. 100 cruzeiros, por favor."
Há uma lenda, nos EUA, que várias vezes psiquiatras receberam cartas dos seus pacientes, contendo uma anedotinha dos Peanuts, com um bilhete dizendo que não precisavam mais de tratamento; tinham descoberto a causa dos seus problemas. Realmente, as situações da TIRA abarcam vários tipos de neuroses. Começando com o heroizinho Charlie Brown, que nunca consegue, por mais que tente, fazer as coisas simples da vida de uma criança: empinar um papagaio, por exemplo, ou ganhar um jogo de baseball. Os seus papagaios sempre se enrolam nos fios da eletricidade, e nada, mas nada mesmo, do que ele tenta fazer, dá certo. Tudo sempre sai errado. É fácil, por causa disso, se identificar com Charlie Brown e rir de si mesmo rindo dele.
o enorme rival de Charlie Brown é o lourinho Schroeder. Schroeder é pianista. Pianista clássico. Só gosta de Beethoven. Tem um enorme busto de Beethoven em cima de seu pianinho de brinquedo. Schroeder é o intelectual e o artista do grupinho; nem precisa dizer que a feroz Lucy está apaixonada por ele. Schroeder é o calcanhar de Aquiles da Lucy. E também não precisa dizer que Schroeder não dá a mínima bola para Lucy. Nem suporta a presença dela. Ou seja, todo mundo entra bem nessa historinha. Charlie Brown estraga tudo o que faz; Lucy agride todo mundo menos o Schroeder, que a detesta e que é um artista incompreendido. Não pode ser mais neurotizante, não pode ser mais mobilizante, não pode ser mais humano; e é a mais popular das histórias em quadrinhos modernas.
Só falta o Linus e o cachorro Lingüiça. Linus é talvez o mais neurótico deles todos - mas é difícil saber isso, eles são todos tão doentes... Linus não consegue viver dois minutos longe de um cobertor que está sempre chupando. O cobertor é um símbolo claro de todas as dependências neuróticas do homem moderno, que depende do analista ou da mãe ou da namorada ou da mulher ou dos amigos ou mesmo de um cobertor, quem sabe.
Se Linus se afasta do seu cobertor, morre de angústia. o cobertor é sua defesa para com o mundo exterior, é a sua máscara; sem ela, Linus está nu e vulnerável. Quanto a lingüiça, é o único normal em todo esse asilo que no fundo não é asilo nenhum, é a sociedade atual. Lingüiça aprecia as coisas simples da vida: um sorvete, um cachorro quente, uma música gostosa de ser dançada. Dá o contraste aos eternos neuróticos agressivos dessa historinha, por quem é sempre agredido - mas o cachorro Lingïça é um exemplo do bom cristão, e sempre perdoa.
Charlie Brown e sua turminha têm muito de Carlitos, de D.Quixote e de Huis Clos. Simbolizam - de um modo irônico, com uma agressão tão leve que o leitor pensa que é graça - as complicações das inter-relações do mundo moderno. São simpáticas e dignas de pena nas suas pequenas fossas. São o oposto dos bem ajustados Luluzinha, bolinha e Daniel o Travesso. São incapazes de uma travessura, aliás são incapazes de tudo - a não ser Schroeder, cujas caixinhas de música tocam partidas e fugas de Bach. Mas mesmo Schroeder, o Gênio, tem os seus problemas. Uma vez Lucy lhe pediu que tocasse "Cai Cai Balão" para um seu irmãozinho. Schroeder tocou, mas antes reclamou: "Puxa! Tou só com três anos e já tenho que me prostituir comercialmente..."
O próprio Schulz já disse uma vez que o seu frustrado e frustrante mini-herói, Charlie Brown, representa a insegurança de todos, e a vontade que todos têm de ser amados. É por isso que o humor e a comicidade desta história em quadrinhos é especial; o próprio leitor participa dos quadrinhos, faz parte das situações problemáticas apresentadas. Charlie Brown descende de uma longa tradição de eternos perdedores, cujos antepassados são D. Quixote, Carlitos, o Gordo e o Magro. Hoje, seus outros parentes são todos famosos - são os heróis de Feiffer.
*
Trecho de ensaio do Alfredo Grieco, controlcezado do Livro de Cabeceira do Homem, ano II volume 7. Segundo a orelha, ele é da novíssima intelligentsia de 1968 e aqui pesquisa os heróis das histórias em quadrinhos, protótipos de fantasia da geração McLuhan.
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Somando tudo
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 4 de junho de 2008 at 6:59 PM.
Curtiu Nina? O Cheiro do Ralo? O Natimorto? Continuando a onda de transformação do Mutarelli de desajustado social em referência cultural, ano que vem chega ao cinema O Dobro de Cinco, filme adaptado da HQ que marcou o momento de mudança na carreira (e na vida) dele. Aqui, no blog do Grampá - desenhista de produção do filme, saca o nível do traço -, dá pra descolar umas novidades sobre o filme, tipo o pôster aí em cima. Segundo ele, o trailer vaza em breve. Sensacional o Diomedes de carne e osso, diz aí. Aqui dá pra ver também uma animação curtinha tirada do filme e aqui descrição do processo de feitura da animação.
E qualquer hora conto como entrevistei o Mutarelli pra um zine que nunca saiu, em meados dos anos 90, quando tinha uns 16 ou 17 anos. Aliás, qualquer hora acho essa fita e transcrevo a entrevista aqui.
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Saiu em dezembro o volume 18 da série ACME Novelty Library, do Chris Ware, um dos maiores gênios de quadrinhos "sérios" (e um dos mais fantásticos ilustradores, em qualquer formato) dos últimos tempos.
O livro traz as Building Stories, série que ele começou em 2005, em um volume anterior da ACME e nas Funny Pages da revista do New York Times (que agora segue com a longa história em capítulos "Mister Wonderful", de Daniel Clowes). Coisa fina.
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