RONALDOEVANGELISTA


nouvelle strip


(Imagem daqui)

Não existem limites para idéias. Prova diária e inspiração infinita é Laerte, com a liberdade e criatividade sem fins de suas tiras, histórias, pensamentos, figura. Suas pequenas observações externas de grande ressonância interna de todo dia estão entre as melhores coisas desenhadas, escritas, pensadas do mundo hoje. Em ótima entrevista para o Gonzo, para a Vice, comentou a tal fase atual dos últimos anos das suas tiras (que chamou, em tom de piada, com o irresistível título do post), de experimentações formais, narrativas e poéticas e beleza absurda. Ou antes, um passo:

Lembro de uma entrevista do Chico Buarque que foi decisiva. Ele disse que a canção era uma linguagem típica do século XX, e que os tempos estavam mudando, e que novas direções estavam se apontando. E eu transportei para a minha área e fiquei pensando que é muito possível isso no quadrinho.

Eu me baseava em uma experiência que tive no Capão Redondo, onde propus uma ideia de fazer um Salão de Humor do Capão Redondo, há uns anos. Eu achava que ali tinha um potencial de linguagem, uma demanda de coisas que estavam bloqueadas pela marginalização das periferias. Comecei a me entender com eles, através do Instituto Sou da Paz, e percebi que na verdade eles não queriam aquilo, não batia com a realidade do Capão Redondo.

O que apontava ali era outra coisa, que eu não consegui entender direito o que era, mas que identifiquei na profusão e na maneira forte pela qual eles se expressavam na própria pele e nos muros, que são a pele da cidade: grafites, pixações e tatuagens. Eu ficava pensando que isso tem muito pouco a ver com o CARTUM, de SALÃO, de Piauí, de Piracicaba, todos esses momentos.

E aí comecei a pensar se eu também não estava repisando, dentro do meu processo individual.





(Imagem daqui)

Se em colagens, gags visuais, cartuns, tiras Laerte já é mestre da inteligência sensível, em narrativas longas é brilhante, como n'As Aventuras Rocambolescas de Dionisio Galalau, A Noite dos Palhaços Mudos e a recente e semi-autoral Eu, Travesti. Somando bons agouros para o futuro, na entrevista ainda comentou de plano próximo, pra trazer esperança ao futuro:

Eu continuo pensando em fazer graphic novels, tenho uma ideia sendo gestada, para a Companhia das Letras. Ainda está meio vago, quero fazer algo nesse clima de autobiografia, e que contemple também essa história que eu vivi, social, política, afetiva, vamos dizer um pós Laertevisão.

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