RONALDOEVANGELISTA


De repente, as coisas já não são as mesmas

Honrado, aceitei convite do Mini para fazer um post no Conector. Aproveitei a oportunidade e escrevi sobre a necessidade de nos apaixonarmos todos os dias - e como essa paixão nos move a criar.

Aqui ou abaixo:



Outro dia estava eu na casa de uma amiga e ela me mostra uma pilha de fanzines recém-entregues pelo carteiro. Todos geniais, mas um especial me fascina: folheio de capa a capa, folheio de novo e quinze minutos depois, quando o assunto já mudou, quero folheá-lo novamente. Depois de mais algum tempo inspirado por algo ali que não sei explicar, finalmente falo: vamos fazer um fanzine?

Entre o momento em que alguém resolveu fazer seu zine e esse mesmo zine passeou pelo mundo e chegou nas nossas mãos, algo aconteceu. Entre a tesoura e o photoshop, a gráfica e o correio, nasceu algo maior do que a soma das partes. Uma idéia virou resultado e a criatividade se transformou em uma mensagem que só depende de chegar ao alcance da pessoa certa para cumprir seu papel e inspirá-la.

Você está dizendo o que disse a Miranda July, notou minha amiga ao ouvir minha digressão. E me mostrou o vídeo acima (ali pelos 3:40): "I guess my favorite thing in the world is when I look at a piece of art or read a story or watch a movie where I walk away feeling like, 'Oh my God, I have to do something, I have to make something or talk to someone. Things are not the same anymore'."

E, veja só, mais do que comentar a arte, estamos falando de uma escolha de vida, onde a inspiração é uma busca diária. A visão ordinária não serve mais: pra quê o mesmo, se podemos ter diferente; pra que o médio, se podemos buscar o especial? Se você tem um blog e convida dez pessoas para postar nele na sua ausência, com a confiança de que não importa o que façam vão instigar a sua curiosidade, é porque é assim. Se você conhece o Mini e está lendo este blog, é porque também é assim.

E somos assim o tempo todo, viciados nas coisas grandes e pequenas que nos ajudam a notar o que antes não percebíamos e nos inspiram a ter idéias novas. Seja um fanzine estiloso, uma banda nova que te conquista, um blog cheio de coisas bonitas, um disco que não sai da vitrola, aquele vídeo surreal achado no YouTube ou o filme que entra sob sua pele. De repente, as coisas já não são as mesmas.

Nessa nova vida de jovens adultos que engole minha geração é fácil esquecer quais afinal são os pilares de nossas fundações. Amor, trabalho, grana, sucesso? Os mais loucos não largam a busca pela mágica de cada pequena coisa e a inspiração consciente de cada ato. A constante faísca de criatividade que nasce de ver, fazer e viver coisas bonitas.

Agora pense na web 2.0, no quanto a interatividade é essencial em nossos tempos, na importância da relação imediata entre qualquer post em blog, vídeo no YouTube, música no MySpace, publicidade viral, marketing de guerrilha e quem está consumindo cada coisa como batata frita de fast food. Em qualquer discussão sobre o futuro da mídia, qualquer mídia, uma verdade é desde sempre o ponto de partida: sobrevive quem conquista e mantém o público.

Como você já sabe, quando se trata de idéias hoje todo mundo é produtor e consumidor em tempo real. As idéias circulam nas internetes em velocidade warp e, mais, vivemos com a completa facilidade de criar nossos próprios canais de notícias, referências, influências, amizades, com readers de rss, Technorati, We heart it, last.fm, Pandora e tantos outros esquemas de que ninguém ainda ouviu falar.

O que não interessa você apaga do radar, o encontro casual vira assinatura de feed e quando você vê a casa está de pé: cada um com seu universo e todos se conectando. Impossível não encontrar a inspiração diária. Mas, dentro da avalanche de informações do novo mundo, você vai ter que gostar tanto daquilo que tem que fazer algo.

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Lift up your hearts and sing me a song



Aí outro dia a Dani chegou e pediu: faz uma mixtape pro Don't Touch My Moleskine?

E disse eu: pedido da Dani é uma ordem. Mixtape pro melhor blog do mundo hoje? Tem que ser simples, mas elegante; bonito, mas discreto; sensível, mas sem frescura; sério, mas divertido. Então, tem a Nina Simone de tirar o fôlego cantando Duke Ellington, a brisa do mar de uma canção donatiana do Rodrigo Amarante na Orquestra Imperial, o Andrew Bird com clima de caixa de música, a Elis elegantérrima cantando Dolores Duran em francês, a Dusty Springfield oferecendo café na cama e sexual healing, o Erasmo falando do que só quem viu entende, a linda Zooey dizendo pra você sentar e fazer ela sorrir, os ultra-talentosos Gustavo e Monique chamando pra fugir com eles no Sunset, a Rose Stone cantando estáile com seu irmão Sly, uma música de levantar e dançar da época de antes da sua mãe ser viva, uma delicadeza sem fim com a Gal cantando acompanhada só do piano do Donato, o Al Green e a Corinne dizendo pra ir com calma que tudo dá certo e finalmente o Willie Bobo dando o toque: esse jeito do mal não é legal.

Vá lá.

Baixe aqui.

01 nina simone mood indigo
02 orquestra imperial o mar e o ar
03 andrew bird's bowl of fire beware
04 elis regina la nuit de mon amour
05 dusty springfield breakfast in bed
06 erasmo carlos sorriso dela
07 she & him why do you let me stay here?
08 sunset run with me
09 sly & the family stone runnin' away
10 the beatles your mother should know
11 gal costa até quem sabe
12 al green & corinne bailey rae take your time
13 willie bobo evil ways

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Voz amiga



Peguei na Dani.

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Você só ganha o que você merece

Tá ligado o Portishead? Tá ligado o disco novo? Tá ligado aquela introdução em português? A Kakau descobriu como aconteceu e quem gravou e botou no blog dela entrevista com o dono da voz: um professor de capoeira que mora em Bristol.

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Be good, get good or give up


Zeflas, quem diria, agora tem blog. Meu parceiro de podcast, que não tem nem celular, foi convidado a dar dicas a bandas novas durante um mês, dentro desse projeto Produtores Toddy, que tem o Rossatto por trás. Para não perder a fama de mau, Zé já começa bem e oferece sua primeira dica a aspirantes a popstar: DESISTA. Achei sensato.

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Have I got this memories or have they got me?



Essa é pra Dani.

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Um jeito das pessoas seguirem o pensamento das outras

Falando no Domingos e no Todas as Mulheres, o Carneiro fez ontem um post responsa no blog dele sobre o assunto. Além de comentar o filme com elegância, ainda me conta que o Domingos agora tem um blog no site da Bravo!.

Com a palavra, Domingos:

Outro dia compreendi o que é um blog. Por isso eu resolvi aceitar este por um mês. É uma coisa muito mais importante do que eu tenho pensado. É um jeito das pessoas seguirem o pensamento das outras. Do jeito que ele é. Descontínuo. Desordenado. Casual. É uma espécie de diário do escritor do blog. Selecionado aquilo que pode interessar a todos. E a meta do blog é “fazer amigos e influenciar pessoas”, título de um livro do meu tempo que fez um sucesso danado, acho que foi o primeiro de auto-ajuda. Dale Carnegie.”

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