RONALDOEVANGELISTA


I want a little sugar in my bowl






Fotos lindas da Nina Simone que eu peguei nesse blog italiano.

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No Ar: Na Sala do Tatá, pt 2



No ar a segunda parte do primeiro programa Na Sala do Tatá, já de saída com Mariana Aydar cantando e tocando em seu violão verde Zé do Caroço, da Leci Brandão, em dueto com Romulo Fróes. Ficou tão massa que a música ganhou até clipe extraído do programa, que você vê aí em cima ou aqui.

Batucando no Leonard Cohen e atrapalhando o andamento, com muito charme, eu mesmo. Não repare. Além da música, conversamos sobre o cansaço do termo MPB, a importância das boas canções, as 3497 novas cantoras brasileiras e pra que serve a música?

O programa é feito na sala do Tatá Aeroplano, produzido pela Colméia e dirigido pelo premiado Artur Louback.

Veja o programa todo (em hi-def) aqui.

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Cuffed, Collared & Tagged


This album is by far the greatest piece of writing, arranging, producing and sequencing genius that I've ever encountered. Anyone who has heard the first two Swamp Dogg albums will possibly say impossible, but after listening to this one will make the cross-over to incredible. The only album that may possibly compare with this one, is the one that I'm contemplating doing in the late future.

Everything that is necessary to make a hit album I have; ego, talent, originality, humor and I am dynamic, articulate, defiant, altruistic, considerate, warm, wonderful & humble. My reputation speaks for itself, having either written, produced or both, hit records for Gene Pitney, Z.Z. Hill, Freddie North, Doris Duke, Wilson Picket, Arthur Conley, Lulu, Stoneground, Johnny Paycheck, Conway Twitty, Dee Dee Warwick, Little Richard, Whispers, Gary Bonds, Joe Tex, Donnie Elbert, Lightning Slim, Irma Thomas, John Rowles, Tommy Overstreet, and Loretta Lynn, just to scratch the surface.

I have also been a Grammy nominee for the last two years. I'm also a Cancer (July 12) and twenty nine years in the world.

What you've just read is my trip and if you can't tolerate it, that's your trip.

Jerry Williams, Jr / P/K/A Swamp Dogg


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Do Cuffed Collared & Tagged, do Swamp Dogg.

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Esplendor de clareza e precisão



Assim como todos nós que gostam muito e conhecem algo da obra de Roberto e Erasmo, Caetano também se pega pensando em quem escreveu o quê em qual música:

"Fera ferida" é muito Roberto na minha cabeça. Não gosto de me intrometer na questão do que é mesmo de Roberto e Erasmo (ou de Lennon e McCartney). Mas tenho curiosidade e alguma idéia sobre as individualidades envolvidas. Há coisas de rima em "Fera ferida" que eu atribuiria a Erasmo (com seu talento para os versos rimados e seu amor por essa forma, como atestam o uso que ele fez do poeminha de Ghiaroni e as letras do disco do "Coqueiro verde" - sem falar em "Sentado à beira do caminho", um esplendor de clareza e precisão), mas o tema de "Fera ferida" é Roberto puro. O que impacta nessa canção é o tom de confissão íntima de Roberto, tom que fica reforçado pelo fato de a música ter sido lançada em sua voz. Mas Erasmo é tudo o que eu disse em "Verdade tropical" e muito mais. Lendo o livro de Midani (que tem algumas lembranças que não coincidem com as minhas mas é mesmo um ótimo livro), vi voltar a imagem forte de Erasmo, sua personalidade rock. José Agrippino de Paula também gostava mais de Erasmo do que de Roberto (como Midani) e eu sempre entendi por quê.

Do blog Obra em Progresso.

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Build Up Eletronic Fashion Show



O senso de humor, o rosto angelical e a voz delicada não são as únicas semelhanças entre Nina e Rita. Nina, você sabe, é talentosa, criativa e divertida estilista e criou discos e shows para cada coleção que lançou. Rita não só era a estilista informal dos Mutantes como fez uma série de shows-desfiles pra Rhodia, chegou a ser convidada a lançar uma linha de roupas com seu nome e, pro Build Up, fez um espetáculo misturando música, moda, cultura pop, metalinguagem.

*

Amigo de Lívio Rangan, o chefão da Rhodia, Midani costumava se reunir com ele para sugerir nomes de artistas, sempre que uma nova superprodução da empresa era planejada. Num desses encontros, no início de 1970, ao sentir um especial interesse de Rangan pelos dotes artísticos da garota, Midani percebeu que chegara o momento de investir na carreira individual de Rita. O big boss da Philips já sabia que as coisas não andavam bem entre os Mutantes e, apesar de ser fã do trio, calculou que a separação poderia ser boa para todos os envolvidos.

