organizando o movimento
1 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 7 de abril de 2010 at 2:32 PM.Parece bem massa esse documentário sobre a final do III Festival da Record, o de "Alegria, Alegria", "Domingo no Parque", "Roda Viva", "Ponteio", o violão quebrado de Sérgio Ricardo, Roberto Carlos cantando samba, Caetano com os Beat Boys, Gil com os Mutantes. Partindo de um projeto de documentar toda a era dos festivais, o filme é Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil, sobre momento de criação e cristalização de idéias ricas e clichês do que conhecemos hoje como música brasileira e de todo nosso comportamento cultural. A premiére é na abertura do É Tudo Verdade, na sexta, depois passa sábado e quinta que vem, entra em cartaz daqui uns meses.
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Boca cheia de formiga
2 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 at 6:06 PM.Falando no Mug, pode a simpática foto acima do Chico Buarque com seu amigo Mug ser causa de imbroglio em um livro sobre Simonal?
Pode:
Uma foto que gera muito problema entre os editores é uma imagem de Chico Buarque segurando o boneco MUG na mão. Assim como Simonal, Chico fez propagando do tal boneco que, dizia-se, dava sorte. Era na verdade o mascote de uma grife de roupas da MPB em sua empreitada combativa contra as roupas da Jovem Guarda. A grife da MPB acabou não sendo lançada mas da Jovem Guarda virou alvo dos criticos da ditadura identificados com o samba e a resistencia. As roupas da Jovem Guarda, jaqueta do Tremendão, a roupa da Ternurinha, etc., essas sempre lembradas pro aqueles que acusam o movimento de Roberto Carlos e cia de "mercadológico". Chico também fez propaganda, assim como vários artistas da MPB pois também estava envolvido na defesa da "musica brasileira" frente a "alienação importada" da Jovem Guarda.
Diz Gustavo Alonso Ferreira, do livro Quem Não Tem Swing Morre Com a Boca Cheia de Formiga, de um mestrado sobre o Simonal, programado e eternamente adiado pela editora Record. A foto acima, e outras de Chico em propagandas de banco, sandália e máquina de costura, foram vetadas no caderno de fotos da biografia.
Gustavo explica:
O argumento da editora para tal autocensura (desculpe mas não há outro nome) é que o compositor não permitiria sua publicação e se o fizéssemos mesmo assim isso poderia acarretar um processo. Mas estas imagens são fotos já publicadas em revistas e jornais, ou seja, já foram publicadas alguma vez. São, enfim, documentos historicos, fontes abertas a todos. Em tese só precisariamos da liberação do fotografo, o que não é dificil de conseguir. Mas o medo do processo inviabiliza,na pratica, qualquer publicação porque entende que o sujeito que aparece na foto tem que autoriza-la! Imagina se formos pedir autorização ao Lula por toda foto que ele aparece? Imagina fazer isso em época de foto digital e internet? Seria melhor, caso o Chico Buarque realmente se importasse de fato muito com sua memoria, que ele acusasse o uso do Photoshop para deturpá-lo, ou de um simples "Paintbrush" para desgastá-lo... o que não foi o caso, obviamente, mas em tempos de virtualidade e simulacros, tudo pode vir a convercer. Ou quase tudo.
Mais dano colateral da indigna censura de Roberto Carlos à biografia de Paulo César de Araújo, em 2007.
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Teatro Bandeirantes, 1974
2 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 9 de junho de 2009 at 4:22 PM.Aí, seguindo de leve o modelo do mega-happening Phono 73, organizado 15 meses antes pela Phonogram (ex-Philips, futura Universal), a Bandeirantes organiza um supershow de inauguração de seu novo teatro, no dia 12 de agosto de 74, com apresentações de Rita Lee, Tim Maia, Elis Regina, Chico Buarque e Maria Bethânia, tudo na seqüência devidamente transformado em especial de TV. Exibido, arquivado e nunca lançado comercialmente - mas pirateado já em VHSs entre interessados, desde muito antes da internet.
Hoje o Teatro Bandeirantes virou igreja evangélica, os artistas ainda vivos viraram uns chatos e todas as redes de TV brasileiras se afogam na própria caretice.
Pelo menos temos o YouTube.
Depois da apresentação de dois minutos, Rita Lee surge toda glam no palco escuro para cantar "Mamãe Natureza" acompanhada do Tutti-Frutti e, entre solos de guitarra, até toca um clavinete.
Ainda na frente do clavinete, Rita saca uma flauta e manda ver num solo, antes de dar o boa-noite e voltar a atacar as teclas e o microfone em "Pé de meia". (Outra do maravilhoso "Atrás do Porto Tem uma Cidade", primeiro disco seu com o Tutti-Frutti, do mesmo ano do show.)
Os riffs marcados, o clavinete nervoso, os solos intensos, o visu estáile: é Rita cantando "De pés no chão" toda ruiva no cabelo e na boca. Ela nem curtia Bowie, diz aí.
Saem os riffs, entram os grooves; sai Rita, entra Tim. Acompanhado da Seroma Band, esbanjando estilo no seu terno preto e camisa rosa de cetim, Tim Maia inventa o funk brasileiro e canta "Réu confesso", vai emendando improvs em inglês e já tira da cartola "Primavera". Sem perder o fôlego, ainda manda um "Azul da cor do mar".
