Viva Donato!
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on sábado, 12 de setembro de 2009 at 12:14 PM.
"Close your eyes" is a ballad favored by American jazz musicians. Chombo, assisted by some engaging obligati from Rolando's flute, gives this the full jazz treatment. Again the bongo drum is skillfully worked into the background. The jazz-wise piano solo is by João Donato, a Brazilian who, like Mongo himself, is musically at home in all the Americas.
Marcadores: A melhor música do mundo, Contracapa, João Donato, Mongo Santamaria, Play, WWDD?
chululu
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 17 de junho de 2009 at 10:17 AM.
Gal e Donato, azuis e estilosos, sentados ao piano, em 1974, em algum momento entre Quem é Quem e Cantar.
Marcadores: Gal Costa, João Donato, Mais que mil palavras, WWDD?
you hear they calling me rapaz de bem
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on quarta-feira, 20 de maio de 2009 at 2:51 PM.
Dia desses li na Folha coluna do Ruy Castro, com título Rapaz de Bem, sobre Johnny Alf - que acabou de completar 80 anos ontem. Fiquei pensando no Johnny Alf, Ruy Castro, Folha, Rapaz de Bem, lembrei: escrevi matéria pra mesma Folha um tempo atrás sobre Johnny com mesmo título, aliás com aspas do Ruy Castro. // Títulos óbvios à parte (deve ter havido outras 297 matérias com a mesma chamada antes da minha e do Ruy), Johnny Alf é realmente algo mais, provavelmente o maior jazz singer popular brasileiro. A sofisticação do samba dos anos 40 chegando à década seguinte querendo se modernizar, com sotaques de Sarah Vaughan e Nat King Cole, pra citar dois que ele próprio me contou ouvir muito e emprestar o repertório pra cantar na noite.

Aproveitando o embalo, Rapaz de Bem, matéria que escrevi pra Folha quando Johnny Alf lançou Mais Um Som, primeiro disco de inéditas em 28 anos - e um dos únicos em que é gravado ao piano. Pro texto, ouvi o Johnny, conversei com Ruy Castro e resolvi ligar pro Donato - que mandou um fristáile lindo que fiquei feliz de manter no texto final.
Depois continua que tem outra dessas e um doce pra quem chegar até o final.
Rapaz de bem
Vinte e oito anos. Parece inacreditável, mas é o tempo desde a última vez em que o cantor, pianista e compositor Johnny Alf lançou no Brasil um álbum novo, gravado em estúdio, de músicas inéditas. "Desbunde Total", de 1978, foi o último -desde então, apenas discos ao vivo, regravações com convidados, tributos a outros compositores. Mesmo assim, pouquíssimos, com intervalos enormes entre eles. Muito pouco para um músico do tamanho de Johnny Alf.
A boa notícia é "Mais Um Som", gravado em 2002, lançado no Japão em 2004, recém-desembarcado no Brasil em edição nacional: a aguardada quebra do jejum, com 15 composições inéditas na voz do autor. Amanhã acontece show de lançamento do disco, com o mesmo quinteto que acompanha Alf há década e meia e com quem gravou o álbum.
Realizado pelo produtor japonês Jun Itabashi, o disco surgiu com a proposta de se fazer um CD com músicas novas, sem os hits de sempre da história do compositor, e com sonoridade acústica lembrando álbuns dos anos 60.
O formato é ideal, e o disco já nasce como um dos melhores da discografia de Alf -por ter sido gravado com pequena formação, é perfeito para se ouvir em detalhes seu piano, sua voz, suas composições, a improvisação dos músicos que o acompanham.
Ele fazia antes, diz Ruy Castro
"Cada disco novo de Johnny Alf é um acontecimento na música popular brasileira", observa o escritor e jornalista Ruy Castro, autor dos livros sobre a bossa nova "Chega de Saudade" e "A Onda que se Ergueu no Mar", este último com capítulo dedicado a Alf.
