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Baseado





No começo de tudo era o choro. Não somente pelas primeiras acusações de influência do jazz a Pixinguinha, mas simplesmente porque o choro era por excelência e apuração a linguagem de improvisação brasileira - enquanto o jazz de orquestras, pré-bebop, era apenas um gênero. Algumas das melhores faixas dos discos de orquestras brasileiras nos anos 50 são os choros, como em discos da Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, de Recife. Ou Moacir Santos, que em 1953 escreveu o choro "É você, Kuntz?", em homenagem ao clarinetista e saxofonista Kuntz Naegelle, maestro e mestre dos instrumentos, vindo das orquestras de cassinos cariocas nos anos 40 até o auge do samba-jazz paulista nos 60. Em 1947, logo após o fim dos cassinos, Kuntz criou ao lado do irmão também saxofonista Quincas a pequena grande orquestra Os Copacabana, que se orgulhava dos big sons que tirava com apenas oito músicos, formação ideal para boites. No LP de dez polegadas que Os Copacabana lançaram em 1955, com capa estilosa à jazz em tom vermelho, Vadico ao piano e já imbuindo no inconsciente a idéia do bairro carioca como meca de modernos instrumentistas brasileiros, talvez o ponto alto seja o choro "Baseado" (de Kuntz e Edison Marinho), levado por clarinete lírico e piano expressionista. É fato, até a bossa nova abrir a porteira conceitual para uma música brasileira auto-consciente e deliberadamente pra frente, os melhores momentos de desenvolvimento de arranjos, performance pessoal, interação musical estavam nos choros dos discos de orquestras.

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