Só se for agora. Tim, em seu melhor momento, apresenta a banda, dividida em quatro partes (teclados, cordas, ritmo e sopro), antes de transarem uma música inédita sobre um livro que ele anda lendo, chamado "Universo em Desencanto". É "Que beleza", já obra-prima, cinco meses antes de ser lançada no primeiro Tim Maia Racional. Pra completar o momento, ainda vem um "Gostava tanto de você". Muito obrigado, estamos aí.
Sentindo cada palavra de cada frase de cada música, como lhe era habitual, Elis Regina sobe ao palco acompanhada do quinteto do genial pianista Cesar Camargo Mariano (com quem se casou no mesmo 1974), e canta "Conversando no bar". Ao mesmo tempo, vai inventando o comportamento e o gosto de toda uma geração (e mais) de artistas e mulheres brasileiras.
Como para Elis emoção pouca é bobagem, ela já emenda "Travessia" com tudo que tem no peito e na voz, acompanhada de Cesar Mariano, seu piano elétrico, seu bigode e arranjo épico. Depois de aplausos e mais aplausos, muito justo, ainda leva o sambinha "Feiticeiro Negro".
Em ritmo de dança, coração batendo mais que bongô, Elis canta "Dois pra lá, dois pra cá", com trechinho do bolero "La puerta" no final. E manda na seqüência um Tom Jobim, "Triste", compositor que até outro dia ela rejeitava grandemente - mas com quem neste 1974 dividiu disco histórico.
Sem deixar cair, outro Tom Jobim: "Só tinha de ser com você", com timbre lindo de piano elétrico e Elis com sua famosa voz-de-sorriso. E pra quem ainda não chorou ou morreu de emoção na platéia, Elis dá outra chance e oferece "Pois é", de Tom com Chico Buarque - que no final chega de mansinho e canta lindamente, observado por ela.
Agora dominando o palco com seus amigos do MPB4 em momento cheio de arranjos elétricos incríveis, Chico já sai assobiando contra a ditadura, antes de mandar "Cotidiano" e "Baioque", thank you. Clave, piano elétrico, violão, microfonia e o estamos seguindo em "Você vai me seguir".
Hoje com a função extra de ativar a memória de todo mundo que tanto ouviu a gravação ao vivo de "Jorge Maravilha", Chico canta a canção pra todas as filhas e ainda conta marotamente a história tão-verdadeira-que-é-falsa do compositor Julinho da Adelaide e sua vida no morro da Rocinha, com sua companheira Jurema. Pro arremate, manda a sempre linda "Tatuagem".
Todo setenta de calça marrom e jaqueta jeans, Chico convida as donzelas para um pecado safado debaixo do cobertor, em "Não existe pecado ao sul do Equador". No fundo um sentimental, ele ameaça um "Cala a boca, Bárbara", mas vai mesmo é de "Tira as mãos de mim". Ou melhor, Maria Bethânia vai, surgindo no palco de surpresa e intensamente, pra cantar com voz de trovão sentimental.
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Expressão e afirmação da juventude brasileira
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009 at 12:01 PM.
O Estado de São Paulo, com 9 milhões de habitantes de menos de 25 anos de idade, é um dos centros de expressão e afirmação da juventude brasileira. Compositores populares, cantores, diretores e intérpretes de teatro e de cinema, escritores e artistas plásticos, projetam o seu nome por todo o país. E conquistam acesso aos meios de comunicação de massa, representados por uma rêde de nove estações de tevê, de noventa e uma estações de rádio, além de centenas de jornais e revistas. Quer se dediquem ao estudo, às técnicas de produção e aos diversos ramos da ciência moderna, quer se apliquem às atividades artísticas, os moços encontram em São Paulo um ambiente estimulante e pronto a absorver os que se distinguem por talentos ou capacidades especiais. Êles estão procurando ajudar São Paulo a dar o grande salto para a frente.
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Os Mutantes, Gil, Nara, Roberto, Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso, uma escada e vários bambas em uma antiga edição da Realidade.
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Gil-Chico-Veloso
1 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 at 1:28 PM.
Boa, xará! (trabalhar com êsse cara é uma tranqüilidade, hem, Mané?). O xará Gauss, nessa mesa de Cabo Kennedy, enriquece o tropicalismo. E a Claudete bolou bem essa do Veloso de Holanda (disco bacana, mundo complicado, mil idéias, trecos vários...
Pata, Pedro (pedreiro), Pedro, pata! Domingô de um summer que não is gone, donde sei gudebai às canzones psico-idílicas; vesti Ludwig de azul (porta aberta!), magnólias e margaridas: Hip (pie)! Hip (pie)! Hurraaaaaaa! Rei da Roda (velas mortas): Viva!
E o bacana foi o côro de quatro maestros (no Domingou) com o Gil regendo (Medaglia, Gregori, Cozzella e eu).
Pela aí, rollin monkacos beatolados.
Salve, lindo sapato branco e panamá!
Viva (em pó) tôdas as mini (inclusive a Claudete)!!!
Rogério Duprat
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Do Gil-Chico-Veloso, da Claudete, arranjo e regência do Duprat.
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1972 na música brasileira
14 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sábado, 27 de setembro de 2008 at 10:24 PM.
Chico Buarque * Quando o carnaval chegar [dl aqui]
Ironias com o rock, arranjos de coreto, clima de carnaval de filme do Nelson Pereira dos Santos, canções rebuscadas e aquela delicadeza e melancolia que ganham a ala feminina: é o disco que inventa não só Marcelo Camelo, mas também toda a cena de samba universitário da Vila Madalena em São Paulo.

