Tied + Tickled Trio ao vivo
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 5 de abril de 2011 at 11:25 PM.Texturas de vídeo e sons eletrorgânicos, gravação de alguns anos atrás, Tied + Tickled Trio em bela formação de naipe de cinco sopros, clarone, clarinete, sax tenor, trompete e trombone pelas regiões graves, mais baixo, bateria, percussão e eletrônicos/mesa de sons, em arranjo de movimento estático e nó nos sopros.
Marcadores: Olé, Tied + Tickled Trio, TV

A beleza do jazz é a riqueza de possibilidades, a maneira como a soma de diferentes expressões individuais forma algo mais, único e exclusivo do momento e das pessoas. Nesse sentido, o jazz é mais que um formato, uma linguagem, um movimento: é uma passagem para um universo infinito de afirmações e musicalidades, sem barreiras.
O Tied & Tickled Trio talvez não seja exatamente uma banda "de jazz", mas é uma das formações contemporâneas mais interessantes a explorar possibilidades do estilo. Formado pelos irmãos Markus e Micha Acher, da cena alemã de bandas como Notwist e Lali Puna, o TTT soma diversos músicos para construir um som próprio, cinematográfico, cruzando climas e grooves, abrindo caminhos livres e modais, timbres eletrônicos e levadas dub se encontrando com saxofones e contrabaixos e chegando juntos a destinos comuns.
Abril de 2011, agora, sai La Place Demon, disco novo do Trio que não é trio, juntando 14 músicos e com especial convidado Billy Hart, lenda septuagenária da bateria, nome forte em mais de 600 discos, inclusive de Herbie Hancock, Jimmy Smith, Stan Getz. Base pesada para os ritmos de jazz futurista da banda, bateria solta e inspiradora, fazendo a base para climas abstratos e riffs orquestrais, construindo formatos pelos solos, reinventando o jazz de dentro pra fora.
No play, The Three Doors Pt. 3, penúltima faixa do LP.
Marcadores: Billy Hart, Olé, Tied + Tickled Trio
Portico Quartet
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quinta-feira, 31 de março de 2011 at 1:24 PM.O instrumento é um hang, suíço, inventado em 2000, originalmente percussivo, mas usado aqui com forte intenção melódica, com uma sonoridade entre uma guitarra ceslestial, o piano-de-dedão africano Mbira, a delicadeza da uma celeste, uma marimba metálica circular. Baixo acústico forte e econômico, bateria jazzística espaçada e sax soprano cheio de climas, sugerindo melodias, completam o som do quarteto, bem jovem, de Londres, dois álbuns lançados em anos recentes. // Jack Wyllie no sax, Nick Mulvey no hang, Milo Fitzpatrick no baixo, Duncan Bellamy na bateria formam o Portico Quartet, jazz moderno a definição básica, "pós-jazz" já sugeriram os jornalistas indie, "world music do futuro" diz a bio. Certo clima de jazz europeu, com toques orientais, mas próximo do universo de grooves da, digamos, Cinematic Orchestra, com uma pegada não muito distante, talvez, do Marginals, e sensibilidade prima, quem sabe, do À Deriva. // Vídeo acima, gravação da faixa "Line", do álbum Isla.
Marcadores: jazzsp, Olé, Portico Quartet
Blubell Bar B
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sábado, 13 de novembro de 2010 at 5:48 PM.
Dia cinzinho, frio pré-verão, sábado véspera de domingo véspera de feriado, cidade tranquila e sentidos em câmera lenta: clima perfeito para noite no Centro, janelas pro mundo, calçadas iluminadas, pessoas geniais, sons bonitos, o incrível charme do Bar B e a incrível voz de Blubell. Hoje, cedo a partir de 22h, Bell toca e canta e experimenta e transcende com voz, guitarra, pedais, efeitos e repertório sentimental. Logo antes e logo depois, eu faço a trilha buscando a alta beleza, só jazz, magia do improviso.
Milt Jackson And The Hip String Quartet (1968)
2 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 10 de setembro de 2010 at 3:40 PM.