O shw Nhô Look era mais uma prova de que Rita levava mesmo jeito para o palco. Elogiada por seu desempenho, ela teve nesse espetáculo a chance de mostrar seu talento extra-musical. Além de cantar e dançar, interpretava o papel de uma garota caipira, Ritinha Malazarte, acompanhada por uma bandinha interiorana com 14 músicos. A coleção exibida por Rita e as manequins do elenco (entre elas Mila Moreira, que depois veio a se tornar atriz) adaptavam para o contexto brasileiro a moda paysan, inspirada no vestuário das camponesas européias.

Além do próximo show-desfile da Rhodia, na Fenit, do qual seria novamente a protagonista, Rita também foi convidada a criar roupas para uma grife jovem, que levaria seu nome. Se os Mutantes não se cuidassem rápido, corriam o risco de perder sua vocalista.

Apesar da resistência de Rita, maior ainda depois que ela voltou às boas com os Mutantes, os planos de André Midani e da Philips para transformá-la em uma cantora de sucesso prosseguiram conforme o traçado. Em julho, Rita retornou ao velho Estúdio Scatena para gravar seu disco, quase a toque de caixa. O álbum deveria estar prensado até meados de agosto, para ser lançado durante a nova produção da Rhodia, na qual Midani também deu vários palpites, de olho no marketing que o espetáculo renderia para a carreira solo de sua nova estrela.

"Encontramos a estrela da década!
Rita Lee"

O outdoor que surgia no encerramento do novo show da Rhodia, com Rita no papel principal, fundiu a cuca de muita gente. Depois da anunciada separação dos Mutantes, da boa atuação de Rita no show-desfile Nhô-Look e, mais ainda, após a notícia de que ela acabara de gravar seu primeiro disco individual, era difícil para quem visse esse espetáculo acreditar que ela ainda ligava seu futuro musical ao dos irmãos Baptista.

Na véspera da estréia do show, no Pavilhão do Ibirapuera, Rita jurava aos repórteres que nem passara por sua cabeça deixar de ser a vocalista dos Mutantes. No entanto, o espetáculo que estreou dia 8 de agosto de 1970, dentro da FENIT (Feira Nacional da Indústria Têxtil), sugeria algo bem diferente. Para começar, o próprio enredo do Build Up Eletronic Fashion Show girava em torno de uma garota (Rita Lee) que sonhava se tornar uma grande estrela. Outro detalhe significativo: Build Up (expressão que significa construir uma imagem; criar em torno de uma pessoa, ou de um produto, uma maneira de facilitar seu consumo) era também o título do LP de Rita, que a Philips prometera distribuir às lojas alguns dias mais tarde.

Produzido por Roberto Palmari, com direção musical de Rogério Duprat e Diogo Pacheco, o show mostrava, com boas doses de meta-linguagem, os bastidores do mundo da comunicação de massa e da propaganda. O cenário reproduzia as instalações de uma agência de publicidade, cujos clientes era, na verdade, os 14 patrocinadores do esptáculo, caso dos postos de gasolina Esso, do cigarro Hollywood, do rum Bacardi, do uíque Old Eight, da bicicleta Caloi, ou da revendedora de automóveis Bino-Ford, entre outros.

O elenco também era enorme. Além de 16 manequins da Rhodia e do balé de Ismael Guizer, participaram o ator Paulo José (como o diretor artístico da imaginária agência), os cantores Jorge Ben, Juca Chaves, Tim Maia, Marisa (vocalista do Bando) e os conjuntos Trio Mocotó, Lanny's Quartet, Coral Crioulo, Os Ephemeros e Os Diagonais. No palco, havia também um sofisticadíssimo sistema audiovisual, controlado por um computador eletrônico, que utilizava seis telas - em quatro delas eram exibidas centenas de slides; em duas outras, um documentário colorido em 16mm.

Rita saiu-se muito bem. Mais uma vez, representou, cantou, dançou e atuou como garota-propaganda, graças a um papel que serviu como uma luva à sua irreverente verve humorística. Ao interpretar a garota ingênua e desajeitada que sonhava se tornar manequim, chegava a escorregar e cair sentada durante um desfile, arrancando muitas risadas do público.


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Da Divina Comédia dos Mutantes, do Carlos Calado.

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Live a little, be a gypsy, get around



Era o ano de 1970, e Paul estava gravando Ram, seu segundo álbum solo. Ele tinha ido ao estúdio A1 da A&R, na Sétima Avenida, para gravar os overdubs dos instrumentos de corda para "Uncle Albert/Admiral Halsey". Quando liguei para o contratante para reservar os músicos, pedi especificamente uma orquestra de primeira. "Forme-a com o maior número possível de spallas", disse-lhe.

Na manhã da primeira sessão, descobri que não tínhamos um maestro. "Hmmm, pensei, isto poderá trazer problemas."