Caetano Veloso * Transa [dl aqui]
O disco favorito de todo fã do Caetano, o disco "mas esse é bom" de todo detrator do Caetano, o disco favorito do próprio Caetano e boa dose de inspiração pra atual "fase roqueira" dele. Gravado em Londres, com Caetano deprimido e inspirado e com a banda liderada por Jards Macalé tocando ao vivo no estúdio, criando camadas de sons, canções, emoções.

Elis Regina * Elis [dl aqui]
Elis Regina não era cantora de bossa nova nem de jazz, não era hippie nem tropicalista. Era tão idiossincraticamente pessoal que tiveram que inventar um rótulo o mais genérico possível - simplesmente "música popular brasileira" - pra dar conta de generalizar discos como esse. Muito por culpa de Cesar Camargo Mariano, recém-vindo da banda de Wilson Simonal.

Tom Zé * Tom Zé [dl aqui]
Foi ali, por volta de 1972, que Tom Zé teve que encarar de vez a dura realidade: ele não fazia parte da elite da música brasileira. Provavelmente não era nem tropicalista. Livre da responsabilidade e encarando sua própria genialidade, criou seu primeiro grande clássico - de uma série que ao mesmo tempo o jogou no esquecimento e o tirou de lá 20 anos depois.

Tim Maia * Tim Maia [dl aqui]
Tim Maia era movido a emoções fortes. E deve ter tido poucas mais fortes que a fossa e dor de corno que sentia quanto compôs e gravou esse disco, esbanjando conhecimento de causa em funksoul e transbordando despeito e desamor. Pelo menos em termos de à-flor-da-pele, o grande disco do recente biografado pela assinatura Nelson Motta.

Erasmo Carlos * Sonhos e Memórias [dl aqui]
Depois de ir gradativamente ampliando seus horizontes a cada disco desde fins dos anos 60, foi em 1972 que Erasmo assumiu que queria mesmo era ser hippie. Esqueceu aquele papo de jovem guarda, trocou de gravadora, casou e foi pro mato. Nessas, renasceu um grande compositor: agora a inspiração vinha em sambinhas, baladas folk, soul, desabafos e declarações.