01) You got to pay when the deal goes down (Tom McIntosh)
02) The morning after (Bernard Ebbinghouse)
03) For all we know (J. Fred Lewis / Sam M. Coots)
04) A walkin' thing (Benny Carter)
05) In walked Bud (Thelonious Monk)
06) A little too much (Don Henry / Mike Appel)
07) Bags and strings (Milt Jackson)
08) New rhumba (Ahmad Jamal)
Arranged and conducted by Tom McIntosh
Vibes - Milt Jackson
Piano - Cedar Walton
Bass - Ron Carter or Bob Cranshaw
Drums - Mickey Roker or Grady Tate
Flute - Hubert Laws or James Moody
Tenor saxophone - James Moody
Violin - Sanford Allen
Viola - Alfred Brown
Cellos - Ronald Lipscomb
Kermit Moore or Sidney Edwards
"It's always bothered me," says McIntosh, "that people say strings can't swing. Why is it a bass player can swing? It's just a matter of knowing the language. And I wanted to extend the jazz language to non-conventional jazz instruments."
Even the set-up of the quartet varies slightly from the usual string quartet of two violins, viola and cello. Here, McIntosh employed one violin, viola and two cellos. "I've always felt there was a gap between viola and cello," he says. "What we did was to tune one cello one octave below the violin to close that gap. Many composers have had the idea; it's one of the things that makes the string quartet Hip. And the flute is there to add another color."
AQUI
Marcadores: Contracapa, dj evan, dl, Milt Jackson, Olé, Vitrola
Placebo
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sexta-feira, 16 de julho de 2010 at 12:08 PM.Bélgica, anos 70, bigodes, piano elétrico, groove, sopros expressionistas e jazz modernista: Marc Moulin e sua inacreditável banda Placebo em uma noite especial, tocando "Showbiz Suite", "Only Nineteen" e "Planes", captado para o filme "Three Days in April", da TV belga RTB. O futuro do jazz está em 1974.
Marcadores: jazz, Marc Moulin, Olé, Placebo, TV
Olé, Mix
1 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 12 de julho de 2010 at 6:31 PM.
Grooves de piano elétrico e flauta, improvisos de trombone e sax, órgão nervoso, vibrafone com auá, escaleta futurista e synths vintage. Em discotecagem fonomecânica, todo domingo, Olé. Para levar no conforto do fone de ouvido, só baixar aqui. Ouvir já, play abaixo.
Zé Rodrix - Receita de Bolo 1973
Donato/Deodato - Where's JD? 1972
Mulatu - Munaye 1972
Bobbi Humphrey - Jasper Country Man 1973
Weldon Irvine - Homey 1972
Yusef Lateef - Jungle Plum 1972
Johnny Hammond - The Prophet 1972
Little Richard - Nuki Suki 1972
Clarence Wheeler - Broasted or Fried 1971
Henry Franklin - Plastic Creek Stomp 1971
Marvin Gaye - 'T' Plays It Cool 1972
Black Forest
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on domingo, 11 de julho de 2010 at 4:43 PM.Se Produções Musicais da Floresta Negra - significado da sigla MPS - parece um nome dark, é porque você ainda não deu play e viu que a Floresta Negra é na verdade o paraíso: estúdio no meio do nada na Alemanha, dedicado a gravar as idéias mais interessantes dos melhores músicos de jazz. Fundado no fim dos 60 e com auge nos anos 70, MPS lançou centenas de discos, de jazz europeu, americano, brasileiro. Alguns melhores momentos em megadownload aqui. E tem esse documentário, trailer acima, à venda aqui. Se liga nos discos do Rainer Trüby e sua balada jazz. Alguém disse Olé?

Arte musical pura e expontânea, cheia de improvisações e imprevistos, sem se escravizar à partitura, brotando dos instrumentos em que ela se sente à vontade. Nos domingos de julho, no Tapas Club, das 19h às 0h, a festa Olé apresenta Otis Trio Sexteto, com Flávio Lazzarin na bateria, João Ciriaco no contrabaixo acústico, Luiz Galvão na guitarra, Daniel Gralha no trompete, André Calixto no sax e Beto Montag no vibrafone. O melhor do melhor do que é feito em jazz em São Paulo hoje. Girando os elepês, jazznagulha, Walter Abud e Ronaldo Evangelista. Especial.