Ruy Castro lembra a importância do músico: "O Johnny Alf, sem dúvida, foi um grande precursor da bossa nova, na década de 50. É um processo que já vinha desde os anos 40, pelo menos -a bossa nova era apenas uma inovação em cima de uma bossa brasileira que já existia, a conclusão de um processo evolutivo. E o Johnny Alf, assim como o João Donato, já era bastante evoluído dentro desse processo todo -ou seja, ele já era uma bossa nova dez anos antes da bossa nova".
O próprio João Donato, também pianista, se lembra da época e do que significava para ele Johnny Alf. "No tempo que a gente era mais moderno, mais garoto, era uma troca de informações entre nós mesmos e quem podia informar as coisas para gente era Johnny Alf. Ele teve papel fundamental no desenvolvimento harmônico da minha música, me ensinava não como uma teoria, mas um estado de espírito. Você sente no resultado prático e oculto da música que ela não tem números, tem apenas um efeito sobre a sua alma. Com um som você consegue ficar alegre ou triste, enraivecido ou amoroso. Se você consegue sentir um som, ele tem uma importância mais que fundamental, é vital. E o que eu aprendi de bom, aprendi com Johnny Alf. Dizem que nosso som era moderno. Continua sendo! Uma vez moderno, sempre moderno. Isso independentemente de uma data cronológica. O som é moderno porque é bonito, sempre foi e sempre será. Não precisa passar por uma época ou outra."
Influência do jazz
Johnny Alf, que continua moderno hoje, se lembra de como nasceu aquele som. "Eu ouvia muito Sarah Vaughan e Nat King Cole, cantava muito o repertório deles na boate. Aí, aprendi a usar o jazz como cobertura na minha música. Eu fazia aquilo que eu tinha adquirido no tempo, com música americana, compositores antigos que já tinham uma harmonia aperfeiçoada, Garoto, Custódio Mesquita, [Dorival] Caymmi. Na época, havia um interesse comum entre eu, Donato, Tom [Jobim] em fazer algo moderno. Mas eu não pensava no que ia fazer, tocava e saía naturalmente."
Tão naturalmente que aquilo se tornou o primeiro ponto definitivo de mudança, o norte de todos os músicos que fariam a revolução alguns anos depois. Desde 1954, Johnny Alf se apresentava na boate do Hotel Plaza, no Rio Janeiro, e parte do público que batia cartão ali para vê-lo era formado por Tom Jobim, João Gilberto, João Donato, Carlos Lyra e Roberto Menescal. No ano seguinte, Alf se mudaria para São Paulo e por aqui ficaria definitivamente, gravando seus primeiros LPs no começo da década seguinte, após alguns influentes 78 rotações.
Sempre cult, continuou lançando discos e fazendo shows, ou pelo menos sendo genial, mesmo com a produção baixa. Agora, hora de comemorar a volta triunfal e não deixar o ritmo cair.

Viagem no tempo pra um pouco antes, ainda não havia Mais Um Som, mas Johnny fazia show e valia pauta. Repara na história do disco que ouvi dele e usei pra concluir o texto.
Johnny Alf retorna ao palco com sua melodia sinuosa
Estilista fundamental da música brasileira, responsável pelas primeiras revoluções que dariam origem à bossa nova, o cantor e pianista Johnny Alf oferece amanhã e sábado chance rara de ser visto e ouvido em pessoa, dentro do projeto Toca Brasil, do Itaú Cultural. Com poucos discos lançados -a maioria deles fora de catálogo- e sem fazer apresentações freqüentes, Alf anda quase esquecido, apesar do status cult que geralmente vem associado a seu nome.
Atualmente com 75 anos, o músico diz que segue produzindo e continua compondo, mas não sabe explicar o motivo de não lançar álbum novo no mercado brasileiro há cinco anos. "A música mudou muito, não sei se o meu estilo agrada às pessoas de hoje", esquiva-se. Uma das maiores razões, sabe-se, é sua personalidade extremamente tímida e introvertida, que o torna reservado e dono do seu próprio ritmo. "Hoje em dia os discos são gravados muito rapidamente, não gosto disso. Prefiro fazer tudo mais devagar, escolher bem o repertório, pensar nos arranjos", explicita.