Sendo músico, eu reconhecia as habilidades de um maestro competente. O fato é que, apesar de o público pensar que todos os membros da orquestra estão tocando em conjunto e sincronizados, a impressão que dão é falsa. A realidade é que, quando se está sentado entre outros músicos, é praticamente impossível ouvir o que qualquer um deles - e muito menos você mesmo - está tocando. O maestro, não importa o quão teatral ele possa ser, é de fato a cola mantém unida a orquestra.

Na primeira sessão do overdub dos instrumentos de corda para Ram, a desorientação causada pela ausência de um maestro era visível. "Que tal você reger a orquestra?", sugeri a Paul. "Não fui treinado para isso", respondeu ele. "Mas você é Paul McCartney!", retruquei. "Você escreveu a canção. Ninguém saberia melhor do que você como regê-la." Ele aceitou o desafio.



Phil Ramone, na arrogante e não lá muito bem escrita, mas cheia de pequenas histórias interessantes como essa, biografia Gravando!.

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Cedo & Sentado: Balanço

Depois de nove meses de Cedo & Sentado sob minha curadoria, essa é minha última semana por trás do projeto. Eu sigo daqui, com projetos novos que continuam tendo a ver com boa música nova, mas não necessariamente com shows (ou não só), e o Cedo segue de lá, sob a mesma programação dos shows principais.








O Cedo & Sentado era, até o começo do ano, um horário de shows um pouco mais cedo que a atração principal da noite e em um palco menor, que rolava às sextas e sábados no café do andar de cima do antigo Studio SP, na Vila Madalena. Quando aceitei o convite e assumi a curadoria, o projeto passou a cinco dias por semana (um deles, dedicado a uma nova galera do jazz) e, com a mudança pra Augusta, invadiu o palco principal e se tornou gratuito.










Entre fevereiro e outubro, foram mais de 100 shows, de mais de 50 artistas diferentes. Desde sempre dedicado a novos artistas e projetos especiais, o Cedo foi a oportunidade ideal para oferecer espaço para os cantores e bandas mais interessantes, de todos os estilos, que vi surgindo e crescendo enquanto escrevia sobre música brasileira, jazz e música pop, especialmente pra Folha.






Entre os que mais me encheram de orgulho, entre tantos também legaizíssimos, tocaram no Cedo & Sentado:

Mallu Magalhães



Beto Villares


Lulina


Junior Boca (com Marcelo Cabral e Mauricio Takara)


Tulipa Ruiz


Le Rock Démodé


Monique Maion


Marcelo Jeneci


Projeto Coisa Fina


Silvia Machete


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Entre tantos outros.

E isso é só o começo.

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X-Rated








Vários pôsteres muito massa de filmes proibidos para menores, aqui.

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Vida selvagem



E, em homenagem a ter descoberto hoje que um dos melhores discos de todos os tempos da Tulipa é também um que amo muito, vídeo muito massa (especialmente no primeiro minuto e meio) do Paul com o Wings em 1973.

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Tudo que aqui foi dito valeu



Hoje, no Berlin, show novo da Tulipa, acompanhada de banda cheia de gente legal. Vamo?

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Kind of Blue



Estiloso vídeo filmado pelo pessoal da +Soma no inacreditável show do Junior Boca tocando o Kind of Blue, acompanhado do Mauricio Takara e do Marcelo Cabral, lá no Cedo & Sentado. Muito classe.

Fica ligado que vai ter outro logo mais.

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Precisamos de canções e amigos



Em 1970 Rita Lee, então ainda membro dos Mutantes, gravou seu primeiro disco solo: Build Up. Com produção do Arnaldo Baptista, arranjos de orquestra do Rogério Duprat, guitarra do Lanny Gordin e um punhado de canções que balançavam entre a ingenuidade marota dos Mutantes e impulsos de uma jovem Rita virando mulher e artista, o disco é o favorito da Rita de muitas pessoas de bom gosto, tipo eu. E tipo a Nina Becker. Quando descobri que ela era a maior fã do mundo do disco, a convidei na hora: que tal fazer um show especial tocando o álbum inteiro no Cedo & Sentado? Ela se animou e pronto: quarta que vem, dia 29, de graça, Nina Becker cantando o Build Up, acompanhada do Do Amor. Demais, hein?

Pra ir esquentando, fiz cinco perguntas pra Nina sobre o disco:

O que o Build Up tem de especial?

Tem tudo o que eu gosto junto: cordas, metais, guitarras com efeitos, tango, deboche, coisas lindas e profundas, coisas quase debilóides geniais, como a música cuja letra é uma receita de macarrão à bolonhesa, tem a Rita, que é linda e está cantando de um jeito diferente, o Lanny Gordin, o Rogério Duprat, tem enigmas de mixagem... são muitos itens especiais! Por isso não vou me estender demais.