Gol-e Gandom
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on domingo, 4 de julho de 2010 at 11:58 AM.Preston Kies (ou Press Keys) no piano, Don West no baixo, Dick Beeson na bateria e Doutor Lloyd Miller no santur. Some very interesting music.
Marcadores: Espiritual, Lloyd Miller, Olé, Press Keys, TV
Deep End
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 8 de junho de 2010 at 12:01 AM.
Muito preza essa mix nova do Gilles Peterson, cheia de de jazz espirituais e grooves impecáveis. Dá o play e uma olhada nas músicas, só coisa muito escavada e muito, muito boa. Fonte inesgotável: o mundo é sempre muito maior do que você pode imaginar.
01 - max roach - motherless child (atlantic)
02 - leroy vinegar - doing that thing (joy)
03 - stanley cowell - travelling man (arista)
04 - mary lou williams - free spirits (steeplechase)
05 - music inc - wilpan's walk (strata east)
06 - bobby jackson - paul's akr (ninth note)
07 - dewey redman - for eldon (freedom)
08 - shintaro quartet - sweet and sour sound (streetnoise)
09 - mtume - yebo (third street)
10 - roy ayers - hey uh- what you say come on (polydor)
11 - ken mcIntyre sextet - miss priss (steeplechase)
12 - trindade - capoeira (tapecar)
13 - cheik tidiane fall - black snow (freebird)
14 - chico freeman - crossing the sudan (contemporary)
15 - christian vander - colchique dans les pres (palm)
16 - takeo moriyama - watarase (denon)
17 - earl and carl grubbs - two wives (muse)
Marcadores: Gilles Peterson, jazz, mixtapes, Olé
Olé, junho: Quarteto Solto
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on domingo, 6 de junho de 2010 at 5:08 PM.
Cheia de improvisos para esquentar os fins de domingo, a festa Olé em junho sola com as idéias e sons do Quarteto Solto, ecoando os contrabaixos de Rui Barossi, flautas e saxes de Beto Sporleder, baterias de Pedro Prado e guitarras de André Bordinhon. Girando sob as agulhas, vinis de jazz nível classe A, seleção de Walter Abud e Ronaldo Evangelista.
Marcadores: dj evan, jazzsp, Olé, Quarteto Solto, Vamo?
Jazz, São Paulo, 2010
4 Comments Published by Ronaldo Evangelista on segunda-feira, 10 de maio de 2010 at 10:06 PM.
Leu a Folha hoje? Saiu matéria legal que escrevi comentando a incrível movimentação jazz jovem que tem rolado na cidade nesses últimos tempos. Difícil é não notar: tem muita banda muito boa tocando muito em São Paulo. Pincelada, versão pré-página:

Caminhando uma noite qualquer por Nova York nos anos 40 ou 50, você podia acabar caindo em um clube - digamos, Minton's ou Five Spot - e dar de cara com músicos como Monk, Coltrane e Dizzy Gillespie cozinhando revoluções no jazz. Rio de Janeiro, começo dos anos 60, se passasse pelo pequeno Beco das Garrafas, a sensação não seria diferente: jovens estudados em discos americanos injetavam novas possibilidades na bossa nova criando o samba-jazz.
São Paulo, 2010, por uma rua do Centro ou Pinheiros, momento parece oferecer efervescência similar. Jovens na faixa dos vinte e algo se juntam em diversas formações e dezenas de grupos, tocam em cada vez mais casas dedicadas ao gênero, para um público cada vez maior e mais interessado e trazem novas idéias ao jazz feito na cidade.
Continuando uma tradição paulistana que já viveu momentos de auge nos bares do Centro como Baiúca e Juão Sebastião Bar na década de 50 e pequenos bares como Supremo Musical nos anos 00, hoje você pode sair em qualquer dia da semana e ouvir música criada no calor do momento.