Músico da noite desde meados dos anos 50, costumava ter em seu público cativo admiradores como Tom Jobim, João Gilberto e Baden Powell. Compositor muito influenciado pelo jazz, lançou seu primeiro compacto de 78 rotações em 1952 e por toda a década criou clássicos de melodia sinuosa e harmonia sofisticada -como "Eu e a Brisa", sua canção mais famosa- que se tornaram referências essenciais para os músicos que depois inventariam a modernidade da bossa nos anos 60.
Reverência
Nascido Alfredo José da Silva no Rio de Janeiro, Johnny Alf em 1955 veio morar em São Paulo, onde vive até hoje. No auge da música popular moderna, quando era reverenciado por toda a geração imediatamente posterior à sua, dividiu seu tempo entre as duas cidades. Como em 1962, quando foi ao Rio regularizar sua carteira de músico profissional e acabou passando temporada de jam sessions com os músicos de samba-jazz do Beco das Garrafas.
"Nós" (EMI, 1974) e "Desbunde Total" (Warner, 1978), produtos da mistura de samba-bossa, funk e experimentações sonoras do Brasil dos anos 70, são os dois únicos registros do Johnny Alf clássico encontráveis nas lojas hoje. Além desses, pode-se esbarrar em algum disco ao vivo dos anos 90, mas nem sinal de seus primeiros álbuns, peças-chave da bossa, ou mesmo discos mais recentes, gravados para os mercados americano e japonês, ainda inéditos.
Faz falta também, há 40 anos, um lendário LP nunca lançado, em que ele interpreta versões de standards da bossa em inglês, coisas como "Little Boat" e "One Note Samba".
A gravação foi feita na primeira metade dos anos 60 na gravadora RCA, atual BMG. "Gosto bastante desse disco, foi muito bom fazer e o resultado saiu ótimo. Não sei por que a gravadora não editou. Talvez eles ainda lancem, não dá pra entender".

No mesmo fôlego, apareceu aqui, nem lembro como, a exata gravação que ele comenta poucas linhas acima. Nunca li ou ouvi qualquer outra referência sobre o tal disco, então foi uma surpresa agradável ouvir - apesar da falta de excepcionalidade. A interpretação e sotaque de Johnny soam ótimos, com sua voz de caramelo à Nat Cole e brincadeiras vocais à Sarah Vaughan; mas a base é bossa nova de caixinha de música esquema linha de produção - justo, muito por conta da baixa fidelidade de gerações de cópias em cassetes ou rolos passadas adiante.
Vale pelo charme torto das versões em inglês de "Rapaz de Bem", "Sky and Sea" e "Excuse Me Mr Chopin" (e das obrigatórias "Desafinado", "Meditação" et cetera), nascidas do mesmo impulso que gerou discos em inglês, pela mesmo época de explosão mundial da bossa, de Carlos Lyra, Astrud Gilberto, Tom Jobim, Marcos Valle.
Doze músicas, Johnny Alf em 1963, em inglês, aqui.
*
(Fotos pelo post? Eugênio Vieira, claro.)

Aproveitando o embalo, Rapaz de Bem, matéria que escrevi pra Folha quando Johnny Alf lançou Mais Um Som, primeiro disco de inéditas em 28 anos - e um dos únicos em que é gravado ao piano. Pro texto, ouvi o Johnny, conversei com Ruy Castro e resolvi ligar pro Donato - que mandou um fristáile lindo que fiquei feliz de manter no texto final.
Depois continua que tem outra dessas e um doce pra quem chegar até o final.
Rapaz de bem
Vinte e oito anos. Parece inacreditável, mas é o tempo desde a última vez em que o cantor, pianista e compositor Johnny Alf lançou no Brasil um álbum novo, gravado em estúdio, de músicas inéditas. "Desbunde Total", de 1978, foi o último -desde então, apenas discos ao vivo, regravações com convidados, tributos a outros compositores. Mesmo assim, pouquíssimos, com intervalos enormes entre eles. Muito pouco para um músico do tamanho de Johnny Alf.