Você se lembra da primeira vez que ouviu o disco? Foi amor à primeira audição?

Ouvi tanto e desde tão pequena que nem me lembro quando foi. Fiquei um tempão sem ouvir e depois redescobri na adolescência. Das memórias que eu tenho, eu já sabia quase todas as letras e achava que ser cantora devia ser a coisa mais divertida do mundo por causa desse disco. Vai ver que foi por isso...

Você já cantou "Calma" para algum ex-amor, num vai e vem, ida e vinda?*

Não cantei, mas devia. Teria sido tudo bem melhor e mais bonito!

Como serão as versões do show? Os meninos seguiram os arranjos originais ou vocês inventaram surpresas?

Algumas músicas pedem fidelidade, outras dão espaço para uma abertura, para colocarmos a nossa cara no jeito da música ser tocada, até porque somos cinco e não tocamos violinos, metais e hammonds. Quisemos ser autosuficientes e fiéis à nossa formação.

Você está terminando de gravar seu disco novo - discos novos, na verdade, já que serão dois. Alguma influência direta da Rita e do Build Up neles?

Influência total e completa. Realmente acho que talvez o fato de eu agora ser cantora tenha a ver com a impressão que esse disco me passou de que música é algo muito divertido de se fazer. A Rita sempre foi um ícone pra mim, uma mistura de rock n´roll com elegância. E eu, que sempre fui branquinha e sardenta, não muito tropical, acho que desde pequena queria ser que nem ela quando virasse gente grande... Aliás, na quarta-feira que vem será a minha primeira tentativa, espero que ela não fique brava comigo!


(*pergunta especialmente encomendada por Dani Arrais, gentilmente cedida por Don't Touch My Moleskine Corps.)

*

Flyer lindo demais da Jana Pinho.

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Brincar de madrugada



Não conheço esse pico, mas show da Karina é sempre uma boa.

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Vou descer o morro pra cair no mar


Com nome tirado de música do Gilberto Gil, espírito indie, canções tropicalistas e banda paralela de eletro chinfra tropical, o Cérebro Eletrônico em 2008 botou o bloco na rua. Lançou o disco Pareço Moderno, toca daqui alguns dias no Tim Festival, foi das bandas mais interessantes e comentadas de 2008 e agora essa: EP virtual ("Pareço Virtual") pra distribuir em blogs e sites.

Se você tem mesmo ouvido falar neles ultimamente ou se tem visto o Tatá por aí e ficou curiosa, boa oportunidade de ouvir como é massa - especialmente pelas quatro do disco, das melhores.

Baixe aqui.

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Terapia apartamental

"I despise you, that's why I don't love you anymore..."


Outro dia achei o Todas as Mulheres do Mundo inteiro no YouTube e postei aqui e até comentei como ele era algo inspirado no Le Mépris, do Godard. Pois agora, dia desses, trombei com o próprio Desprezo legendado em inglês postado no mesmo esquema na televisão dos nossos tempos. (Seguindo o raciocínio, sites como o Enxame e Blip e Vimeo seriam os canais a cabo?)

Mesmo se você acha tudo muito doido demais e não tem paciência pras excentricidades do Godard - ou se as acha interessantíssimas, como eu - Le Mépris é essencial: um dos filmes mais urbanamente estilosos de todos os tempos, especialmente nas cenas no apartamento do casal central, com a Brigitte Bardot desfilando de peruca preta, no sofá vermelho, de toalha vermelha. (Só ir direto nos vídeos quatro a sete.)

Aproveitando o gancho, o filme vale também como comentário sobre o manifesto anti-nudez do Pedro Cardoso: a cena de abertura, com a Brigitte perguntando se o Michel Piccoli gosta da bundinha dela, diz mais que qualquer coisa que qualquer um possa dizer.

Compra o DVD que vale a pena. Mas, qualquer coisa, taqui:











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Larger than life



Uns três ou quatro fins de semana atrás, fui pro Rio. Lá, encontrei não só Capitão Presença criador e criatura, como bebi com Arnaldo e Liv, fui na Soul Baby Soul, conheci a La Cucaracha. E a tarde de sábado passei em São Conrado, na casa de Luis Carlos Miéle. Encomenda da Trip, que chegou nas bancas agora com matéria minha, resultado do sensacional papo com Miéle.



Pleno fim de tarde de um sábado de sol e Luiz Carlos Miéle está impecavelmente vestido de smoking e gravata-borboleta, sapato brilhante, chapéu de palha na mão. É seu visual mais famoso, reminiscente de antigos musicais americanos, sutilmente adaptado à malandragem brasileira. Batendo levemente o pé no chão em movimentos elementares de sapateado, ele aguarda o sinal do fotógrafo avisando que vai bater nova chapa. De repente, na hora certa, entrega um sorriso exato e poses ensaiadas, com perfeita naturalidade. Miéle conhece os passos de dança do pop.