No Bar B ou no Tapas, Jazz nos Fundos ou New Jazz Bar, as noites são quentes em novas intenções, resultados e possibilidades. Linguagem clássica, pilares reestruturados. O som por um segundo pode parecer o de sempre: baixo acústico, solos de sax tenor e trompete, bateria incansável, improvisos de piano e guitarra. Mas ninguém ali quer dizer o que já foi dito - no máximo, dizer algo inédito a partir dali. O novo é o velho revisto.
Uma das bandas mais interessantes desse cenário é o Otis Trio, originalmente de Santo André e desde 2007 coletando ouvintes por festas, clubes, bares e casa de show de São Paulo. (Atualmente, fazem temporada aos sábados no Bar B.) O contrabaixista João Ciriaco conta que o projeto nasceu quando ele convidou amigos para tocar temas famosos. "Mas logo nos primeiros ensaios o que iríamos tocar ficou pra trás, era mais legal tocar coisa nossa", lembra. "Hoje temos 100 anos de história como matriz a ser degustada, assimilada e repassada ao nosso modo, dentro do contexto em que vivemos", explica o guitarrista Luiz Galvão.

O quarteto À Deriva, que está lançando seu terceiro excelente disco, "Suíte do Náufrago", é outro nome que pode abalar um ouvinte mais desavisado com a sofisticação de seu som, tão poético quanto o nome da banda. "Uma característica que sempre esteve muito presente no nosso trabalho é a improvisação livre, buscamos tocar sem amarras de estilo, de forma, de hierarquia entre os instrumentos", explica o contrabaixista Rui Barossi.
Marcos Paiva, que lidera caprichado trabalho de novos arranjos e novas composições sobre as harmonias e ritmos do samba-jazz, acaba de gravar com seu sexteto MP6 o disco "Meu Samba no Prato", em homenagem ao baterista Edison Machado. "Às vezes tenho a impressão que a nossa música instrumental sempre sofre uma ruptura, não se recicla, parece que a gente não consegue fazer um desevolvimento da coisa", nota. "Esse trabalho nasceu da vontade de fazer uma ligação com as pessoas dessa geração anterior."

Também inspirada no samba-jazz e com disco pra sair, a big band Projeto Coisa Fina é dedicada à obra de Moacir Santos, também em novas composições e arranjos. Parte do coletivo de sopros Movimento Elefantes, o Coisa Fina subverte as expectativas com shows cada vez mais cheios. "O Coisa Fina tem um público irado" anima-se o contrabaixista Vinicius Pereira. "Acho que tocarmos no Studio SP é uma vitrine pro público jovem, da balada. O mais importante é o boca a boca. Esse lance de redes sociais está pegando fogo hoje em dia e nós estamos aprendendo a aproveitar."

E o público que aparece pra ver, ouvir, acompanhar? Barossi, do À Deriva, define: "São pessoas que estão dispostas a entrar no barco com a gente e participar da viagem. A graça está em se deixar soltar dos preconceitos e fruir junto da música que fazemos na hora, em comunhão com a gente. Se estiverem de fora da brincadeira, vão achar só uma maluquice."
Não vale pra tudo na vida?
CONHEÇA A NOVA CENA
OTIS TRIO
http://www.myspace.com/otistrio
Quem: Luiz Eduardo Galvão, guitarra; João Ciriaco, contrabaixo; Flávio Lazzarin, bateria; frequentemente também com Beto Montag, vibrafone; André Calixto, sax tenor; Daniel Gralha, trompete.
Para quem gosta de Art Blakey, Lee Morgan, Ornette Coleman.
À DERIVA
http://www.musicaaderiva.com.br/
Quem: Rui Barossi, contrabaixo; Daniel Müller, piano; Guilherme Marques, bateria; Beto Sporleder, sax tenor e flauta.
Para quem gosta de Bill Evans, John Coltrane, Keith Jarrett.
