RONALDOEVANGELISTA


Uau!



Falando em Walter Hugo Khouri (a relação é As Amorosas, cê tá ligado), muito massa os comerciais mini-curtas tropicalistas que os Mutantes fizeram pra Shell, de perdidos no deserto, Don Quixote, de noivos de filme mudo, de faroeste, surfistas, jovens, bonitos, hipsters, vanguardistas, anarquistas pop. Nonsense rápido todo MTV, com uns sons mutcholôcos deles e do Duprat.

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Nuit Blanche



Falando na Norma, e essa seqüência de apresentação de São Paulo, 1964, 8:04 da noite, trilha do Duprat, pelo Walter Hugo Khouri, Noite Vazia?

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batizado bom



Em 1976, Tom Zé abria um de seus melhores discos, Estudando o Samba, com "Mã", das principais experiências dentro da idéia de desconstruir o mais famoso ritmo brasileiro. A idéia toda nasceu de uma conversa com Duprat, me contou Tom Zé, na época do aniversário de 30 anos do disco: Em 1975 o samba estava muito denegrido, todo mundo dizia que estava repetitivo, estava mal. Aí um dia o Rogério Duprat me falou uma coisa que me iluminou, disse, "Tom Zé, você veja, o samba está esculhambado, mas, se você pegar aquela estrutura que faz o samba - o surdo, o tarol, a caixa, o tamborim, a cuíca - e analisar, isso é de uma sofisticação que não tem tamanho." E quando ele me disse isso, rapaz, eu fiquei num contentamento que me deu a idéia de fazer o Estudando o Samba.

Longe de um disco de samba, mas um riquíssimo disco de Tom Zé sobre e a partir do samba - crônica, paródia, pastiche, ironice; elementos da música de Tom Zé de 1955 a 2009 e além. "Mã", especificamente, com sua intro na percussão e riffs de cavaquinho e guitarra que entram em lugares inesperados, genuinamente entortando o samba, era tão emblemática que ainda acabou retrabalhada por Tom Zé como "Nave Maria", no disco homônimo, 1984.



Vinte anos depois do lançamento, o arame farpado em torno da capa com a enorme palavra SAMBA chamou a atenção de David Byrne em uma passagem pela Galeria do Rock, em São Paulo. Comprou, levou pra casa, ouviu, trincou e relançou por seu selo, Luaka Bop. Ponto de partida de toda uma nova fase na carreira de Tom Zé: ídolo cult pop experimentalista para mais de uma geração de americanos (e europeus e et ceteras) interessados em seu anti-pop engenhoso e deliciosamente anárquico. De Tortoise a Cake, passando por Amerie, rappers, indie-rockers e free-jazzistas...

Instintivamente, Tom Zé, com sua formação de músico erudito de vanguarda e sua sensibilidade pop ácida do sertão, atinge com suas construções sonoras totalmente particulares e constantemente únicas um centro nervoso de estímulo pulga-atrás-da-orelha que se comunica universalmente, de tão sensoriais.

Veja o Nomo, banda de Detroit, naquele universo recente de "afrobeat" pós-Pós-Rock. Saca a versão de "Mã" que a banda lançou há poucos meses, no álbum Invisible Cities - onde a voz vira naipe de sopros, a guitarra vira sax barítono, o cavaquinho vira guitarra e o intrincado arranjo de Tom Zé, construído sobre ostinatos em contraponto, se torna base de uma interessante interpretação, toda cerebral e hipnótica, girando sobre si mesma:

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Gil-Chico-Veloso



Boa, xará! (trabalhar com êsse cara é uma tranqüilidade, hem, Mané?). O xará Gauss, nessa mesa de Cabo Kennedy, enriquece o tropicalismo. E a Claudete bolou bem essa do Veloso de Holanda (disco bacana, mundo complicado, mil idéias, trecos vários...

Pata, Pedro (pedreiro), Pedro, pata! Domingô de um summer que não is gone, donde sei gudebai às canzones psico-idílicas; vesti Ludwig de azul (porta aberta!), magnólias e margaridas: Hip (pie)! Hip (pie)! Hurraaaaaaa! Rei da Roda (velas mortas): Viva!

E o bacana foi o côro de quatro maestros (no Domingou) com o Gil regendo (Medaglia, Gregori, Cozzella e eu).

Pela aí, rollin monkacos beatolados.

Salve, lindo sapato branco e panamá!

Viva (em pó) tôdas as mini (inclusive a Claudete)!!!

Rogério Duprat


*

Do Gil-Chico-Veloso, da Claudete, arranjo e regência do Duprat.

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