Pela sua casa no bairro carioca de São Conrado, nas paredes, em mesas, sobre estantes, há todo tipo de coisa: uma Marilyn de Andy Warhol, uma espada samurai, um espelho no qual está escrito “happy birthday” com batom (daqueles fakes, com o batom de plástico grudado no pé do Y), elefantes de porcelana, um gato persa chamado Garfield, cachorros, montes de fotos que parecem não ser olhadas há tempo, com Miéle ao lado de Liza Minnelli, Pelé e dezenas de pessoas com pinta de importantes. E o melhor de tudo: ao lado da piscina, no deck de madeira, uma estátua em tamanho real dele mesmo em pose bon-vivant.

Mementos de 70 anos e quatro meses de uma vida bem vivida; espetáculos, programas, noites, amigos, mulheres, drinques e histórias uma após a outra. Miéle é figura em extinção, daquelas essenciais para a existência da boemia, do bom humor, da cultura pop brasileira, da qual é espécie de sobrevivente. O que faz de Miéle, quase seis décadas de vida profissional, uma figura que vive até hoje no imaginário popular?

“Recentemente fui a um evento e encontrei vários amigos de outros tempos. Muitos sentadinhos, de bengala, a perigo. E vi dois ou três bandidos em plena forma! Então me convenci de que o pecado favorece a preservação da juventude.”

Ele está brincando, mas não muito: Miéle sempre foi um vigoroso adepto de uma boa dose de irresponsabilidade – ou pelo menos uma saudável anarquia. Há alguns anos, caiu da varanda de sua casa. Cinco metros de altura, hospital, pontos na cabeça, rótula fraturada. Lição aprendida? Uísque faz mal à rótula. Miéle achou o segredo do sucesso e a fonte da juventude: dar certo é importante, mas essencial é se divertir.

E ele se divertiu. Homem da noite, humorista, contador de histórias, diretor de espetáculos e de programas de TV e, até, cantor e ator. Reuniões? As melhores conversas aconteceram em madrugadas. Escritório? As melhores idéias vieram nas mesas do bar. Profissionais? Os melhores trabalhos foram feitos com amigos – que, não coincidentemente, eram os melhores profissionais disponíveis.

NA HORA CERTA
O talento de Miéle de viver o momento certo na hora certa, e melhorar o momento um pouquinho mais, começou em casa, filho que era de uma cantora e atriz da rádio Excelsior, em São Paulo. “Foi tudo meio acidental”, vaga ele pelas memórias. “Eu era péssimo aluno e minha mãe queria que eu fizesse algo. Um dia, ela me levou pra participar de um programa na rádio, porque o garoto que ia fazer o papel medrou. Eu tinha 11 pra 12 anos e era cara-de-pau, já era engraçado ou pretendia ser. Depois minha mãe foi contratada pela rádio Tupi e me levou junto e aí chegou a televisão.”

Naquele novo formato de linguagem que era a TV, foi fazendo de tudo: assistente, locutor, diretor. “Não havia escola, ninguém abriu um livro pra ler como é que faz. Ninguém aprendeu televisão no Brasil a não ser fazendo”, diz. Numa dessas, conheceu Ronaldo Bôscoli, figura-chave da bossa nova. “Eu trabalhava na TV Continental e o chamei pra primeira entrevista com o pessoal da bossa que houve na TV”, conta Miéle, orgulhoso. “Depois ele me chamou pra ajudar em um dos primeiros shows de bossa nova, a Noite do Amor, do Sorriso e da Flor. Mas eu não cheguei a tempo de dar a força, só fui lá e entrei no meio pra assistir.”

Entre um primo diretor de teatro que o viciou em cinema, uma prima jornalista que o viciou em jazz e o intensivo de bossa nova de Bôscoli, Miéle descobriu mais uma vocação: diretor de programas musicais na TV e de espetáculos na noite. Ele conta: “Um dia eu e o Ronaldo fomos parar no Beco das Garrafas, onde tocavam os principais músicos, pra dirigir o primeiro show da vida da gente, que era o Sergio Mendes”.

Do Beco, foram subindo as apostas e os ganhos acompanharam: em pouco tempo dirigiam espetáculos dos maiores pop stars brasileiros, de Roberto Carlos a Elis Regina e Wilson Simonal. Na televisão, criavam programas de arte, inspirados nos melhores filmes americanos. “O que eu via no cinema tentava aplicar na TV”, contextualiza. “Quando comecei a dirigir, tentei contar histórias com a câmera, e acho que consegui. Eu e o Bôscoli fizemos programas muito diferenciados pra época, muitas vezes ganhamos prêmios. Éramos considerados os garotos espertos com umas idéias novas. A gente se divertia muito.”