MP6 (MARCOS PAIVA SEXTETO)
http://www.marcospaiva.com/
Quem: Marcos Paiva, contrabaixo; Daniel de Paula, bateria; Edinho Sant’anna, piano; Daniel D’Alcântara, trompete; Cássio Ferreira, sax alto; Jorginho Neto, trombone.
Para quem gosta de Edison Machado, Os Cobras, Sérgio Mendes & Sexteto Bossa Rio.
PROJETO COISA FINA
http://www.projetocoisafina.com/
Quem: Vinicius Pereira, contrabaixo; Daniel Nogueira, sax tenor; Anderson Quevedo, sax barítono; outros dez músicos.
Para quem gosta de Moacir Santos, JT Meirelles & os Copa 5, Banda Mantiqueira.
OUTROS NOMES
Iamuhu Quarteto
Grupo Comboio
Martinez
LJ5 (Leandro Jazz Quintet)
Meretrio²
ONDE OUVIR
Bar B
Rua General Jardim, 43
Telefone: 3129-9155.
Terça a sábado, a partir das 20h.
R$ 5 a R$ 10
Tapas Club
Rua Augusta, 1246
Telefone: 2574-1444
Domingos, a partir das 19h.
R$ 5.
Serralheria
Rua Guaicurus, 857
Telefone: 8272-5978.
Sextas, a partir das 21h.
R$ 10.
New Jazz Bar
Rua João Moura, 739
Telefone: 3060-9802.
Terça a sábado, a partir das 21h.
R$ 15.
Jazz Nos Fundos
Rua João Moura, 1076
Telefone: 3083-5975.
Quinta a sábado, a partir das 20h.
R$ 19.
Syndikat
Rua Moacir Piza, 64
Telefone: 3086-3037.
Terça a sábado, a partir das 21h.
R$ 10 a R$ 15.
Sarajevo
Rua Augusta, 1385
Telefone: 3253-4292.
Quartas, a partir das 23h.
R$ 10.
Berlin
Rua Cônego Vicente Miguel Marino, 85
Telefone: 3392-4594.
Terças, a partir das 21h.
R$ 5 a R$ 8.
Studio SP
Rua Augusta, 591
Telefone: 3129-7040.
Primeira terça do mês, 21h.
Grátis.

Caminhando uma noite qualquer por Nova York nos anos 40 ou 50, você podia acabar caindo em um clube - digamos, Minton's ou Five Spot - e dar de cara com músicos como Monk, Coltrane e Dizzy Gillespie cozinhando revoluções no jazz. Rio de Janeiro, começo dos anos 60, se passasse pelo pequeno Beco das Garrafas, a sensação não seria diferente: jovens estudados em discos americanos injetavam novas possibilidades na bossa nova criando o samba-jazz.
São Paulo, 2010, por uma rua do Centro ou Pinheiros, momento parece oferecer efervescência similar. Jovens na faixa dos vinte e algo se juntam em diversas formações e dezenas de grupos, tocam em cada vez mais casas dedicadas ao gênero, para um público cada vez maior e mais interessado e trazem novas idéias ao jazz feito na cidade.
Continuando uma tradição paulistana que já viveu momentos de auge nos bares do Centro como Baiúca e Juão Sebastião Bar na década de 50 e pequenos bares como Supremo Musical nos anos 00, hoje você pode sair em qualquer dia da semana e ouvir música criada no calor do momento.

No Bar B ou no Tapas, Jazz nos Fundos ou New Jazz Bar, as noites são quentes em novas intenções, resultados e possibilidades. Linguagem clássica, pilares reestruturados. O som por um segundo pode parecer o de sempre: baixo acústico, solos de sax tenor e trompete, bateria incansável, improvisos de piano e guitarra. Mas ninguém ali quer dizer o que já foi dito - no máximo, dizer algo inédito a partir dali. O novo é o velho revisto.
