RONALDOEVANGELISTA


ai ai! ui ui! ai!



1.
O Berlin talvez seja o bar mais charmoso da cidade. Aquele papel de parede, balcão, cadeiras de boteco retrô, micro-palco com iluminação de show de strip de beira de estrada - é um dos lugares com maior capacidade de te transportar para outro lugar no momento em que você entra pela porta. Por outro lado, exige uma abstração do ouvido: já é famosa a má qualidade do som. E ainda a distância - o retorno do Baixo Augusta adiou mais o anunciado hype da Barra Funda. Mas, na hora certa, bom de estar lá e saber que é o lugar certo. (Show da Tulipa lá no ano passado, em clima de transe rock-hippie na meia-luz vermelha, foi de uma crueza e intensidade saudáveis, em comparação com lugares como Studio SP.)



2.
A história já era boa desde que o projeto nasceu como uma homenagem aos 80 anos do Gainsbourg lá no bistrô do Scandurra, com a Bárbara Eugênia e a Andrea Merklel mais o Carneiro, Alex Antunes e acho que até o Arnaldo de sobrenome homônimo mas não parente do Alex. // (Cheguei a convidar a banda a tocar no Cedo & Sentado, na época sob minha curadoria; mas acabou não rolando.) // Daí outro dia a Juérre conta por acaso das novas do agora Provocateurs: ela também canta, tem até banda inteira e o repertório não é só Gainsbourg, mas chansons várias. Show marcado, jurei que ia, por algum motivo qualquer não fui.



3.
Na sexta cheguei no Berlin quase duas, torcendo pra pegar algo. Peguei tudo: encontrei Bárbara, Juliana, Felipe e me posicionei pra assistir. Até algumas horas antes, seria um show da Bárbara naquela noite. Mas Dustan, peça fundamental, teve que entrar num avião de última hora e, pra não desmarcar, convocação a quem pudesse vir do Provocateurs. // De formação improvisada, Edgard tocava como se não houvesse amanhã e gritava pra banda quaisquer mudanças inesperadas, Demétrius e Felipe iam inventando grooves e dinâmicas e brincando com o ritmo, Pingüim atacando órgãos e moogs em quaisquer espaços vazios. Exatamente o show que os músicos mais temem e os fãs de música mais gostam: instintivo, inesperado, sem rede de proteção. Juliana, de olhos fixos e mãos firmes no microfone, cantou naif como France Gall e Françoise Hardy encarnadas. Bárbara, leve e nonchalant, cantou Gainsbourg a granel e deixou baixar a Jane Birkin. // Imagine o que foi "Les Cactus", a banda pegando pesado com a base simples e hipnótica e a Bárbara nos uis até falhar a voz. Fiquei pensando nos ensaios, músicos, preparações e me perguntando, coçando a cabeça: fica melhor?

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