O PEIDADOR
Quando abriu, na década de 70, no Rio, uma casa noturna com Bôscoli, o nome sugerido por Nelson Motta foi alegre e empolgadamente aceito: Monsieur Pujol. Homenagem ao artista francês de fins do século 19 que, conta a lenda, fazia grandes performances no palco utilizando-se de seu principal instrumento: o fiofó. Sempre de calça com um furo nos fundi- lhos, expelindo gases que nasceram para o sucesso, Pujol interpretava músicas, fazia imitações, levava o público ao delírio.

Boa metáfora para a produção da dupla Miéle & Bôscoli: sempre havia quem achasse genial, sempre havia quem se sentisse ofendido, mas ninguém nunca duvidou da ousadia, criatividade e facilidade para atrair as atenções. Juntos, Miéle & Bôscoli vestiram Roberto Carlos de palhaço, fizeram Elis Regina sapatear, assustaram a tradição com programas de TV modernistas, colocaram em movimento alguns dos maiores músicos de seu tempo, ajudaram a inventar a noite brasileira e o formato dos grandes espetáculos musicais como os conhecemos hoje.

Mas, antes, tiveram que se virar nos 30: “Os primeiros shows no Beco das Garrafas, para 50 ou 60 pessoas, nós iluminávamos com lâmpada de 100 velas. Fazíamos um tubo de luz com uma cartolina e colocávamos o interruptor em uma caixa de sapatos. Se o artista se mexesse muito, a gente iluminava com uma lanterna. Em um show do Simonal com a Darlene Glória, eu coloquei uma cadeira de juiz de tênis num canto pra ela sentar em uma cena. Como a gente fazia espetáculo naquela época com prego e cartolina? Tinha que fazer”.

Como todo mundo sabe, o perrengue é o melhor amigo da criatividade. Quarenta anos depois, temos sound designers, light designers, roadies, técnicos de som vindos do Japão e toalhas brancas a granel. Miéle foi vivendo as mudanças: dos 50 lugares do Beco aos milhares nas grandes casas; de novatos a estrelas; do 78 rotações pro LP, do LP pro CD, à morte do CD.

“Um dia quis comprar um disco do Frank Sinatra e fui à Hi-Fi da rua Augusta, que era uma loja importante”, exemplifica com mais um causo. “Quando eu disse que queria ver uns discos do Sinatra, o vendedor fez uma cara de dó pra mim, como quem diz: ‘Coitado, ele ainda não sabe o que aconteceu’. Eu fiquei puto com o desdém do cara, ‘vai dizer que não existe mais disco do Frank Sinatra?’. E ele explicou: ‘Não, Miéle, é que não existe mais disco’. Saí de São Paulo pra fazer show numa sexta-feira, na segunda não tinha mais vinil. Impressionante a mudança das coisas, acho curioso passar por isso por causa da minha idade.”

Em algumas horas de papo, é o terceiro ou quarto comentário sobre idade. Então, depois de tanta história, insisto no assunto: O que o mantém aqui até hoje? “Gosto de lembrar de tudo que já fiz, mas faço questão de sempre falar sobre o que ainda vou fazer”, dá a letra. “Isso é rejuvenescedor, uma forma de não me entregar à idade. Quero saber o que vou fazer daqui pra frente.”

Entre planos de atuar mais (novos episódios da série Mandrake, em que ele fez parte do elenco, começam a ser filmados no ano que vem) e fazer mais shows (com Roberto Menescal e Wanda Sá, com Simoninha e participando do cruzeiro de Roberto Carlos), ele fala ainda em reinaugurar o Beco das Garrafas, criar novas séries na TV e organizar nova montagem da Sinfonia do Rio de Janeiro, de Tom Jobim e Billy Blanco.

Agora, tanto já feito e por fazer, do que mais se orgulha em tudo o que fez? “Provavelmente de não ter feito muitos inimigos”, sem hesitar. “A amizade parece um animal em extinção no mundo de hoje.”

E aí, enquanto educadamente põe jornalista e gravador pra fora, ainda comenta: “Pena que tenho jantar marcado para hoje à noite, senão abriríamos uma garrafa e continuaríamos o papo”. Naturalmente, estava apenas sendo educado. Mas, enquanto ainda penso em descobrir o segredo de tanto tempo fazendo coisas divertidas ao lado de gente legal, me pego pensando: pena mesmo.

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Na Sala do Tatá



Estréia hoje aqui na sua, na minha, na nossa internet a primeira edição do programa Na Sala do Tatá, apresentado por Tatá Aeroplano e moá. Convidados nesta primeira edição, ninguém menos que nossos amigos Romulo Fróes e Mariana Aydar. A idéia é simples: sentar na sala do Tatá, entre instrumentos, discos e brinquedos, e trocar idéia e fazer som.

Veja aqui.

Curtiu?

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What Would Donato Do?



