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Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa



Olha, gente: é preciso fazer uma distinção importante: uma coisa é ser consumidor de arte, ouvir, ler, gostar. Outra coisa é ser produtor de arte: você pode gostar de Assis Valente, mas não tem obrigação nenhuma de fazer o que ele fazia. Você não pode mesmo fazer nada dentro do universo de linguagem em que ele se movimentou. Já pensou se o Jorge Ben fosse dar uma de Pixinguinha?

***

A exportação não pode ser um critério de julgamento: pode ser, quando desejada, uma parte do trabalho que se realiza, tão passível de crítica quanto o resto. Talvez a mais perigosa, é só. Não se trata de fazer uma jovem inglesa inteligente entender o Tuareg; não é isso que vai testá-la. Uma jovem inglesa inteligente me disse ao ouvir o Tuareg que é muito triste ver que os groups brasileiros tentam imitar as imitações que a western music faz da música oriental, em vez de utilizar seu próprio primitivismo. Eu disse a ela que é muito triste constatar que suas próprias palavras justificam o desprezo com que ela diz western music.


Caetano, de Londres, em carta ao Pasquim, 1970.

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