A boa notícia é "Mais Um Som", gravado em 2002, lançado no Japão em 2004, recém-desembarcado no Brasil em edição nacional: a aguardada quebra do jejum, com 15 composições inéditas na voz do autor. Amanhã acontece show de lançamento do disco, com o mesmo quinteto que acompanha Alf há década e meia e com quem gravou o álbum.
Realizado pelo produtor japonês Jun Itabashi, o disco surgiu com a proposta de se fazer um CD com músicas novas, sem os hits de sempre da história do compositor, e com sonoridade acústica lembrando álbuns dos anos 60.
O formato é ideal, e o disco já nasce como um dos melhores da discografia de Alf -por ter sido gravado com pequena formação, é perfeito para se ouvir em detalhes seu piano, sua voz, suas composições, a improvisação dos músicos que o acompanham.
Ele fazia antes, diz Ruy Castro
"Cada disco novo de Johnny Alf é um acontecimento na música popular brasileira", observa o escritor e jornalista Ruy Castro, autor dos livros sobre a bossa nova "Chega de Saudade" e "A Onda que se Ergueu no Mar", este último com capítulo dedicado a Alf.
Ruy Castro lembra a importância do músico: "O Johnny Alf, sem dúvida, foi um grande precursor da bossa nova, na década de 50. É um processo que já vinha desde os anos 40, pelo menos -a bossa nova era apenas uma inovação em cima de uma bossa brasileira que já existia, a conclusão de um processo evolutivo. E o Johnny Alf, assim como o João Donato, já era bastante evoluído dentro desse processo todo -ou seja, ele já era uma bossa nova dez anos antes da bossa nova".
O próprio João Donato, também pianista, se lembra da época e do que significava para ele Johnny Alf. "No tempo que a gente era mais moderno, mais garoto, era uma troca de informações entre nós mesmos e quem podia informar as coisas para gente era Johnny Alf. Ele teve papel fundamental no desenvolvimento harmônico da minha música, me ensinava não como uma teoria, mas um estado de espírito. Você sente no resultado prático e oculto da música que ela não tem números, tem apenas um efeito sobre a sua alma. Com um som você consegue ficar alegre ou triste, enraivecido ou amoroso. Se você consegue sentir um som, ele tem uma importância mais que fundamental, é vital. E o que eu aprendi de bom, aprendi com Johnny Alf. Dizem que nosso som era moderno. Continua sendo! Uma vez moderno, sempre moderno. Isso independentemente de uma data cronológica. O som é moderno porque é bonito, sempre foi e sempre será. Não precisa passar por uma época ou outra."
Influência do jazz
Johnny Alf, que continua moderno hoje, se lembra de como nasceu aquele som. "Eu ouvia muito Sarah Vaughan e Nat King Cole, cantava muito o repertório deles na boate. Aí, aprendi a usar o jazz como cobertura na minha música. Eu fazia aquilo que eu tinha adquirido no tempo, com música americana, compositores antigos que já tinham uma harmonia aperfeiçoada, Garoto, Custódio Mesquita, [Dorival] Caymmi. Na época, havia um interesse comum entre eu, Donato, Tom [Jobim] em fazer algo moderno. Mas eu não pensava no que ia fazer, tocava e saía naturalmente."
Tão naturalmente que aquilo se tornou o primeiro ponto definitivo de mudança, o norte de todos os músicos que fariam a revolução alguns anos depois. Desde 1954, Johnny Alf se apresentava na boate do Hotel Plaza, no Rio Janeiro, e parte do público que batia cartão ali para vê-lo era formado por Tom Jobim, João Gilberto, João Donato, Carlos Lyra e Roberto Menescal. No ano seguinte, Alf se mudaria para São Paulo e por aqui ficaria definitivamente, gravando seus primeiros LPs no começo da década seguinte, após alguns influentes 78 rotações.
Sempre cult, continuou lançando discos e fazendo shows, ou pelo menos sendo genial, mesmo com a produção baixa. Agora, hora de comemorar a volta triunfal e não deixar o ritmo cair.