Eu não tenho religião porque simpatizo com muitas. Cada uma me ensina algo e sigo feliz somando todas. Algumas, claro, são intensas e efêmeras e deixam rastros que você carrega sem nem mais perceber. Outras são perenes e te contemporizam com quem você é. Dessas, no meu altar pessoal, figuram especialmente duas peças-chave dos ensinamentos da humanidade: os Beatles e João Donato. Se toda religião é fábula e interpretação, fico aqui mesmo com meus ícones pessoais.

Dos Beatles qualquer dia falo mais, mas a elevação de Donato vem da simples percepção que sua música toca e enche de paz de um jeito sobrenaturalmente natural - e da consciência e aceitação da sabedoria de seus ensinamentos sobre a importância da simplicidade, que transbordam por sua música. Donato é o filho pródigo enviado de uma força maior que ele aceita completamente: a música. Ou, melhor dizendo, o silêncio, que ele trata com o maior respeito e só o interrompe se tiver a nota certa a dizer.

Donato ensina para todos com um ouvido em pé, sem distinção de qualquer gênero, subgênero, grupo, gosto, classe, estilo ou separação: vale tudo, pra tudo, pra todos. Desde que tenha aquele som bonito. E, entre os sons que enchem de paz, ele ensina com a simplicidade de quem não precisa muito pra encontrar a sabedoria no cotidiano: Todas as pessoas são a mesma coisa e todas têm o mesmo problema. Então, em se tratando de mim mesmo, eu sou igual a qualquer um. Eu gosto de qualquer um de uma maneira como gosto de mim mesmo.

*

Certo dia, pelos idos de 2003, me sentei com Donato pra uma sessão de audição de jazz pra uma matéria na Jazz+ e, entre papos aleatórios, ele me disse algo que sempre lembro na paz da madrugada:

Até hoje eu levo uma certa dificuldade em encontrar um dia que seja igual ao dia da maioria das pessoas, porque eu já gosto daquela parte em que dá três e meia da manhã, onde parece que existe um silêncio total no mundo. Ali é o momento mais calmo do mundo, três e meia da manhã. Não é nem duas nem é cinco, é uma hora que parece que tudo pára, é um silêncio quase que absoluto. Nem ônibus passa, nem carro, nem nada, nem o telefone toca, nem coisa nenhuma. Dizem que é nesse momento que você ouve a voz de Deus. Talvez seja verdade, porque me vem muita música nesse horário que eu não tô com o rádio ligado. Na hora que o silêncio é silêncio - mas um silêncio comum, natural, o mundo já está em silêncio. Então, nessa hora eu começo a ouvir um bocado de... eu começo a ouvir Música. Começo a ter uma relação mais íntima com o criador, e fico mais ou menos conversando comigo mesmo, e tendo como resposta alguém que responde as minhas perguntas. Eu mesmo respondo, eu mesmo pergunto, eu mesmo ouço a resposta. Enfim, quem tá me dando essas orientações? Não sou eu...

*

(Foto sensa do Eugênio.)

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Dançar na chuva quando a chuva vem



Duas vezes no Cedo & Sentado, terça passada no Prata da Casa e hoje no Samba do Berlin, Marcelo Jeneci vai conquistando territórios por São Paulo. Já contei: ele toca ou tocou não há muito com Cidadão Instigado, Andreia Dias, Arnaldo Antunes, Bruna Caram, Chico Cesar, Vanessa da Mata e agora está formatando seu próprio trabalho. Apesar de algumas referências explicitamente brasileiras, o Jeneci tem um senso de pop perfeito à Beatles e Beach Boys que dá uma cor especial pra sua música. Isso somado a um hippiesmo saudável e uma good vibe generalizada, que gera música do bem e com excesso de beleza, chocante pra quem vive imerso demais na era da ironia. "É o que quero que um dia meus filhos acreditem", comentou uma amiga fã de Burial e ficção científica, não sem algum espanto.

Os shows do Jeneci sempre têm uma aura especial, que ele intensifica com meialuzes e almofadas e uma simplicidade que aproxima quem está ouvindo de quem está tocando. O fato dele passear entre piano, acordeão, guitarra e estar acompanhado do Régis tocando violões e baixos, Curumin na bateria, baixo, guitarra e Laura no violoncelo e vozes celestiais faz de tudo ainda um pouco melhor. No topo dos seus 25 anos de idade e o dobro de talento, Jeneci anda ainda um pouco tímido, procurando qual é exatamente seu lugar, mas já tem aquela mágica nas suas melodias, nas harmonias da sua voz com a da Laura, na superbanda-de-dois montada pelo Curumin e pelo Régis.

Com o botão dos anos 70 ligado no máximo, o Jeneci tem muito a ver também com o pessoal do +2, em especial no Sincerely Hot. Não que eu tenha nada a ver com isso, mas Kassin produzindo o disco do Jeneci? Me parece uma boa idéia.


