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o sofrimento não nos dá medalha



"Veneno pra dois" é das favoritas da Carmen, grande pérola do Braguinha com Alberto Ribeiro, hino ao desencanto, puro pós-romance, pleno 1938. Ninguém lembra, claro - é não só ano de "Na Baixa do Sapateiro" (e de "E o mundo não se acabou"), como véspera da avalanche "O que é que a baiana tem?". Mas vai ouvindo: clima de combo jazz latinizado, fórmula pop atacando direto no refrão, a interpretação de Carmen mais coquete do que nunca, seus agudos fazendo cada 78 rotações rodar com mais calor que qualquer outro do álbum. Carmen já com uns dez anos de carreira (e sucesso e cassinos e filmes e prestes a ir pra gringa) e uma canção já ali meio embutida de charme old fashioned, de clima choroso, com a melancolia clássica da música brasileira.

pelo sim, pelo não
é melhor não querer
pois quem tem coração
vive sempre a sofrer

no princípio tão bom
diferente depois
que o amor se transforma
num veneno pra dois

um não querendo não existe briga
pois quem desiste não discute mais
de longe a gente é muito mais, amiga
na opinião dos outros não desfaz

você me deixe, pois, em liberdade
que há de ser muito melhor assim
se perguntar por mim dona saudade
pode ir dizendo que esqueceu de mim

pelo sim, pelo não
é melhor não querer
pois quem tem coração
vive sempre a sofrer

no princípio tão bom
diferente depois
que o amor se transforma
num veneno pra dois

o que hoje é declaração de guerra
ontem já foi declaração de amor
dura tão pouco tudo nesta terra
hoje está frio e ontem fez calor

o sofrimento não nos dá medalha
quem faz sofrer não deve ter amor
vou desistir, que sem haver batalha
não há vencido nem há vencedor




(Foto daqui.)

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1 Responses to “o sofrimento não nos dá medalha”

  1. # Anonymous Anônimo

    Um ano e meio.  

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