Viagem no tempo pra um pouco antes, ainda não havia Mais Um Som, mas Johnny fazia show e valia pauta. Repara na história do disco que ouvi dele e usei pra concluir o texto.
Johnny Alf retorna ao palco com sua melodia sinuosa
Estilista fundamental da música brasileira, responsável pelas primeiras revoluções que dariam origem à bossa nova, o cantor e pianista Johnny Alf oferece amanhã e sábado chance rara de ser visto e ouvido em pessoa, dentro do projeto Toca Brasil, do Itaú Cultural. Com poucos discos lançados -a maioria deles fora de catálogo- e sem fazer apresentações freqüentes, Alf anda quase esquecido, apesar do status cult que geralmente vem associado a seu nome.
Atualmente com 75 anos, o músico diz que segue produzindo e continua compondo, mas não sabe explicar o motivo de não lançar álbum novo no mercado brasileiro há cinco anos. "A música mudou muito, não sei se o meu estilo agrada às pessoas de hoje", esquiva-se. Uma das maiores razões, sabe-se, é sua personalidade extremamente tímida e introvertida, que o torna reservado e dono do seu próprio ritmo. "Hoje em dia os discos são gravados muito rapidamente, não gosto disso. Prefiro fazer tudo mais devagar, escolher bem o repertório, pensar nos arranjos", explicita.
Músico da noite desde meados dos anos 50, costumava ter em seu público cativo admiradores como Tom Jobim, João Gilberto e Baden Powell. Compositor muito influenciado pelo jazz, lançou seu primeiro compacto de 78 rotações em 1952 e por toda a década criou clássicos de melodia sinuosa e harmonia sofisticada -como "Eu e a Brisa", sua canção mais famosa- que se tornaram referências essenciais para os músicos que depois inventariam a modernidade da bossa nos anos 60.
Reverência
Nascido Alfredo José da Silva no Rio de Janeiro, Johnny Alf em 1955 veio morar em São Paulo, onde vive até hoje. No auge da música popular moderna, quando era reverenciado por toda a geração imediatamente posterior à sua, dividiu seu tempo entre as duas cidades. Como em 1962, quando foi ao Rio regularizar sua carteira de músico profissional e acabou passando temporada de jam sessions com os músicos de samba-jazz do Beco das Garrafas.
"Nós" (EMI, 1974) e "Desbunde Total" (Warner, 1978), produtos da mistura de samba-bossa, funk e experimentações sonoras do Brasil dos anos 70, são os dois únicos registros do Johnny Alf clássico encontráveis nas lojas hoje. Além desses, pode-se esbarrar em algum disco ao vivo dos anos 90, mas nem sinal de seus primeiros álbuns, peças-chave da bossa, ou mesmo discos mais recentes, gravados para os mercados americano e japonês, ainda inéditos.
Faz falta também, há 40 anos, um lendário LP nunca lançado, em que ele interpreta versões de standards da bossa em inglês, coisas como "Little Boat" e "One Note Samba".
A gravação foi feita na primeira metade dos anos 60 na gravadora RCA, atual BMG. "Gosto bastante desse disco, foi muito bom fazer e o resultado saiu ótimo. Não sei por que a gravadora não editou. Talvez eles ainda lancem, não dá pra entender".

No mesmo fôlego, apareceu aqui, nem lembro como, a exata gravação que ele comenta poucas linhas acima. Nunca li ou ouvi qualquer outra referência sobre o tal disco, então foi uma surpresa agradável ouvir - apesar da falta de excepcionalidade. A interpretação e sotaque de Johnny soam ótimos, com sua voz de caramelo à Nat Cole e brincadeiras vocais à Sarah Vaughan; mas a base é bossa nova de caixinha de música esquema linha de produção - justo, muito por conta da baixa fidelidade de gerações de cópias em cassetes ou rolos passadas adiante.