(Foto do Eugênio. Mais aqui.)

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Caminhos Cruzados

Gostou da música do Camelo com a Mallu? Bonita, né? E que sacada legal dele cantar uma letra e melodia, a Mallu cantar outra e depois eles cruzarem as duas, diz aí. Agora, tá ligado que isso é um velho truque da música brasileira sessentista melancólica? Só o Caetano usou duas vezes: uma compondo pra Bethânia cantar com a Gal (que na época assinava como Maria da Graça) e outra cantando com a mesma Gal música homônima do lindo lindo disco Domingo, que eles gravaram juntos. O Chico também aproveitou bem a idéia e cantou com sua irmã Cristina uma de suas músicas que mais gosto, Sem Fantasia.

Baixe todas aqui:

maria bethânia e gal costa * sol negro (1965)
caetano veloso e gal costa * domingo (1967)
chico buarque e cristina * sem fantasia (1968)
marcelo camelo e mallu magalhães * janta (2008)

Lembra de mais alguma?

Lift up your hearts and sing me a song



Aí outro dia a Dani chegou e pediu: faz uma mixtape pro Don't Touch My Moleskine?

E disse eu: pedido da Dani é uma ordem. Mixtape pro melhor blog do mundo hoje? Tem que ser simples, mas elegante; bonito, mas discreto; sensível, mas sem frescura; sério, mas divertido. Então, tem a Nina Simone de tirar o fôlego cantando Duke Ellington, a brisa do mar de uma canção donatiana do Rodrigo Amarante na Orquestra Imperial, o Andrew Bird com clima de caixa de música, a Elis elegantérrima cantando Dolores Duran em francês, a Dusty Springfield oferecendo café na cama e sexual healing, o Erasmo falando do que só quem viu entende, a linda Zooey dizendo pra você sentar e fazer ela sorrir, os ultra-talentosos Gustavo e Monique chamando pra fugir com eles no Sunset, a Rose Stone cantando estáile com seu irmão Sly, uma música de levantar e dançar da época de antes da sua mãe ser viva, uma delicadeza sem fim com a Gal cantando acompanhada só do piano do Donato, o Al Green e a Corinne dizendo pra ir com calma que tudo dá certo e finalmente o Willie Bobo dando o toque: esse jeito do mal não é legal.

.

Baixe aqui.

01 nina simone mood indigo
02 orquestra imperial o mar e o ar
03 andrew bird's bowl of fire beware
04 elis regina la nuit de mon amour
05 dusty springfield breakfast in bed
06 erasmo carlos sorriso dela
07 she & him why do you let me stay here?
08 sunset run with me
09 sly & the family stone runnin' away
10 the beatles your mother should know
11 gal costa até quem sabe
12 al green & corinne bailey rae take your time
13 willie bobo evil ways

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Cinebio


Cê viu a programação de filmes musicais do Festival do Rio (que acaba na quinta)? Tem documentários sobre Arnaldo Baptista, Anita O'Day e Jards Macalé, além de Humberto Teixeira, cantoras do rádio e vários outros. Massa.

(Update: Na Ilustrada de terça 7/10, Silvana Arantes tira algumas dúvidas sobre Loki. Um, não vai passar no cinema, só no Canal Brasil e festivais. E dois, Rita Lee não quis participar do filme, mas liberou as imagens de arquivo numa boa.)

Love bites

diz que o amor não morde
e mostra os dentes
pinta o apocalipse
de cor-de-rosa
e quase contente
diz que entende
esse the end
de um jeito
diferente

diz amém mas não mente
conta que aprendeu
tudo com o pai
e isso cai tão bem
para uma mulher
essa mulher
diz que o amor
não morde
e ainda
morde

a língua

*

Arruda (ou arrudA) tem o olhar que separa o cotidiano do sublime. Com suas segundas intenções e a harmonia das rimas imperfeitas sob o braço, vem da melhor linhagem de poetas urbanos e de tradições pop, como Torquato e Ledusha e Leminski (e, não coincidentemente, Eunice). Também como eles, Arruda sabe que pouco é muito e transforma o mundano em especial, brincando com as palavras como letras de canções que ainda não existem. E algumas, na verdade, já existem: ao lado do também talentosíssimo Peri Pane criou uma série de cancões-poemas que deram no show Canções Velhas Para Embrulhar Peixes, que eles me deram a honra de apresentar (duas vezes!) lá no Cedo & Sentado, sob minha curadoria. Além de Peri Pane, arrudA é também parceiro de Alzira E, que lançou ano passado um disco de suas parcerias. Disco que ainda não ouvi - apesar dele estar há meses me encarando no topo da pilha em cima da mesa. (Foi mal.)

Turma do Funil





Mallu, Hurtmold e Camelo, pela Carol. E essa?

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