Uma das bandas mais interessantes desse cenário é o Otis Trio, originalmente de Santo André e desde 2007 coletando ouvintes por festas, clubes, bares e casa de show de São Paulo. (Atualmente, fazem temporada aos sábados no Bar B.) O contrabaixista João Ciriaco conta que o projeto nasceu quando ele convidou amigos para tocar temas famosos. "Mas logo nos primeiros ensaios o que iríamos tocar ficou pra trás, era mais legal tocar coisa nossa", lembra. "Hoje temos 100 anos de história como matriz a ser degustada, assimilada e repassada ao nosso modo, dentro do contexto em que vivemos", explica o guitarrista Luiz Galvão.

O quarteto À Deriva, que está lançando seu terceiro excelente disco, "Suíte do Náufrago", é outro nome que pode abalar um ouvinte mais desavisado com a sofisticação de seu som, tão poético quanto o nome da banda. "Uma característica que sempre esteve muito presente no nosso trabalho é a improvisação livre, buscamos tocar sem amarras de estilo, de forma, de hierarquia entre os instrumentos", explica o contrabaixista Rui Barossi.
Marcos Paiva, que lidera caprichado trabalho de novos arranjos e novas composições sobre as harmonias e ritmos do samba-jazz, acaba de gravar com seu sexteto MP6 o disco "Meu Samba no Prato", em homenagem ao baterista Edison Machado. "Às vezes tenho a impressão que a nossa música instrumental sempre sofre uma ruptura, não se recicla, parece que a gente não consegue fazer um desevolvimento da coisa", nota. "Esse trabalho nasceu da vontade de fazer uma ligação com as pessoas dessa geração anterior."

Também inspirada no samba-jazz e com disco pra sair, a big band Projeto Coisa Fina é dedicada à obra de Moacir Santos, também em novas composições e arranjos. Parte do coletivo de sopros Movimento Elefantes, o Coisa Fina subverte as expectativas com shows cada vez mais cheios. "O Coisa Fina tem um público irado" anima-se o contrabaixista Vinicius Pereira. "Acho que tocarmos no Studio SP é uma vitrine pro público jovem, da balada. O mais importante é o boca a boca. Esse lance de redes sociais está pegando fogo hoje em dia e nós estamos aprendendo a aproveitar."

E o público que aparece pra ver, ouvir, acompanhar? Barossi, do À Deriva, define: "São pessoas que estão dispostas a entrar no barco com a gente e participar da viagem. A graça está em se deixar soltar dos preconceitos e fruir junto da música que fazemos na hora, em comunhão com a gente. Se estiverem de fora da brincadeira, vão achar só uma maluquice."
Não vale pra tudo na vida?
CONHEÇA A NOVA CENA
OTIS TRIO
http://www.myspace.com/otistrio
Quem: Luiz Eduardo Galvão, guitarra; João Ciriaco, contrabaixo; Flávio Lazzarin, bateria; frequentemente também com Beto Montag, vibrafone; André Calixto, sax tenor; Daniel Gralha, trompete.
Para quem gosta de Art Blakey, Lee Morgan, Ornette Coleman.
À DERIVA
http://www.musicaaderiva.com.br/
Quem: Rui Barossi, contrabaixo; Daniel Müller, piano; Guilherme Marques, bateria; Beto Sporleder, sax tenor e flauta.
Para quem gosta de Bill Evans, John Coltrane, Keith Jarrett.
MP6 (MARCOS PAIVA SEXTETO)
http://www.marcospaiva.com/
Quem: Marcos Paiva, contrabaixo; Daniel de Paula, bateria; Edinho Sant’anna, piano; Daniel D’Alcântara, trompete; Cássio Ferreira, sax alto; Jorginho Neto, trombone.
Para quem gosta de Edison Machado, Os Cobras, Sérgio Mendes & Sexteto Bossa Rio.
PROJETO COISA FINA
http://www.projetocoisafina.com/
Quem: Vinicius Pereira, contrabaixo; Daniel Nogueira, sax tenor; Anderson Quevedo, sax barítono; outros dez músicos.
Para quem gosta de Moacir Santos, JT Meirelles & os Copa 5, Banda Mantiqueira.