Jards Macalé * Jards Macalé [dl aqui]
Animado como compositor pelo Vapor Barato da Gal e como bandleader pelo Transa do Caetano, em 1972 Jards respirou fundo e colocou tudo no seu primeiro disco: sua voz, seu violão, sua excentricidade, sua sensibilidade, a poesia de Waly Salomão e o som de Lanny Gordin e Tutty Moreno.

Gilberto Gil * Expresso 2222 [dl link]
Gil, eufórico de alegria de estar de volta ao Brasil depois de dois anos no exílio, faz um disco mais brasileiro que nunca - mas, sob a influência do primeiromundismo roqueiro britânico, também mais roqueiro do que nunca, com a pegada de Lanny e Tutty já virando assinatura.

Maria Bethânia * Drama - Anjo Exterminado [dl aqui]
Caminhando a passos largos em direção ao desbunde baiano sem limites da década de 70, mas ainda com a criatividade aguçada, Bethânia estava ligada nas coisas: chamou o irmão recém-chegado de Londres com aquelas idéias novas pra produzir um disco dela. Long story short, Drama está pra Bethânia como Transa pro Caetano.

Roberto Carlos * Roberto Carlos [dl aqui]
Em 1972 Roberto não precisava provar mais nada a ninguém. Já era há tempos o maior popstar do Brasil, já tinha sido justificado pela intelectualidade através do tropicalismo, já tinha superado tudo isso e entrado no olimpo popular com Detalhes. Então, fez a única coisa que lhe restava: inventou todo um estilo musical, hoje conhecido como "brega".

Novos Baianos * Acabou Chorare [dl aqui]
Depois de uma estréia subtropicalista, os Novos Baianos tiveram um intensivão direto na fonte de todas as revoluções: João Gilberto, que apareceu na comunidade hippie deles, dividiu o banza e os ensinou a graça de Assis Valente. Some à epifania cool de Moraes, Baby e Paulinho o virtuosismo empírico dos jovens gênios Pepeu, Dadi e Jorginho e pronto: obra-prima.

Wanderlea * Maravilhosa [dl aqui]
Entediada com a música e com a persona em que a haviam metido nos anos 60 - música e persona que ajudaram a libertar em público o inconsciente de incontáveis adolescentes brasileiras, mas já pareciam a essa altura coisa da década passada -, em 1972 Wanderlea desbundou maravilhosa: de black power loiro na capa, cantava o feminismo, Hyldon, Gil e Jorge Mautner (com direito a trejeitos bicha e tudo).

Leno e Lilian * Leno e Lilian [dl aqui]
Dois discos, sucesso, Devolva-me & Pobre Menina e quatro anos de carreiras solo depois, Leno e Lilian reencontraram-se para reinventarem-se de jovemguardistas naif a roqueiros-folkeiros setentistas melancólicos e semibregas, sob a batuta do então produtor Raul Seixas. E não é que as vozes sacarinas em uníssono funcionam na nova roupagem e o disco se torna um clássico esquecido do folk-pop brasileiro?

Arthur Verocai * Arthur Verocai [dl aqui]
Garoto prodígio da turma dos festivais que vinha se transformando em um dos arranjadores de ouro de sua geração, em 1972 Verocai ganhou passe livre da gravadora Continental para fazer um disco todo só seu, do jeito que quisesse. Com a experiência de diretor musical de um Ivan Lins imitando Tim Maia em começo de carreira e sob a influência de suas amizades mineiras, pirou total: solos jazzísticos, pegada funk, letras hippie de tom contemplativo e o primeiro sintetizador usado em um disco brasileiro. Demorou só 30 anos para as pessoas entenderem.
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sem fantasia
1 Comments Published by Ronaldo Evangelista on domingo, 16 de dezembro de 2001 at 8:00 PM.
Quando tinha empresário, era só para marcar show, avião, hotel. Nunca interferiu na minha maneira de me conduzir, inclusive porque eu era convidado, visto e ouvido pelas pessoas justamente como um cara que não se fantasia. Não vai nisso nenhuma crítica a quem se fantasia; pelo contrário, eu acho muito válido que o artista, por ser artista, se fantasie. Aliás, é um costume que sempre existiu. Mas eu sou descendente da bossa nova: aquela coisa do banquinho e do violão. Vestindo roupa convencional - um sujeito igual a qualquer outro da platéia, que sobe ali e canta sem vibratos. E nunca passei disso, como cantor de público nunca consegui superar essa postura.
Chico, em 1979. Tirou as palavras da minha boca.
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