Vale pelo charme torto das versões em inglês de "Rapaz de Bem", "Sky and Sea" e "Excuse Me Mr Chopin" (e das obrigatórias "Desafinado", "Meditação" et cetera), nascidas do mesmo impulso que gerou discos em inglês, pela mesmo época de explosão mundial da bossa, de Carlos Lyra, Astrud Gilberto, Tom Jobim, Marcos Valle.
Doze músicas, Johnny Alf em 1963, em inglês, aqui.
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(Fotos pelo post? Eugênio Vieira, claro.)
Marcadores: Antonio Carlos Jobim, Astrud Gilberto, Ensaios, Evangelista Jornalista, FSP, João Donato, Johnny Alf, Marcos Valle, Nat King Cole, Ruy Castro, WWDD?
Bluchanga
0 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 3 de fevereiro de 2009 at 8:45 PM.
Esta foto histórica fue tomada en un club del Bronx de nombre Club Cubano Interamericano en 1962.
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Daqui.
Marcadores: João Donato, Mais que mil palavras, Mongo Santamaria, WWDD?
What Would Donato Do?
4 Comments Published by Ronaldo Evangelista on terça-feira, 14 de outubro de 2008 at 1:48 PM.
Eu não tenho religião porque simpatizo com muitas. Cada uma me ensina algo e sigo feliz somando todas. Algumas, claro, são intensas e efêmeras e deixam rastros que você carrega sem nem mais perceber. Outras são perenes e te contemporizam com quem você é. Dessas, no meu altar pessoal, figura especialmente uma peça-chave dos ensinamentos da humanidade: João Donato. Se toda religião é fábula e interpretação, fico aqui mesmo com meus ícones pessoais.
A elevação de Donato vem da simples percepção que sua música toca e enche de paz de um jeito sobrenaturalmente natural - e da consciência e aceitação da sabedoria de seus ensinamentos sobre a importância da simplicidade, que transbordam por sua música. Donato é o filho pródigo enviado de uma força maior que ele aceita completamente: a música. Ou, melhor dizendo, o silêncio, que ele trata com o maior respeito e só o interrompe se tiver a nota certa a dizer.
Donato ensina para todos com um ouvido em pé, sem distinção de qualquer gênero, subgênero, grupo, gosto, classe, estilo ou separação: vale tudo, pra tudo, pra todos. Desde que tenha aquele som bonito. E, entre os sons que enchem de paz, ele ensina com a simplicidade de quem não precisa muito pra encontrar a sabedoria no cotidiano: Todas as pessoas são a mesma coisa e todas têm o mesmo problema. Então, em se tratando de mim mesmo, eu sou igual a qualquer um. Eu gosto de qualquer um de uma maneira como gosto de mim mesmo.
*
Certo dia, pelos idos de 2003, me sentei com Donato pra uma sessão de audição de jazz pra uma matéria na Jazz+ e, entre papos aleatórios, ele me disse algo que sempre lembro na paz da madrugada:
Até hoje eu levo uma certa dificuldade em encontrar um dia que seja igual ao dia da maioria das pessoas, porque eu já gosto daquela parte em que dá três e meia da manhã, onde parece que existe um silêncio total no mundo. Ali é o momento mais calmo do mundo, três e meia da manhã. Não é nem duas nem é cinco, é uma hora que parece que tudo pára, é um silêncio quase que absoluto. Nem ônibus passa, nem carro, nem nada, nem o telefone toca, nem coisa nenhuma. Dizem que é nesse momento que você ouve a voz de Deus. Talvez seja verdade, porque me vem muita música nesse horário que eu não tô com o rádio ligado. Na hora que o silêncio é silêncio - mas um silêncio comum, natural, o mundo já está em silêncio. Então, nessa hora eu começo a ouvir um bocado de... eu começo a ouvir Música. Começo a ter uma relação mais íntima com o criador, e fico mais ou menos conversando comigo mesmo, e tendo como resposta alguém que responde as minhas perguntas. Eu mesmo respondo, eu mesmo pergunto, eu mesmo ouço a resposta. Enfim, quem tá me dando essas orientações? Não sou eu...
*
(Foto sensa do Eugênio.)
Marcadores: João Donato, WWDD?