OUTROS NOMES
Iamuhu Quarteto
Grupo Comboio
Martinez
LJ5 (Leandro Jazz Quintet)
Meretrio²
ONDE OUVIR
Bar B
Rua General Jardim, 43
Telefone: 3129-9155.
Terça a sábado, a partir das 20h.
R$ 5 a R$ 10
Tapas Club
Rua Augusta, 1246
Telefone: 2574-1444
Domingos, a partir das 19h.
R$ 5.
Serralheria
Rua Guaicurus, 857
Telefone: 8272-5978.
Sextas, a partir das 21h.
R$ 10.
New Jazz Bar
Rua João Moura, 739
Telefone: 3060-9802.
Terça a sábado, a partir das 21h.
R$ 15.
Jazz Nos Fundos
Rua João Moura, 1076
Telefone: 3083-5975.
Quinta a sábado, a partir das 20h.
R$ 19.
Syndikat
Rua Moacir Piza, 64
Telefone: 3086-3037.
Terça a sábado, a partir das 21h.
R$ 10 a R$ 15.
Sarajevo
Rua Augusta, 1385
Telefone: 3253-4292.
Quartas, a partir das 23h.
R$ 10.
Berlin
Rua Cônego Vicente Miguel Marino, 85
Telefone: 3392-4594.
Terças, a partir das 21h.
R$ 5 a R$ 8.
Studio SP
Rua Augusta, 591
Telefone: 3129-7040.
Primeira terça do mês, 21h.
Grátis.
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Chega aquela hora de domingo, parece que o fim de semana acabou, o jazz está só começando.
No Tapas Club, todo domingo, depois que anoitece, começa a Olé, festa pra levantar o espírito, esquentar os ouvidos, expandir a mente, balançar o corpo. Nas agulhas, Walter Abud e Ronado Evangelista, só nas pérolas em vinil.
E em maio, ao vivo, o quarteto Iamuhu tocando e enchendo o ar de dinâmicas e improvisos. Alex Dias no contrabaixo, Wagner Casconcelos na bateria, Lucas Macedo no saxofone, José Luiz Martins no piano, vários temas próprios e alguns clássicos no repertório.
Olé
Tapas Club (Augusta 1246)
Domingos, 19h | $5
ao vivo Iamuhu Quarteto
djs Walter Abud + Ronaldo Evangelista
É samba novo
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on domingo, 25 de abril de 2010 at 1:43 PM.
Samba-jazz em plena Augusta: hoje, terminando a temporada nos domingos do Tapas, Olé, Marcos Paiva leva o sexteto completo e faz sua homenagem a Edison Machado, Meu Samba no Prato. Contrabaixo acústico, bateria, piano, naipe de sax-trombone-trompete, harmonias abertas, improvisos quentes, uma e outra canção da época e composições inspiradas no clássico Edison Machado é samba novo e achados similares.
O disco, já tá gravado. Enquanto não sai, dá pra baixar dois shows que o MP6 fez em março do ano passado, no New Jazz Bar, aqui.
Sente o alto nível nessa versão de "Acender as velas":
Marcadores: Edison Machado, jazzsp, Marcos Paiva, Olé, Play, Vamo?
Olé, Marcos Paiva
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on domingo, 4 de abril de 2010 at 11:36 AM.
Se a missão é encontrar o som mais classe, a festa Olé cumpre sua parte, todos os domingos no Tapas. Em abril, chegando para temporada, Marcos Paiva traz seu contrabaixo acústico e quinteto de trombone, sax, teclas, bateria. Formação especial para apresentar temas seus e algumas surpresas, puxando seu samba-jazz pro lado do groove afro, pegada dançante e improvisos de primeira. Na discotecagem, Walter Abud e Ronaldo Evangelista tocam raros jazz e sofisticados ritmos dançantes, exclusivamente em vinil. Hard bop e samba-jazz, afrobeat e ethiopiques, Blue Note e Flying Dutchman, Black Jazz e Impulse!, flautas e pianos elétricos, trompetes e congas, jazznagulha.
Marcadores: dj evan, Marcos Paiva, Olé


